Dengue: sem plano de vacinação e de contigência, Capital apenas monitora casos

Foto: Os casos prováveis
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confirmados e ignorados/Marcos Maluf
Foto: Os casos prováveis englobam os casos em investigação, casos confirmados e ignorados/Marcos Maluf

Com risco de epidemia de dengue tipo 3, Sesau segue sem definição sobre início da vacinação

Começa nesta semana a distribuição de vacina contra a dengue na rede pública e Campo Grande segue sem plano de vacinação e de contingência para uma possível epidemia de dengue tipo 3. Em pelo menos, quatro Estados brasileiros, a situação de emergência já foi decretada diante do aumento de casos positivos para as arboviroses, principalmente, a dengue a e chikungunya.

Para o jornal O Estado, a Veruska Lahdo, superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), afirmou que sorotipo 3 da dengue está circulando em alguns Estados. “O risco maior é a possibilidade de epidemia, por isso a Sesau já vem intensificando seu trabalho de controle de vetores e monitorando os casos positivos na capital”, pontuou.

Conforme a superintendente, a dengue tipo 3 não circulava em Campo Grande há mais de 15 anos. Questionada sobre a data de imunização contra a dengue, Veruska Lahdo afirmou que ainda não tem nenhuma informação sobre a aplicação das doses na Capital.

Conforme a nova Secretaria Municipal de Saúde Rosana Leite, ela conhece os desafios da pasta. ” “Sabemos dos desafios que esta pasta representa, e temos como princípio fazer uma gestão igualitária que sempre irá observar as necessidades da população”.

Imunização 

Na primeira etapa do programa de imunização, o governo adquiriu 1,4 milhão de doses da vacina da Takeda para atender crianças de 10 a 14 anos, público mais atingido neste momento pela doença. Como cada paciente precisa de duas doses, serão 700 mil beneficiados nesse início de vacinação.

Em contrapartida, Dourados, cidade pioneira na imunização contra a dengue já vacinou 20.849 pessoas, só no primeiro agita Dourados foram 400 pessoas vacinadas.

A situação de emergência já foi decretada no Acre, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, além do Distrito Federal. O primeiro alerta foi publicado no dia 5 de janeiro. Cerca de 20 dias depois, foi a vez do Distrito Federal também declarar a emergência, destacando o risco de epidemia por arboviroses. Ontem (5), o Distrito Federal iniciou os atendimentos no hospital de campanha instalado na região da Ceilândia, com capacidade para 60 leitos de internação.

Na sequência foi a vez do governo de Minas Gerais, que decretou no dia 26 de janeiro a emergência no Estado. No início de fevereiro, a situação de emergência foi declarada por Goiás, no dia 2 deste mês. Além dos Estados, a cidade do Rio de Janeiro também decretou estado de emergência na saúde pública, ontem (5), na mesma situação, Oiapoque no Amapá, decretou no dia (1º).

Falta de inseticidas desde 2020

A Capital está sem os inseticidas desde 2020, quando os repasses do Ministério da Saúde ficaram limitados. O professor destaca também que o produto ajudava no combate ao mosquito, mas era muito prejudicial ao meio ambiente.

“O fumacê é excelente para matar o Aedes aegypti, para matar a abelha, passarinho pequeno, pequenos animais, lagarta e para estimular alergia pulmonar em crianças, eles são pra tudo. Isso não resolve, né? Tem 40 anos que a gente usa francês. As atividades têm que ser desenvolvidas antes se tiver uma situação de colapso de risco”, destacou.

Ao jornal O Estado, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) que “está em contato constante com a secretaria estadual, uma vez que a solicitação do inseticida é feita à pasta, que encaminha ao Ministério da Saúde, desta forma, conforme se observa o aumento no número de notificações, a quantidade de inseticida solicitado também é crescente”. (colaborou Kamila Alcântara e Inez Nazira)

Problema comportamental

Os casos de pessoas em situação grave por arboviroses, doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, voltam a ser destaque nacional, com recorde de internação no Rio de Janeiro e hospital de campanha do Distrito Federal. No Mato Grosso do Sul, os casos de Chikungunya de janeiro, já superaram os do mesmo período do ano passado e especialistas alertam sobre a responsabilidade dos cidadãos e do Poder Público.

De acordo com o último boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado de Saúde), foram 445 casos de chikungunya registrados nas primeiras semanas de 2024, o que representa um aumento de 772% se comparado ao mesmo período do ano passado. Já a dengue, são 191 casos confirmados e 1,4 mil em investigação, o que representa queda nos índices quando é levado em consideração os números de janeiro de 2023.

Para a WMP (World Mosquito Program) Brasil, iniciativa que trouxe o projeto da Wolbachia para Campo Grande em 2020 com investimento do Governo Federal, mostrou que esses resultados, já podem ser observados nos mosquitos vetores soltos na natureza, mas a realidade só poderá ser visualizada em dois anos.

É importante destacar, para quem não se lembra, que Wolbachia é uma bactéria presente em cerca de 60% dos insetos, inclusive em alguns mosquitos. No entanto, não é encontrada naturalmente no Aedes aegypti.

As liberações dos mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia foram concluídas em dezembro de 2023. O monitoramento epidemiológico está em andamento e a expectativa é que os resultados comecem a ser observados dois anos após o término das liberações de mosquitos”, escreveu a instituição para O Estado.

“Os dados da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) ainda mostram que, em janeiro do ano passado, a capital de MS teve 1.233 casos notificados, o que representa uma diminuição de 69,5% ante os números deste ano. Parte da explicação para essa redução é direcionada ao projeto Wolbachia, que começou a ser implementado na Capital em dezembro de 2020”, continuou.

O médico infectologista Rivaldo Venâncio, professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) que atua na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), diz que o Mato Grosso do Sul ainda não está em situação de alerta quando os dados do boletim epidemiológico são levados em conta, porém, o preocupante é que ainda é preciso lembrar o papel da população no combate.

Por Thays Schneider.

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