Quando Portugal e Brasil se encontram pelo Património: a Iª Escola de Verão Luso-Brasileira sobre Cultura Material e Educação Patrimonial

Foto: reprodução
Foto: reprodução

Em julho de 2025, Braga – PT tornou-se ponto de encontro entre ciência, educação e comunidade. A I Escola de Verão Luso-Brasileira sobre Cultura Material e Educação Patrimonial, promovida pela Universidade do Minho (UMinho) – PT, em parceria com a UFMS, mostrou que o património não é apenas herança do passado, mas matéria viva de debate, aprendizagem e cidadania. Num tempo em que a memória e o acesso à cultura são temas de disputa pública, esta iniciativa afirmou uma ideia simples e poderosa: preservar património não basta, é preciso vivê-lo, questioná-lo e partilhá-lo.

Ao articular reflexão acadêmica e prática, a Escola de Verão desloca o ensino do patrimônio de uma lógica meramente informativa para uma abordagem crítica e experiencial. Objetos, vestígios arqueológicos, paisagens e práticas culturais tornaram-se mediadores entre passado, presente e futuro, estimulando leituras históricas complexas e o desenvolvimento da consciência histórica. Nessa perspectiva, o patrimônio deixa de ser apenas algo a preservar e passa a operar como instrumento educativo, capaz de provocar questionamentos, tensionar narrativas cristalizadas e convidar à participação ativa na construção do conhecimento histórico.

A dimensão internacional da Escola de Verão, nessa primeira etapa que ocorreu na UMinho – PT, constitui um de seus eixos estruturantes. A cooperação entre a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e a Universidade do Minho materializa um modelo de internacionalização comprometido com a formação discente, a produção científica colaborativa e a circulação de saberes em escala transatlântica. Essa internacionalização não se reduz à mobilidade pontual de pesquisadores, mas se consolida como política acadêmica contínua, voltada à integração entre ensino, pesquisa e extensão.

Do ponto de vista institucional, a I Escola de Verão se assenta numa cooperação formal entre a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e a Universidade do Minho, formalmente vinculada a um Projeto de Extensão universitária da UFMS, num acordo oficial de cooperação acadêmica entre as duas instituições. Esses marcos jurídicos conferem solidez administrativa à iniciativa e reforçam seu caráter estruturante no âmbito da internacionalização universitária e da formação acadêmica qualificada nas áreas de Arqueologia, História e Educação Patrimonial. Mais do que um protocolo, trata-se de uma parceria que aposta no conhecimento partilhado e na construção de pontes duradouras entre Portugal e Brasil.

A organização da Escola de Verão evidencia uma articulação interinstitucional madura, reunindo o Departamento de História do Instituto de Ciências Sociais, a Casa do Conhecimento, a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, o LAB2PT-IN2PAST, bem como o Laboratório ATRIVM, vinculado ao PPGAS, à RECMA / UFMS – UFRN e ao CNPq. Essa composição plural expressa a convergência de diferentes campos do saber e reafirma o papel das universidades como espaços de produção de conhecimento socialmente referenciado.

No campo das parcerias, a Escola de Verão consolida um verdadeiro ecossistema acadêmico ao integrar o PROFHIST/UEMS, o MuArq e o projeto Trilha Rupestre UFMS, além do apoio da FUNDECT-MS. Essas colaborações ampliam o alcance formativo e social da iniciativa, articulando pesquisa arqueológica, formação de professores, educação patrimonial e difusão científica para além dos limites estritos da universidade.

Sob a perspectiva da educação histórica, a I Escola de Verão reafirma o patrimônio como um verdadeiro laboratório de consciência histórica. Ao lidar diretamente com a cultura material, os participantes são convidados a compreender o passado como dimensão ativa do presente, reconhecendo continuidades, rupturas e conflitos de memória. Esse processo contribui para a formação de sujeitos críticos, capazes de interpretar historicamente a realidade, assumir responsabilidades coletivas e intervir de forma consciente nos debates contemporâneos sobre cultura, identidade e patrimônio.

Em suma, a I Escola de Verão Luso-Brasileira sobre Cultura Material e Educação Patrimonial demonstra que iniciativas acadêmicas podem, e devem, assumir uma função pública. Ao articular cooperação internacional, redes institucionais sólidas e uma proposta pedagógica crítica, o projeto se afirma como política de formação, de ciência e de cidadania cultural. Trata-se de uma experiência exemplar de como o patrimônio, quando pensado de forma crítica e compartilhada, fortalece a consciência histórica, aproxima povos e instituições e contribui para uma educação mais democrática, participativa e socialmente comprometida.

Registo da Sessão III da I Escola de Verão Luso-Brasileira sobre Cultura Material e Educação Patrimonial, na Casa do Conhecimento da UMinho

Este artigo é resultado da parceria entre o Jornal O Estado de Mato Grosso do Sul e o FEFICH – Fórum Estadual de Filosofia e Ciências Humanas de MS.

Prof. Dr. Carlos Eduardo da Costa Campos (Lab. ATRIVM/PPGAS/UFMS; PROFHIST/UEMS; CNPQ). E-mail:carlos.campos@ufms.br.

Profa. Dra. Fernanda Eugénia Puga Magalhães (Lab2PT / UMinho – PT). E-mail: fmagalhaes@uaum.uminho.pt

Prof. Dr. José Gabriel de Andrade Júnior (UMinho – PT). E-mail: jgandrade@ics.uminho.pt.

 

Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

 

Leia mais

Mato Grosso do Sul real

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *