No Dia dos Pais, produtor relembra os ensinamentos recebidos do pai e celebra a continuidade da história da família na pecuária
Em um país onde 76,8% dos estabelecimentos agropecuários têm base familiar, a sucessão entre gerações continua sendo um dos pilares da produção rural brasileira. Pais repassam aos filhos valores, conhecimento e a responsabilidade de dar continuidade a um trabalho construído ao longo de décadas — ou, em alguns casos, de séculos.
Na Fazenda Santa Isabel, em Aquidauana essa história atravessa mais de 200 anos. Integrante da Fazenda Taboco, a propriedade permanece nas mãos da mesma família desde os tempos do antigo Mato Grosso e já chega à sétima geração.
À frente da produção está o pecuarista Luiz Felipe Ribeiro Orro, que mantém o ciclo completo de bovinos e vê na sucessão familiar a maior riqueza construída ao longo desse tempo.
“Passamos os valores do amor à terra, do respeito à natureza, da produtividade, mas sempre respeitando os direitos trabalhistas. Também procuramos oferecer boas condições aos colaboradores, porque entendemos que isso faz parte do nosso legado”, afirma.
Embora seja advogado por formação, Luiz Felipe optou por dedicar a vida à atividade rural, repetindo o caminho seguido pelo pai, que conciliava a advocacia com a pecuária. A decisão, segundo ele, foi natural diante da ligação construída desde a infância com a fazenda e a admiração pelo trabalho do pai.
As lembranças começam ainda menino, acompanhando o pai e o avô nas lidas do campo. Mais do que ensinar sobre pecuária, o pai fazia questão de transmitir princípios que hoje seguem presentes na condução da propriedade.
“Ele sempre dizia: ‘Se for fazer um negócio, só faça se for bom para outra pessoa e bom para você. Se for ruim para uma das partes, nunca faça’. Foi um ensinamento que levo para toda a vida.”
Outro conselho ficou marcado na memória pelas decisões tomadas na fazenda. O pai evitava vender matrizes do rebanho, mesmo quando já estavam envelhecidas. “Ele dizia que vaca era para criar. Hoje a pecuária mudou, a tecnologia mudou, mas essas lembranças mostram como cada geração também deixa sua forma de trabalhar.”
Legado que continua
Agora é a vez de Luiz Felipe acompanhar a próxima geração. O filho mais velho, Leonardo, já participa das atividades da fazenda e começa a conhecer de perto a rotina da propriedade. “Ficamos muito felizes em ver os mais novos assumindo esses valores e trabalhando naquilo que a família conserva há tantos anos.”
Para ele, o maior patrimônio deixado pelo pai não foi material, mas os princípios que orientam a forma de produzir e de se relacionar com as pessoas. “Tenho muito orgulho de ter aprendido com ele não apenas o trabalho, mas os valores. Respeitar as pessoas, agir corretamente, fazer negócios bons para todos, sem querer levar vantagem. Isso eu conservo até hoje”.
Ao olhar para o futuro, Luiz Felipe espera que as próximas gerações mantenham viva essa história iniciada pelos antepassados. “Espero que continuem trabalhando, produzindo e preservando esse legado que está com a nossa família há tantas gerações.”
Mais do que garantir a continuidade da produção, ele acredita que o verdadeiro desafio é preservar os valores que fizeram a propriedade atravessar mais de dois séculos. “Quando a família permanece unida em torno desse propósito, o trabalho no campo ganha um significado que vai muito além da atividade econômica.”
Djeneffer Cordoba
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