A manhã desta sexta-feira (29) foi marcada pela despedida da menina Emanuelly Victória Souza, de 6 anos, estuprada e morta por estrangulamento na madrugada de quinta-feira (28), em Campo Grande. Familiares e amigos acompanharam o velório e o sepultamento da criança, realizado poucas horas após a liberação do corpo.
Muito abalada, a mãe da vítima não conseguiu conversar com a imprensa. O padrasto, por sua vez, se pronunciou emocionado, negando todas as acusações de maus-tratos e negligência em relação à enteada, morta por Marcos Wilian Teixeira Timóteo, conhecido como “Gordinho”, principal suspeito do crime.
Segundo ele, assumiu a paternidade da menina quando ela tinha apenas duas semanas de vida e desde então a tratava como filha. “Não sou o pai, mas peguei-a para criar. Tentaram tirá-la de mim, mas nunca conseguiram. Eu fazia de tudo por ela, nunca deixei faltar nada”, afirmou, lembrando que a criança era querida na escola e muito apegada à família.
O homem rebateu denúncias anteriores que o acusavam de descuido com a menina. “Disseram que ela estava com o braço quebrado, então eu fiz um milagre, porque não tinha hematoma, não tinha nada. Também falaram que ela faltava muito na escola, mas só teve duas faltas: uma no dia em que fomos ao Conselho Tutelar e a de ontem, quando infelizmente tudo aconteceu”, disse.
Ele contou ainda que acreditava que a criança estivesse com a avó no dia do crime, já que costumava passar longos períodos ao lado dela. A ausência só foi percebida quando familiares entraram em contato com a mulher, mãe do padrasto, e descobriram que a menina não havia dormido na casa dela.
O padrasto relatou temer novas intimações relacionadas ao caso e afirmou que pensa em mudar de endereço com a família. “Vou arrumar um jeito de sair dali, vou tirar minha família porque não vão nos deixar em paz”, desabafou.
Sobre a morte do suspeito, ocorrida após confronto com policiais, ele disse não sentir alívio. “A forma como ele morreu não se compara ao sofrimento que ela passou. Não há sentimento de justiça. Ela não foi a primeira vítima dele, mas não vamos esquecê-la. Minha filha era alegre, feliz, brincalhona.”
O crime
O corpo da criança foi encontrado na madrugada de quinta-feira (28), no banheiro de uma residência alugada na Avenida Joaquim Manoel de Carvalho, no bairro Vila Carvalho, em Campo Grande. A vítima estava enrolada em um cobertor, dentro de uma banheira, com sinais de estupro e estrangulamento.
A casa, onde Marcos Wilian Teixeira Timóteo morava, apresentava sinais de abandono. Cômodos revirados, quase sem móveis, paredes descascadas e improvisos para mobília mostravam um ambiente precário. No local, havia apenas papelão e uma pequena bacia em um dos quartos, além de uma panela esquecida no fogão da cozinha.
O sepultamento da menina foi marcado por forte comoção. Familiares choravam inconsoláveis, especialmente a mãe, que ficou desolada ao ver o caixão da filha ser fechado.
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