Grupo Especial encerra primeira noite de desfiles na Sapucaí com homenagens, críticas políticas e polêmicas

Estação Primeira de Mangueira foi a última a desfilar no primeiro dia do Grupo Especial do Rio - Foto: divulgação/RioCarnaval
Estação Primeira de Mangueira foi a última a desfilar no primeiro dia do Grupo Especial do Rio - Foto: divulgação/RioCarnaval

O primeiro dia de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro terminou na manhã desta segunda-feira (16), após uma noite marcada por enredos históricos, culturais e políticos que emocionaram o público presente na Marquês de Sapucaí. Quatro agremiações passaram pela avenida e encerraram o cortejo iniciado na noite de domingo (15).

Abrindo a noite, a Acadêmicos de Niterói, atual campeã da Série Ouro, apresentou o enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”. A escola contou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde o nascimento em Garanhuns (PE), simbolizado pelo mulungu, árvore típica da região, até sua ascensão política.

Acadêmicos de Niterói – Foto: divulgação/RioCarnaval

Na sequência, a Imperatriz Leopoldinense levou à avenida o enredo “Camaleônico”, uma homenagem ao cantor Ney Matogrosso, destacando sua versatilidade artística e sua importância para a música e a cultura brasileira.

A Portela apresentou “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”. O desfile foi um mergulho na cultura afro-gaúcha, ressaltando a religiosidade de matriz africana no Rio Grande do Sul, estado que concentra o maior número de adeptos da umbanda e do candomblé no país.

Encerrando a primeira noite, a Estação Primeira de Mangueira levou à Sapucaí o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”. A verde e rosa contou a história de Mestre Sacaca, referência dos saberes afro-indígenas no Amapá, conhecido como o “Doutor da Floresta”.

Alegoria gera reação de Michelle Bolsonaro

O desfile da Acadêmicos de Niterói também provocou repercussão política. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou uma alegoria que retratava um palhaço preso com tornozeleira eletrônica danificada, representação do ex-presidente Jair Bolsonaro, em referência a investigações e acusações relacionadas a tentativa de golpe de Estado.

Em publicação nas redes sociais, Michelle escreveu: “Só pra registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião”. A escola exaltou feitos do governo Lula ao longo do desfile.

Foto: reprodução/redes sociais

Janja desiste de desfilar após alerta do TSE

Convidada a participar do desfile da Acadêmicos de Niterói, a primeira-dama Janja da Silva desistiu de desfilar de última hora. A decisão foi influenciada por alertas da ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE.

Embora o TSE tenha autorizado o desfile por entender que se tratava de manifestação artística sem base jurídica para repressão, a ministra alertou que não haveria “salvo-conduto” para participantes e que o enredo poderia gerar questionamentos futuros. Diante do cenário, Janja optou por não desfilar no carro que encerrava a apresentação e foi substituída pela cantora Fafá de Belém.

A primeira noite do Grupo Especial mostrou que o Carnaval de 2026 segue reafirmando seu papel como espaço de arte, identidade cultural e debate político, levando para a avenida temas que extrapolam a festa e repercutem em todo o país.

 

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