Produção revela a força dos cantos e da tradição oral na capoeira, destacando sua dimensão cultural, histórica e coletiva em uma narrativa sensível e contemporânea
O documentário “Melodia da Ginga” estreou no dia 14 de abril e já está disponível ao público no Youtube, propondo um mergulho sensível no universo sonoro da capoeira. A obra evidencia como os cantos que acompanham o jogo (entre eles ladainhas, chulas, quadras e corridos) são fundamentais para manter viva a tradição e o significado dessa expressão cultural.

Angoleiros: Murilo Gadelha – Responsável Escola de Capoeira Angola Angoleiros do Interior e Coordenador Coletivo do Mato – Foto: Cleiton Mota
Ao longo da produção, mestres e praticantes compartilham experiências e saberes que atravessam gerações. O filme mostra que, mais do que música, esses elementos carregam narrativas, ensinamentos e valores que refletem a herança afro-brasileira presente na capoeira.
Gravado em Campo Grande, o documentário apresenta a prática como um espaço de construção coletiva, onde identidade, memória e resistência se manifestam de forma contínua. A proposta é aproximar o espectador dessa vivência, revelando a capoeira como uma cultura dinâmica, em constante renovação.
A realização do projeto contou com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), com apoio da Prefeitura Municipal de Campo Grande, por meio da Fundação Municipal de Cultura (FUNDAC), e financiamento do Governo Federal via Ministério da Cultura. A direção executiva é assinada por Alex Mota de Moraes, com roteiro e direção executiva de Lucicleiton Mota Martins da Silva. A produção de vídeo ficou a cargo da Chalana Produções, e a produção técnica foi conduzida por Richard Thiago Carvalho.
Bastidores
O produtor técnico do documentário, Richard Thiago Carvalho, destacou os bastidores da produção ao comentar os desafios enfrentados durante as gravações. Segundo ele, a proposta de registrar a musicalidade da capoeira exigiu atenção especial à captação de som e imagem, sobretudo por se tratar de manifestações tradicionais realizadas em ambientes abertos.
De acordo com o produtor, as condições externas impuseram obstáculos constantes à equipe. Fatores como mudanças repentinas no clima e a presença de ruídos urbanos, incluindo vento e circulação de veículos, dificultaram o processo técnico. Ainda assim, ele ressaltou que o planejamento e a adaptação ao longo das filmagens foram fundamentais para garantir a qualidade do material registrado.
“Mas, com organização, paciência e alguns ajustes durante o processo, conseguimos vencer esses desafios. No fim, as gravações aconteceram de forma leve, fluíram bem e conseguimos preservar aquilo que era mais importante pra gente: a essência da capoeira”, destaca.

Coletivo do Mato: Victória Maria Stiles, capoeirista – Foto: Cleiton Mota/Divulgação
Patrimônio cultural
O documentário “Melodia da Ginga” (2026), propõe um olhar aprofundado sobre a capoeira a partir de sua dimensão musical e ancestral. Alex Mota conta que a obra evidencia como cantos tradicionais, como ladainhas, chulas, quadras e corridos, funcionam como instrumentos de transmissão de conhecimento, preservando histórias, valores e práticas ligadas à cultura afro-brasileira.
A narrativa construída pelo diretor aposta na oralidade e na vivência dos mestres como eixo central, destacando a capoeira como expressão contínua de resistência e identidade. Gravado em Campo Grande, o filme também amplia o olhar para contextos regionais, reforçando o papel da prática como patrimônio cultural vivo e reconhecido internacionalmente, além de destacar sua força como ferramenta de transformação social e coletiva.
“A proposta foi mostrar a capoeira a partir daquilo que a sustenta de verdade: os saberes dos mestres, a musicalidade e a oralidade. Esses elementos mantêm a tradição viva e conectam passado e presente. O filme registra essa cultura em movimento, valorizando sua importância como patrimônio e como fonte de identidade e resistência para as próximas gerações”, destaca.

Camará: Formado Fernando Humbertto – Grupo Camará Capoeira – Foto: Cleiton Mota/Divulgação
Conhecendo a capoeira
Ao abordar a capoeira para além do aspecto físico, o documentário se apresenta como uma porta de entrada para públicos que ainda não tiveram contato próximo com essa expressão cultural. A narrativa busca evidenciar dimensões como memória, identidade e resistência, ampliando a compreensão sobre o significado da prática.
A obra também aposta na força dos elementos sonoros e coletivos da roda para criar identificação com o espectador. Ritmos, cantos e interações entre os participantes ajudam a transmitir a essência da capoeira, destacando seu papel como espaço de pertencimento e continuidade cultural entre diferentes gerações.
“Na minha visão, Melodia da Ginga tem um potencial enorme de tocar quem assiste, principalmente quem ainda não conhece a capoeira de perto.Pra quem nunca teve contato, pode ser algo realmente transformador, capaz de gerar conexão e respeito. E pra quem já vive a capoeira, é um lembrete bonito da importância de manter essa cultura viva, passando de geração em geração”, afirma Richard.

Foto: Cleiton Mota/Divulgação
Roteiro
A construção narrativa de “Melodia da Ginga”, assinada por Lucicleiton Mota na direção executiva e roteiro, tem como eixo central a musicalidade da capoeira, transformando cantos tradicionais — como ladainhas, chulas, quadras e corridos, em estrutura principal da narrativa, e não apenas como acompanhamento sonoro.
O documentário adota uma abordagem sensorial e investigativa, articulando referências históricas com a vivência prática nas rodas. A proposta privilegia a escuta dos mestres e praticantes, que assumem o papel de narradores da própria história, reforçando a oralidade como fundamento essencial da transmissão de saberes na capoeira.
“As escolhas narrativas partiram da ideia de colocar a música no centro da história, não como trilha, mas como guia da narrativa. Também busquei unir o histórico com a vivência das rodas para que o público pudesse compreender e sentir a capoeira ao mesmo tempo. Dar voz aos mestres foi essencial, assim como mostrar a capoeira acontecendo em Campo Grande hoje, conectando passado e presente como uma cultura que segue viva”, finaliza.
Serviço
Para conferir o documentário completo, acesse https://www.youtube.com/watch?v=d5cWo-jvsuA
Por Amanda Ferreira
Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram