O Carnaval de 2026 terminou sob um sol escaldante em Mato Grosso do Sul, que se consolidou como a região mais quente do Brasil durante a festividade. Segundo dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), o Estado liderou o ranking nacional de temperaturas máximas por dias consecutivos, aproximando-se da marca dos 40°C em diversas cidades do interior.
Na última segunda-feira (16), Três Lagoas registrou 38,5°C, seguida de perto por Água Clara (38,2°C). O pico do calor, no entanto, ocorreu na terça-feira (17), quando Itaporã e Maracaju atingiram impressionantes 38,9°C. Cidades como Fátima do Sul, Nova Andradina e Paranaíba também figuraram no topo da lista nacional, superando capitais tradicionalmente quentes, como o Rio de Janeiro.
Riscos além da insolação

Segundo Henrique, hidratação e
roupas leves são fundamentais
para prevenir infecções – Foto: Divulgação
Se para os foliões o calor exigiu fôlego extra, para quem trabalhou sob o sol ou em ambientes fechados, o clima extremo tornou-se um risco biológico. Nessa categoria, profissionais como pedreiros, garis, motoristas e entregadores estão na linha de frente da vulnerabilidade. Segundo o urologista Dr. Henrique Coelho, referência em saúde do homem no Estado, as altas temperaturas criam o ambiente ideal para a proliferação de fungos e bactérias, transformando o “suor do ofício” em um problema de saúde pública.
“No calor, a umidade constante e o abafamento formam a combinação perfeita para irritações, alergias e infecções. Profissionais que passam o dia expostos ou dentro de veículos acabam permanecendo horas com a roupa suada, o que favorece a proliferação de microrganismos”, explica o especialista.
Entre os quadros mais frequentes estão a candidíase (comum em mulheres), a tinea cruris (infecção fúngica que causa coceira e vermelhidão na virilha), inflamações na glande, além de assaduras e dermatites provocadas pelo abafamento. O médico ressalta que o problema reside na permanência prolongada com roupas úmidas e apertadas: “Muitos trabalhadores não têm estrutura para trocar de roupa durante o expediente, mantendo a região íntima abafada por horas”.
O perigo da baixa hidratação
Para profissionais que passam o dia sentados, como caminhoneiros e operadores de máquinas, há um risco adicional: a baixa ingestão de água. “Muitos reduzem o consumo de líquidos para evitar idas frequentes ao banheiro, e o resultado pode ser perigoso”, completa o médico.
A desidratação, somada ao suor excessivo, reduz o volume urinário e dificulta a eliminação natural de bactérias. Como consequência, aumenta o risco de infecção urinária, cujos sintomas incluem vontade frequente de urinar, ardência e urina com odor forte. “A hidratação ao longo do dia é essencial para prevenir quadros que podem evoluir para situações mais graves”, alerta o Dr. Henrique.
O urologista reforça orientações práticas, especialmente para os homens: preferir roupas íntimas de algodão, optar por vestimentas leves, aumentar a ingestão de água e redobrar a higienização. “No verão, a prevenção começa com hábitos simples. Hidratação, higiene e roupas apropriadas reduzem drasticamente o risco de infecções”, conclui.
Por Michelly Perez
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