1ª Mostra Cordis: Exposição convoca público a reflexão acerca dos sentimentos, com 12 artistas convidados

Foto: Divulgação
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Por meio das mais diversas expressões artísticas, como tecelagem, crochê, upcycling, pinturas em tela, performances e poesias, começou nesta segunda-feira (4), e vai até o dia 24 de maio, a 1ª Mostra Cordis, na GAV (Galeria de Artes Visuais) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Com o propósito de falar a respeito dos muitos sentimentos que podem mover um coração, bem como trazer reflexões de como o modo de agir e falar pode afetar as pessoas, falando sobre os pequenos gestos que mudam tudo, a exposição traz artistas de Campo Grande e Dourados, como Márcia Lobo, Sabrina Lima, Raique Moura e o designer Addi, que desponta no cenário artístico como realizador do evento.

‘Cordis’ é um termo em latim que significa ‘relativo ao coração’, referindo-se a sentimentos como coragem (agir com o coração), cordialidade e a expressão ‘saber de cor’ (saber de coração). Assim, a exposição evoca uma reflexão a respeito do que dos sentimentos gerados a partir da convivência e troca com o outro, quando podemos deixar o coração nos guiar e escolher ser cordiais.

“O objetivo do tema da exposição é alertar as pessoas sobre ter mais consciência e cuidado, perceber como o modo de agir e falar afeta a todos. Pequenos gestos mudam muita coisa”, explica Addi, um dos artistas da exposição e organizador.

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Pulsação

Para o Jornal O Estado, ele explicou que a ideia para a mostra sempre foi latente em seus pensamentos, mas, após um amigo passar por uma desilusão amorosa, o tema voltou com força. Serão 12 expositores, todos com propostas e técnicas diferentes para falar do mesmo
assunto e trazer à tona debates sobre o lugar do mundo e como o contato com o outro pode
ser transformador.

“Percebi que era um tema recorrente na produção artística de vários deles e que tinha alguma motivação por trás das representações, conversando com eles e indagando pela motivação de criarem o coração, reuni e percebi conceitos que se conectam e não eram apenas relacionamentos, mas o modo como agimos e pensamos em sociedade que se distanciou completamente do viver por completo e em harmonia”, disse.

A abertura da mostra trouxe a performance ‘Combinamos de não morrer’, da atriz Sabrina Lima. Inspirada no conto de mesmo nome escrito por Conceição Evaristo, a artista evoca símbolos, movimentos e significados para enriquecer ainda mais o debate sobre como as pessoas se colocam no mundo por meio de suas próprias perspectivas e vivências.

Múltiplas linguagens

Quem também compõe a curadoria da exposição é a artistas têxtil Márcia Lobo, que expõe a obra “Batimento Controlado”, uma peça em crochê, que convida os presentes a pensar sobre repressão de sentimentos e os moldes em que todos tentam se encaixar para caber nas expectativas da sociedade sem pensar o quanto tudo isso pode pesar para o coração.

“A obra fala sobre essa necessidade de se adaptar para sobreviver, de reduzir o próprio afeto, o próprio gesto, para não ser ferido. As linhas que escorrem do coração não representam explosão, mas vazamento. Mesmo sob controle,tem algo escorrendo, é a dor que todos sentimos”, disse.

A exposição ainda conta com poemas dos escritores Ana Julião e Kaio Ramos e arte urbana com o lambe-lambe da artista visual Bejona e graffiti de Lumar. O evento ainda abre espaço para a arte digital com Very Ruim, esculturas de Joni Lima e técnicas de upcycling de João Paulo Martinez e a arte de Leo Bueno.

O evento ainda conta com a estreia da obra “Voantes”, de Raique Moura, que irá expôr pela primeira vez todos os oito quadros que compõem a peça e que levam a reflexão dos mais diversos sentimentos movedores de vida e impulsos.

A mostra reúne linguagens muito diferentes — do crochê ao graffiti, da poesia à arte digital. Para isso, Addi trouxe sua experiência na arte e no tempo que conviveu com vários artistas diferentes para ampliar os horizontes da exposição.

“Quando entrei para a arte dois anos atrás, convivi com vários artistas diferentes e fui me acostumando a praticar e entender diferentes tipos de arte. Então esse processo não foi muito difícil pela vivência que obtive. Acabei me conectando com a arte de vários estilos e hoje penso ser estranho não existir essa variedade de estilos numa mesma exposição, não penso que seja um desafio, mas algo natural. A arte se expressa em diferentes pontos de vista e mostrar apenas um é deixar de lado muitas visões que ampliam e enriquecem a consciência das pessoas”, destaca

O objetivo da exposição é um convite a este retorno ao centro, ao cuidado e ao acolhimento dos sentimentos, seja ele gerado por rompimentos, cortes e distorções.

“A exposição reúne obras que personificam como a sociedade trata o centro do ser humano, o coração. Ela nos chama para voltarmos novamente ao centro, no cuidado, acolhimento, como falamos e tratamos uns aos outros”, disse o idealizador.

Ao falar sobre a expectativa em relação ao público, o organizador destaca que a visita à Galeria de Artes Visuais da UFMS vai além do contato com as obras e se torna também um convite à reflexão sobre o modo como nos relacionamos. “Espero que o público reconheça a galeria da faculdade como um ponto significativo de arte em Campo Grande, também visite para conhecer a galeria e movimente a arte na cidade.
Já sobre o conceito da exposição, ele destaca que os artistas estão retratando não é visto, e sim sentido, o que acontece à nossa volta de maneira sentimental. “Não é sobre sentimentos não correspondidos, mas sim sobre valorizar o racional ao extremo e esquecer que o principal, o afeto, a lealdade, a coragem, foram esquecidos. Somos taxados de disfuncionais pela sociedade, mas quando ser funcional passou a ser abandonar o outro? Destratar as pessoas, não ter consciência do que é dito para o próximo, agir de maneira desconectada do que sentimos, apatia, todos estamos conectados de alguma forma mas agimos como se fôssemos seres independentes um dos outros, quando alguém sofre um ataque isso reverbera em todos. A mostra não só expõe esse problema, mas chama o público para abrir o coração, se sentir em casa, também cortar laços que não servem mais e que te impedem de seguir adiante”, finaliza.

SERVIÇO: A mostra acontece entre os dias 4 e 24 de maio, de segunda a sexta, das 7h às 19h. Aos sábado o espaço segue aberto das 7h às 12h, Galeria de Artes Visuais, no campus da UFMS.

 

Por Carolina Rampi

 

 

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