Lucilene Machado lança livro de crônicas em Campo Grande e reflete sobre linguagem e relações humanas

Foto (c) - Divulgação
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Obra reúne textos que discutem comunicação, silêncios e tensões do cotidiano

 

A escritora sul-mato-grossense Lucilene Machado apresenta ao público, no dia 6 de maio de 2026, o livro Uma palavra não quer ferir a outra, em Campo Grande. A obra reúne crônicas que investigam o papel da linguagem nas relações cotidianas e nos modos de convivência.

O lançamento será realizado às 19h, na Estação Cultural Teatro do Mundo, com sessão de autógrafos e encontro com leitores. A publicação propõe reflexões sobre comunicação, memória e os limites da expressão em diferentes contextos sociais.

No conjunto de textos, a autora constrói narrativas que transitam entre o registro literário e a observação crítica. As crônicas abordam situações do cotidiano para discutir como a palavra atua na construção de vínculos, mas também pode evidenciar conflitos e ambiguidades presentes nas interações humanas.

Professora na área de Letras da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Lucilene Machado desenvolve pesquisas relacionadas à linguagem, aspecto que se reflete na estrutura da obra. O livro insere-se no cenário da produção contemporânea ao articular criação literária e reflexão, dialogando com tradições do gênero e com práticas atuais de circulação de textos.

 

Processo de criação 

A escritora Lucilene Machado contou para o Jornal O Estado que seu processo de criação não parte de uma busca por equilíbrio entre diferentes formas de escrita. Segundo ela, os textos podem assumir características mais imagéticas ou mais reflexivas, mantendo, no entanto, elementos que provocam leitura e interpretação. A autora destacou que a construção de suas crônicas ocorre a partir de movimentos distintos que se complementam ao longo da elaboração.

“A intuição é o ponto inicial da minha escrita, é o que impulsiona as primeiras imagens e ideias. Depois, a reflexão crítica entra como um segundo momento, de escuta e desenvolvimento. Não vejo isso como um equilíbrio fixo, mas como uma convivência entre forças diferentes, que às vezes se aproximam e outras entram em tensão. É nesse processo que o texto se forma e encontra sua estrutura”, conta.

Ela ressalta que sua produção literária se constrói a partir da relação dinâmica entre diferentes formas de expressão. Em vez de buscar uniformidade, a autora aponta que o contraste entre elementos é parte central do desenvolvimento de seus textos.

“Não procuro organizar intuição e reflexão de maneira rígida. O que me move é justamente o choque entre essas dimensões. É nesse encontro que o texto se estrutura, ganhando consistência. Trata-se de uma convivência entre forças distintas, que podem dialogar ou entrar em tensão, resultando em uma escrita que circula entre o poético e o ensaístico”, complementa.

 

“É possível dizer sem ferir?”

A pergunta que orienta o livro surgiu a partir de experiências vividas em sala de aula, especialmente em contextos de fronteira cultural. Segundo ela, o contato com diferentes realidades, como o ambiente entre Brasil e Bolívia em Corumbá, evidenciou tensões no uso da linguagem, despertando uma reflexão que passou a aparecer de forma recorrente em seus textos.

“Essa questão nasceu mais como um incômodo do que como uma ideia definida. Em situações de convivência entre culturas, percebi como a linguagem pode gerar conflitos e também silêncios. Ao longo da escrita, essa inquietação foi se tornando mais presente, até estruturar o livro. Em vez de buscar uma resposta, passei a sustentar a dúvida como parte do próprio processo de escrita, ampliando a reflexão que atravessa as crônicas”, revela.

A autora aponta que, ao longo do processo, a percepção sobre o tema deixou de ser pontual e passou a orientar a estrutura das crônicas, influenciando tanto a escolha dos temas quanto a forma de abordagem.

“Essa questão nasceu como um incômodo e foi ganhando espaço durante a escrita. Em muitos momentos, percebi que as palavras, mesmo usadas com cuidado, não resolviam conflitos, mas criavam novas tensões. Isso apareceu nos textos de forma quase involuntária e, com o tempo, entendi que havia ali um eixo para o livro. A pergunta deixou de ser apenas pessoal e passou a conduzir a escrita”.

Silêncios, culpas e tensões 

Ao longo do livro, a construção de suas crônicas não parte de uma regra fixa entre o que deve ser explicitado e o que deve permanecer sugerido. Segundo ela, essa definição ocorre durante o próprio processo de escrita, a partir da leitura interna do texto e de suas necessidades expressivas.

“Não vejo isso como uma escolha técnica ou previamente definida. Em alguns momentos, o texto exige nomeação direta, como se houvesse uma urgência em dizer. Em outros, é o silêncio que sustenta o sentido. Quando trato de temas como culpa, tensão e fragilidade nas relações, percebo que explicar demais pode reduzir o que está em jogo. O não dito não é ausência, mas uma forma de presença que pede a participação do leitor”, finaliza.

Serviço: O lançamento do livro acontece nesta quarta-feira , 06 de maio, a partir das 19h na Estação Cultural Teatro do Mundo, localizado na Rua Barão de Melgaço, 177.  O evento terá sessão de autógrafos e conversa com a autora.

Amanda Ferreira

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