Ser o pseudofruto, a pele do caju… Com entrada gratuita, MS ao Vivo traz Liniker a Campo Grande em um show carregado de afeto, representatividade e potência musical
“Quero saber se você vai correr atrás de mim… num aeroporto”. O refrão que conquistou o Brasil agora ecoará em solos pantaneiros. A próxima edição do MS ao Vivo promete uma noite memorável com a cantora Liniker como atração principal, um dos shows mais aguardados do ano na capital sul-mato-grossense. O evento será realizado no dia 7 de setembro (domingo), a partir das 17h, no Parque das Nações Indígenas, com entrada gratuita.

Foto: Larissa Kreili/Divulgação
No palco, Liniker apresenta seu mais recente trabalho, o álbum CAJU (2024), uma obra que transborda emoção, afeto e identidade. Com 14 faixas autorais e parcerias de peso, como Lulu Santos, BaianaSystem, ANAVITÓRIA e Pabllo Vittar, o disco mergulha em histórias pessoais e sonoridades que passeiam entre o soul, a MPB e a música contemporânea brasileira. Conhecida por sua voz única e presença magnética, a artista promete uma apresentação que vai além da música: é um espetáculo de resistência e liberdade.
A abertura da noite ficará por conta do cantor Silveira, revelação da nova cena musical de Mato Grosso do Sul. Com o show AfroAfetos, ele traz ao público uma mistura potente de MPB, pop e soul, com mensagens sobre ancestralidade, amor e identidade. O MS ao Vivo é uma realização do Governo do Estado, por meio da Setesc e da Fundação de Cultura de MS, em parceria com o Sesc-MS, reforçando seu compromisso com a valorização da cultura local e nacional.

Foto: Bre Aragão/Divulgação
Representatividade
Natural de Araraquara (SP), ela ganhou projeção nacional com o EP Cru (2015) e, desde então, vem rompendo barreiras com sua voz marcante e narrativas intensas. Com os álbuns Remonta (2016) e Goela Abaixo (2019), Liniker não apenas consolidou sua carreira na música, mas também expandiu sua atuação para o audiovisual, ao interpretar Cassandra na série Manhãs de Setembro (2021), da Prime Video.
Liniker ingressou na banda Liniker e os Caramelows em 2015, quando o grupo foi formado na cidade de Araraquara. Com sua voz marcante e presença cativante, ela se tornou a vocalista principal, dando início a uma trajetória musical que rapidamente conquistou o público.
A formação original da banda também contou com Renata Éssis (vocal), Rafael Barone (contrabaixo), William Zaharanszki (guitarra), Péricles Zuanon (bateria) e Márcio Bortoloti (trompete), com outros músicos se juntando ao grupo ao longo do tempo. Com um som que mesclava MPB e soul, a banda lançou o aclamado Cru em 2015, seguido pelos álbuns Remonta (2016) e Goela Abaixo (2019). Em 2020, Liniker decidiu seguir sua carreira solo, dando fim à parceria com os Caramelows, mas deixando um legado marcante na música brasileira.
Em 2021, a artista lançou seu primeiro trabalho solo, Indigo Borboleta Anil, que a consagrou com o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, tornando-se a primeira artista transgênero a conquistar esse reconhecimento. A cantora também fez sucessos com músicas como “Baby, 94”, “ZERO” e “Intimidade”.
Em 2024, Liniker vai ainda mais longe com CAJU, um disco profundo, afetivo e cheio de experimentações. São 14 faixas que exploram temas como identidade, amor e resistência, com colaborações de nomes como Lulu Santos, BaianaSystem, ANAVITÓRIA e Pabllo Vittar. Mais que um álbum, CAJU é um manifesto em forma de música. Símbolo de representatividade para a comunidade trans e negra, Liniker também fez história ao se tornar a primeira mulher trans a integrar a Academia Brasileira de Cultura.
Silveira
Abrindo o show em Campo Grande, o cantor e compositor Silveira, natural de Corumbá, traz para o palco o espetáculo AfroAfetos, uma fusão de MPB, pop, soul e influências afro-latinas. Aos 29 anos, o artista já se destacou em grandes eventos do Estado e agora leva ao MS ao Vivo um show que, segundo ele, será “uma celebração aos nossos afetos, encontros e à vida”. Em entrevista ao jornal O Estado, Silveira adiantou que o repertório será majoritariamente autoral, com algumas releituras de artistas que marcaram sua trajetória.
O espetáculo ainda conta com participações especiais da coletiva Trans Pra Frente, da poeta Maria Carol, coreografia de Rosy Mendonça, produção musical de Ton Alves e direção criativa de Jessika Rabelo.
“O maior diferencial é poder levar ao palco um show que carrega minha identidade e minhas vivências como LGBT+, além de compartilhar isso com artistas da minha comunidade. Isso torna tudo muito mais especial e único”, afirma.
Silveira participou da abertura do show de Dudu Nobre no ano passado com o projeto Pérolas Negras, ao lado dos artistas DoVale e Dany Cristinne, mas destaca: “Desta vez, é diferente. Estamos preparando um espetáculo que promete celebrar a nossa existência”.
Fãs
Fã de longa data, o campo-grandense e produtor cultural, Abhner Benevides acompanha a carreira de Liniker desde os tempos da banda Liniker e os Caramelows. Admirador da versatilidade da artista, Abhner contou para o Jornal O Estado que o álbum CAJU da cantora é um marco em sua trajetória.
“Ela mostrou um lado ainda mais dançante, alegre e apaixonado, que eu amo demais. Ouvir “Me Ajude a Salvar os Domingos” ao vivo vai ser inesquecível. Só de imaginar esse momento, já me emociono”, conta. O show de Liniker, gratuito, em Campo Grande, é para ele a realização de um desejo antigo: “Antes mesmo do MS ao Vivo anunciar, eu já pensava em viajar só pra viver essa experiência. Saber que vai acontecer aqui, na minha cidade, é uma felicidade enorme”.
Abhner também é presença constante nas edições anteriores do MS ao Vivo e reforça a importância de iniciativas como essa para o fortalecimento da cultura local. “Mesmo sem conhecer todos os artistas, faço questão de estar presente. Acho que apoiar e ocupar esses espaços é fundamental para movimentar a cena cultural de Campo Grande, que ainda enfrenta muitos desafios”, afirma.
A estudante de psicologia Larissa Oliveira, contou para a A estudante de psicologia Larissa Oliveira está entre os muitos fãs empolgados para ver Liniker de perto em Campo Grande. Admiradora da artista desde os primeiros trabalhos, ela destaca não só o talento musical, mas também a importância da representatividade que Liniker carrega.
“Sou uma grande admiradora da Liniker, não apenas pela cantora incrível que é, mas também por ser uma mulher negra, travesti, que abre espaço para que outras pessoas possam se expressar e serem quem realmente são. É essencial que o governo incentive a cultura, a música, o pop e apoie artistas como ela”, afirma.
Larissa está especialmente ansiosa para ouvir as faixas do novo álbum CAJU, como “Caju” e “TUDO”, que marcaram sua vida recentemente. Mas também torce para que o repertório inclua sucessos antigos, como “Zero”, música que ela considera uma das melhores da carreira da artista. “Vai ser um momento muito especial, com certeza vou me emocionar”, conclui.
Por Amanda Ferreira
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