No início da semana, segunda-feira (14), o Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul) publicou uma nota de repúdio a respeito dos últimos acontecimentos envolvendo a Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande. No texto, o Sindicato cita a prisão da diretora-presidente do hospital e a investigação, no âmbito da Operação Antidotum, que apura desvios de cerca de R$ 4,9 milhões na única unidade credenciada pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para cirurgias cardíacas pediátricas no Estado.
“O Sinmed-MS recebe essas revelações com espanto, mas não com surpresa”, afirma a entidade, que também diz que práticas antissindicais são método da gestão da Santa Casa. “Em dezembro de 2025, a administração expediu ofícios e comunicados operacionalizando uma paralisação que a categoria jamais deliberou, com antecedência de poucas horas em relação à assembleia convocada pelo Sindicato”, escreve. O Sinmed-MS acusa um servidor da Santa Casa de estar infiltrado na reunião e ter gravado as decisões para repassar à diretoria do hospital.
Na nota, o Sindicato também defende que a Santa Casa, até hoje, não cumpriu o reajuste da categoria médica, oficializado em norma desde outubro de 2025. “Enquanto vigiava seus médicos, a administração da Santa Casa não negociava. […] Para a data-base de 1º de outubro de 2026, o Sindicato protocolou o Ofício nº 080/2026 em 24 de julho de 2026, convocando a instalação da mesa de negociação do ACT 2026/2027, e, diante do silêncio, a Notificação Extrajudicial nº 098/2026 em 21 de agosto de 2026, com prazo de cinco dias úteis, vencido em 28 de agosto. Nenhuma resposta veio”.
O Sinmed-MS afirma que, somente no dia 11 de setembro de 2026, data em que a diretora-presidente foi presa, recebeu um ofício expedido pela Santa Casa, designando a primeira reunião de negociação para o dia 17 deste mês. O ofício já estava assinado por um presidente em exercício. “O Sinmed-MS comparecerá à reunião de 17 de setembro, como sempre compareceu, com sua pauta aprovada em assembleia e disposição de negociar. Mas não confundirá a designação tardia de uma reunião com boa-fé negocial, nem suspenderá as medidas autorizadas pela categoria”.
O Sindicato afirma ainda que os episódios recentes envolvendo a Santa Casa serão levados às ações coletivas em curso, como fatos supervenientes, para reforçar o que o Sinmed-MS sustenta desde dezembro de 2025: que o déficit alegado pelo hospital seria resultado de gestão e que a resposta da Justiça não deveria se limitar a uma condenação pontual. A entidade diz que vai reiterar os pedidos de acesso integral às demonstrações financeiras, aos contratos e à planilha de repasses públicos, além da supervisão judicial da aplicação dos recursos, com participação do Sindicato. Segundo o Sinmed-MS, a medida busca dar transparência aos valores repassados pela União, pelo Estado e pelo Município à Santa Casa, recursos que, conforme a entidade, pertencem à população usuária do SUS e devem ser destinados à assistência e aos profissionais que atuam no atendimento.
Aos médicos da Santa Casa, o Sindicato afirma que a categoria trabalhou durante todo o ano sem faltar a um plantão, mesmo com salários e 13º salário em atraso. “Não é a categoria que precisa ser vigiada”, afirma o Sinmed-MS. A entidade também diz que seguirá ao lado dos médicos representados, “com a serenidade de quem nada tem a esconder e a firmeza de quem não aceita intimidação”.
Por Maria Gabriela Arcanjo