PSDB enfrenta vácuo de liderança em MS e prioriza montagem de chapas

A sigla adia decisão sobre presidência enquanto corre contra o tempo - Foto: Carlos Ribeiro
A sigla adia decisão sobre presidência enquanto corre contra o tempo - Foto: Carlos Ribeiro

Caravina diz que partido se recompõe, mira chapas fortes e aguarda definição nacional de liderança

Após a saída de importantes lideranças, o PSDB de Mato Grosso do Sul passa por um processo de reorganização interna. Entre as baixas recentes estão o deputado federal Beto Pereira, que presidia o partido no Estado e se filiou ao Republicanos, o deputado federal Dagoberto Nogueira, que migrou para o PP (Partido Progressista), e o deputado federal Geraldo Resende, que foi para o União Brasil. Ao mesmo tempo, a legenda ganhou dois novos nomes, o do ex-secretário da Casa Civil, Eduardo Rocha e do deputado estadual Paulo Duarte, que deixou o PSB que é presidido agora por Ricardo Ayache.

Em seu ato de filiação na quarta-feira (1°), Paulo Duarte relembrou o convite feito por Lia Nogueira e Caravina e articulação de Reinaldo Azambuja (PL) e do governador Eduardo Riedel para que ele fosse ao PSDB, antido partido do mandatário. “Deve haver algumas alterações na presidência do partido, vou primeiro ouvir. O PSDB independentemente da saida dos federais, terá chapa, Bia Cavassa é uma das que estão confirmadas, Prof. Juari, Mara Caseiro. Teremos uma chapa muito competitiva”.

No mesmo evento, Eduardo Riedel destacou que esse ano serão metade dos candidatos. “Porque estamos em plena transição da reforma política, por isso menos partidos, menos candidatos, e isso é bom para o Brasil, não da pra conviver mais com 35 partidos. Agora é arte agora de conseguir conciliar pensamentos e ideologias em torno de agremiações partidárias que vão caminhar juntas, e o Mato Grosso do Sul tem um grupo político do qual os integrantes do PSDB e outros membros fazem parte”.

Liderança
Sobre a liderança estadual do partido, Caravina explicou que a definição ainda depende da executiva nacional. Ele afirmou que já manteve diálogo com o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do PSDB, e que o momento é de articulação interna. “Essa definição está a cargo da executiva nacional. Estamos com muita tranquilidade em relação a isso. Já conversei com o presidente Aécio e articulei uma reunião dele com vereadores da Capital que também devem disputar vagas, tanto para deputado estadual quanto federal”, afirmou.

Segundo o parlamentar, a discussão sobre o comando do partido não é prioridade neste momento. “A questão da liderança foi deixada para depois. A prioridade agora é fechar a chapa até sexta-feira, dentro do prazo da janela partidária”, completou.

Questionado sobre a possibilidade de assumir o comando, ele se colocou à disposição: “Se o partido entender que sou o nome para dar sequência nesse trabalho, estou à disposição”.

Apesar das mudanças, o deputado estadual Pedro Caravina afirma que o partido segue ativo e em reconstrução. “O PSDB está reconstruindo a sua história. A gente sabia que, depois dessas mudanças partidárias, os partidos teriam novas composições”, destacou. Segundo ele, mesmo com a saída de nomes de peso, a sigla mantém uma base relevante. “De um lado, há a saída de três deputados, mas também a permanência de três deputados de mandato já confirmados”, pontuou.

Caravina também ressaltou a chegada de novos nomes ao partido, como o ex-deputado Eduardo Rocha e a filiação de outras lideranças. “Fora um grande número de vereadores que estão no partido e que vão disputar. Então, é uma chapa estadual competitiva, com chances reais de fazer até quatro deputados estaduais”, afirmou.

No cenário federal, o deputado reconhece os desafios, mas mantém otimismo. “Mesmo sem os federais de mandato, é uma chapa que tem condições de eleger um deputado federal”, disse.

A possível filiação de novas lideranças também é vista como um fator positivo para o fortalecimento da sigla. “O Paulo Duarte é um grande parlamentar. Ele vem para somar, então o partido cresce ainda mais”, avaliou.

No interior do Estado, novas movimentações também impactam o cenário do partido. Em Corumbá, município localizado a 427 quilômetros da Capital, a vice-prefeita do município deixou o comando da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania, pasta que ocupava desde o início da gestão do prefeito Dr. Gabriel Alves de Oliveira, em janeiro de 2025. A medida foi publicada no Diário Oficial do Município na terça-feira (31). A saída foi classificada como uma decisão pessoal, mas alinhada politicamente.

Bia destacou estar à disposição da sigla como pré-candidata a deputada federal. “Hoje, afasto-me do cargo de secretária municipal de Assistência Social e Cidadania por uma decisão pessoal, pensada de forma coletiva. Como vice-prefeita, continuo trabalhando por Corumbá e servindo à população corumbaense, além de permanecer à disposição do meu grupo político, apta a somar na construção de uma futura chapa competitiva”, declerou ao Jornal O Estado.

A movimentação integra o conjunto de articulações que antecedem a formação das chapas e reforça o cenário de reorganização partidária em Mato Grosso do Sul.

Mesmo diante das mudanças, Caravina defende que o PSDB mantém sua relevância histórica e política. “Posso dizer que o partido ressurge com força no Estado, uma força que vem do seu próprio DNA”, concluiu.

Por Danielly Carvalho, Sarah Chaves e Lucas Artur

 

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