Irmandade entre Sandra Bullock e Nicole Kidman volta às telas e traz o mundo da bruxaria e feitiços aos holofotes da nova geração

Avatar - Youtube - 1

‘Abracadabra’, ‘Jovens Bruxas’, ‘Harry Potter’… Nos anos 90 e 2000, o mundo da bruxaria, dos feitiços e do místico estava em um dos seus auges. Entre filmes, séries e livros, o imaginário sobre bruxas conquistou uma geração e ajudou a transformar o tema em fenômeno da cultura pop. Agora, mais de duas décadas depois, o universo mágico volta aos holofotes com a estreia de ‘Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor’, reacendendo a curiosidade sobre o que existe por trás da ficção e de onde vêm as práticas, símbolos e crenças que inspiram essas histórias.

‘Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor’ é a continuação do clássico de 1998 e navega na onda de nostalgia dos filmes citados acima (alô, HBO, com o novo Harry Potter!). Ele traz de volta a linda irmandade de Sally e Gillian, interpretadas por Sandra Bullock e Nicole Kidman, anos depois aos acontecimentos do primeiro filme, mas que seguem assombradas pela maldição do clã Owen: não podem se apaixonar, pois todos que amam morrem. Agora, elas terão que enfrentar a sombria maldição que as persegue por séculos e, mais do que nunca, parecem estar ligadas ao possível fim de suas famílias de bruxas.

Sandra e Nicole deram vida às irmãs nas telas, mas a história surgiu muito antes, com a saga de livros da autora Alice Hoffmann. Os três livros: ‘Regras do amor e da magia’, ‘Da magia à sedução’ e ‘O livro de magia’, narram em ordem cronológica a história da família Owens. Além disso, o livro “Lições de Magia”, que conta a origem da maldição, também faz parte da coleção.

A direção do novo ‘Da Magia à Sedução’ fica por conta da cineasta dinamarquesa Susanne Bier, que já trabalhou com Bullock em ‘Caixa de Pássaros’ e dirigiu o ganhador do Oscar, ‘Por um mundo melhor’.

Ainda existe prática de bruxaria?

Mas, afinal, o quanto daquilo que aparece nas telas se aproxima da realidade? Para Renan Ryan, da Cabana das Bruxas, que estuda bruxaria, é preciso separar o imaginário construído pela cultura pop das práticas e tradições que existem de fato.

Fã da saga, ele acredita que os filmes têm a oportunidade de abordar a magia de uma forma mais real e natural, sem depender de tantos efeitos. No primeiro, os feitiços são praticados além do dom das irmãs: é utilizado o que a natureza nos proporciona, o que liga a contos originais de bruxarias. Entretanto, Renan ainda tem ressalvas sobre a nova adaptação, principalmente em relação ao que pode ser pintado como ‘bruxaria’.

“Meu maior medo é que acabem errando a mão, como aconteceu com a sequência de Jovens Bruxas. Mas acredito que o grande acerto desta história seria justamente mostrar que toda magia vem acompanhada de responsabilidade; que existe magia dentro de cada um de nós; que, quando estamos unidos, somos mais fortes; e, principalmente, que não devemos praticar magia sem saber para onde ela pode nos levar”, destaca.

Criador da Cabana das Bruxas, uma escola de magia e bruxaria Hekatina em Campo Grande, Renan realiza treinamentos, cursos online e consultas de tarô. Para a entrevista, ele explicou que a bruxaria vai além de aprender feitiços. “É conhecer a natureza, compreender seus ciclos, estudar símbolos, histórias e tradições e, principalmente, sobre si mesmo”, explica.

“A verdadeira magia não está apenas no que fazemos, mas no conhecimento, na consciência e na responsabilidade que colocamos em cada prática. Existem muitas vertentes de magia; a Cabana das Bruxas, por exemplo, é uma escola de bruxaria Hekatina, em que todos os ritos são embasados nas práticas com Hekate, a Deusa das bruxas. Mas essa tradição é apenas uma parte das raízes de bruxaria”, complementa.

Estereótipos x natureza

Além de compreender o meio, Renan também destaca que ferramentas como ervas, cristais, cartas e outros elementos atuam como guias e conselheiros mágicos nas práticas e aprendizagens.

“Cada cristal carrega em si uma força para determinada intenção. As cartas de tarô servem para aqueles momentos de dúvidas, e os ritos e feitiços ajudam a dar ‘um empurrãozinho’ no destino para alcançarmos o que desejamos, claro, sem prejudicar a ninguém. Qualquer pessoa pode fazer o uso deles, desde que tenha responsabilidade e sabedoria pelo que está fazendo”.

Entre os séculos XII ao XVIII, a bruxaria foi associada como ‘pecado’ pela Igreja Católica, que definiu qualquer dogma diferente como ‘heresia’, promovendo um movimento político-religioso na Europa e nas Américas conhecido como Inquisição. Foi nesse período em que mulheres que possuíam conhecimentos da natureza, ervas e ritos, por exemplo, foram torturadas e perseguidas.

Mesmo depois de tanto tempo, a bruxaria ainda é cercada por muitos estereótipos, principalmente associados ao mal. “Na realidade, ela é diversa e pode envolver conexão com a natureza, rituais, símbolos, autoconhecimento e responsabilidade. Esse ‘fazer o bem ou mal’ já é do homem. Ele escolhe o que fazer estando na bruxaria ou nas igrejas”, aponta.

Atração

Com tantos estímulos relacionados às práticas, o interesse pela bruxaria parece ganhar espaço entre pessoas mais jovens e nas redes sociais. Renan acredita que há alguns pontos que chamam a atenção das pessoas para esses estudos, principalmente entre as pessoas mais jovens e que estão em constante ligação com as redes sociais.

“Acredito que o interesse seja pela variedade de livros, filmes e séries sobre o assunto. A liberdade também é um bom chamariz, pois os dogmas das religiões acabam prendendo as pessoas”, disse. Entretanto, é preciso diferenciar um estudo sério de conteúdos que apenas romantizam e banalizam a prática.

“Por um lado, é bom toda essa visibilidade, mas por outro, é muita informação deturpada sobre o assunto. Por isso é importante saber distinguir a ficção da realidade. Ninguém vai sacudir uma varinha e soltar luzes, mas podemos estudar e fazer com que o universo conspire a nosso favor”.

Ansiedade

Com resenhas sobre os livros no seu portal, Renan quer ver nas telas tudo que ainda não foi explorado no universo criado por Alice Hoffman.

“Depois que descobri os livros, fiquei ainda mais curioso para conhecer tudo o que existe por trás da história que vimos no cinema. Afinal, o universo da família Owens é muito maior do que aquilo que o filme conseguiu nos mostrar”, disse.

“Espero que a magia do filme continue sendo tratada sutilmente, como no primeiro filme, sem muitos efeitos, que a maldição seja finalmente quebrada, mas a minha maior expectativa é querer ver agora Sally e Gillian no lugar das tias, que ensinam e acolhem as jovens bruxas”, finaliza.

 

Por Carolina Rampi

 

Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *