De mulheres indo em grupo até quem escolheu a profissão por influência, ‘O Diabo Veste Prada’ segue em alta 20 anos após primeiro filme
Quem acompanha o mundo do cinema já sabe: nesta quinta-feira (30) acontece uma das estreias mais aguardadas dos últimos 20 anos, ‘O Diabo Veste Prada 2’. Entretanto, se engana quem pensa que ele é apenas um filme sobre moda; o longa, tanto o de 2006 quanto o de 2026 trazem a tona o universo do jornalismo, o trabalho feminino e até mesmo as pressões do mundo corporativo.

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A trama acompanha Miranda Prestly (Meryl Streep) num momento de mudanças na moda e na indústria de publicações e revistas. Lidando com o colapso do jornalismo, Miranda precisa enfrentar ainda mais um obstáculo: sua antiga secretária Emily (Emily Blunt), que, agora, é uma executiva de alto escalão numa marca de luxo, tomando as decisões publicitárias da grife e, por isso, entrando no caminho de Miranda.
O filme já é sinônimo de cultura pop, atrelado a lançamento de tendências e ainda vive no imaginário de muita gente. Tanto que as três redes de cinema em Campo Grande estão com suas salas quase lotadas para a estreia do longa.
A estudante de jornalismo Carolina Toffanetto, de 26 anos, se lembra até hoje da primeira vez que viu o filme, entre os 5 e 6 anos, na saudosa ‘Sessão da Tarde’, da Rede Globo, e desde então se tornou seu filme preferido.
“Mesmo sem saber o que eu queria ser, que carreira queria seguir, eu sabia que eu queria ser como a Miranda era – ela era imponente, a melhor no que fazia, ninguém duvidava dela. Na área dela, a palavra dela era lei”,

A imagem: a estudante de jornalismo Carolina Toffanetto se inspirou no filme e em Andy – Foto: Acervo pessoal/Carolina
Parece até impossível, mas foi graças ao ‘Diabo Veste Prada’ que Carolina escolheu a faculdade que hoje cursa. “Eu assisti o filme várias e várias vezes ao longo da infância e da adolescência. No Ensino Médio fiz o IFMS [Instituto Federal de Mato Grosso do Sul] em Corumbá e meu trabalho de conclusão foi voltado para a moda, justamente pela minha paixão pelo filme”, relatou ao jornal O Estado.
Com paixão pela escrita, sua primeira faculdade foi em pedagogia, porém ainda em dúvida sobre a carreira e sem tantas opções de curso em Corumbá. Porém, foi na pandemia, reassistindo ao filme, que o ‘bichinho do jornalismo’ voltou a picar Carolina, que percebeu que queria fazer algo além de escrever.
“Queria fazer parte de todo esse processo editorial, trabalhar com jornal e revista. E ali a sementinha de ‘quero ser a Miranda’ da infância ressoou novamente”.
A empresária, jornalista e influêncer May Gabrielle, de 28 anos, assistiu ao filme em 2007. Desde então, ela se lembra dos detalhes, da trilha sonora do que hoje se tornou uma referência para ela. Inclusive, mesmo tendo assistido na infância, ela conseguiu identificar rapidamente os aspectos jornalisticos presentes na obra.
“Sempre quis ser jornalista, e o filme mostra muito esse lado da profissão, os bastidores reais de uma redação, e como o jornalismo de moda move essa indústria milionária. E a Andy [interpretada por Anne Hathaway], no começo do filme, acredita que aquilo tudo é uma futilidade, mas ela percebe que precisa de contatos, fontes impossiveis para conseguir o manuscrito inédito de Harry Potter… é um retrato de como a informação é poder e como esse ‘soft news’, que é o jornalismo de moda, voltado para o estético, pode ser tão exigente quanto qualquer outra editoria, não só as ‘hard news’”, pontuou May.

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A estética de noticiar
Mesmo a moda, dito como algo predominantemente feminino, ainda possui muitos preceitos. No jornalismo então, há demandas a serem cumpridas pelas mulheres, muitas delas estéticas, regidas por um patriarcado institucional que detém, em sua maioria, o poder de decisão e escolha.
“A Miranda teve que abrir mão de tudo pra estar ali ocupando o lugar dela. Família, amigos, vida. E eu acho muito doido, essa relação de quando uma mulher quer estar no topo ela precisa desistir de todas as outras coisas, enquanto homens ocupam lugares de poder sem precisar abrir mão de absolutamente nada”, destaca Carolina.
Considerada ‘diferente’ ela pontua que o mercado tem uma relação muito forte com a imagem, exigindo uma postura, ainda maior para quem é mulher. Quem se lembra da cena do azul celeste, ou como das mudanças de estilo da personagem de Anne Hathaway cresceram ao longo do filme?
“O jornalismo exige uma imagem e postura que é muito específica, mesmo tendo mudado sutilmente com o tempo, a figura do jornalismo ainda é muito ligada aquela coisa do homem branco de terno atrás da bancada. Se você quer trabalhar com a sua imagem, seja na televisão, seja em assessoria, você precisa abrir mão de muitas coisas por pré conceito da sociedade. Eu falo isso porque tenho piercings, meu cabelo era rosa, e as pessoas torciam o nariz ‘por eu ser assim’ quando eu falava que fazia jornalismo. Com uma imagem muito bem pré estabelecida de como um jornalista deve ser”, destacou.
“E isso é muito visível quando mudam o visual da Andy no primeiro filme né? Assim como a própria, Miranda que precisava estar sempre impecável”, eomplementa.
Mercado ainda é o mesmo?
No primeiro filme tivemos o choque de realidade de como o mundo jornalistico da moda é competitivo. As personagens de Andy (Anne Hathaway), Emily, Miranda e Nigel (Stanley Tucci) ultrapassam os limites da ética para ganharem espaço – ou não perder, no caso de Miranda – um posto na Runway Magazine.
Para Carolina, sua visão na infância e adolescência sobre o que era moda e jornalismo foi ‘frustrada ao entrar na faculdade. “A realidade editorial hoje, é bem diferente do meu imaginário baseado em filmes. Hoje em dia tudo é mais digitalizado e o segundo filme vai trazer justamente essa temática”, explica.
“Revi o filme recentemente e é muito engraçado ver como hoje, tenho muito mais da Andy do que da Miranda – e faria a mesma escolha que ela fez no fim do filme. Nenhum sucesso e glamour passa por cima do que eu amo e acredito, e acima de tudo, de quem eu sou”, comenta.
“O filme mostra bem a pressão estética e a competitividade que ainda cercam as mulheres, além da busca por validação em ambientes majoritariamente masculinos”, pontua May.
Referência
Com cenas marcantes, o filme, mesmo que de duas décadas atrás, ainda dita tendências. Para May, ele criou uma identidade visual icônica. “As cores e o estilo dos figurinos viraram símbolos de ‘poder’ e pertencimento que a moda sempre acaba revisitando”.
“Tudo no filme é muito atemporal: desde os looks incríveis até os problemas sociais. O mercado é massacrante pra quem é diferente e não segue o padrão. Seja fisicamente ou seja diferente no quesito ideologia. A realidade tecnológica é diferente, mas a social, não”, pontuou Carolina.
Expectativa e multirão
A abordagem das novas tecnologias e tendências são uma das curiosidade que levarão Carolina ao cinema.
“Quero muito ver como eles vão tratar essa mudança. Porque eu tenho muita esperança deles tratarem a mudança como ela realmente é. Tudo tá perdendo a essência na internet.
Mas também estou muito receosa deles seguirem a linha do mercado de vender rede social, internet e digitalização como um país das maravilhas – e isso seria muito decepcionante pra mim. Mas estou esperando ir pra esse lado, infelizmente. Mas também tô muito ansiosa pelo desenvolvimento da carreira da Andy”.
Já May, vai além: lider do projeto ‘Te Influenciamos’, para impulsionar mulheres empreendedoras, gerar conexões e ampliar o impacto regional, a iniciativa propõe rodadas de negócio, palestras, mentorias, treinamentos e network. Mas ela destaca que o empreendedorismo vai além disso, que é preciso bem-estar e momentos de lazer, que nesta semana, serão proporcionados na estreia do filme.

Infuência: a empresária, jornalista e influêncer May Gabrielle considera o filme uma referência – Foto: Reprodução redes sociais May Gabrielle
Ela organizou uma reunião com diversas empreendedoras para assistirem ao filme, come expectativas altissímas.
“São mais de 20 mulheres confirmadas, e a ideia surgiu justamente para fazermos algo diferente. Somos uma comunidade de mulheres empreendedoras no feminino, mas tambem prezamos muito pelo bem-estar, pelo lazer e diversão, indo além dos negócios, então foi surgindo nesse contexto. E também por ser um clássico onde a maioria das mulheres são super fãs, logo pensamos ‘por que não assitir a esse filme juntas?’ e com isso criar um movimento nosso, fazer barulho! Estamos até combinando de irmos ‘a carater’ todas de vermelho”, explicou.
‘O Diabo Veste Prada estreia hoje nos cinemas de todo país.
Por Carolina Rampi
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