Planos apostam em regionalização, ampliação do SUS, saúde digital e redução de filas, com diferentes estratégias
A saúde pública aparece como um dos principais temas dos planos de governo apresentados pelos candidatos ao Executivo de Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026. Entre as propostas estão a descentralização dos atendimentos, ampliação da rede hospitalar, redução de filas, contratação e fixação de profissionais no interior, uso de tecnologia e mudanças na forma de gestão dos serviços.
As estratégias, no entanto, variam de acordo com cada candidatura. Enquanto alguns programas apresentam metas, indicadores e estimativas de custos, outros concentram as propostas em diretrizes mais gerais para o setor.
Eduardo Riedel (PP)
O plano do atual governador Eduardo Riedel concentra a política de saúde na consolidação da regionalização da rede estadual. A proposta parte da avaliação de que o Estado iniciou, nos últimos anos, uma reorganização da assistência baseada na integração dos serviços, no fortalecimento da média e alta complexidade e no aprimoramento da regulação.
Entre as medidas previstas está a implantação e operacionalização do Hospital Regional do Pantanal, além do fortalecimento dos hospitais de média complexidade como estruturas de referência para as diferentes regiões.
O projeto também prevê um modelo integrado de regulação estadual em articulação com os municípios, com o objetivo de ampliar o acesso a consultas, exames e procedimentos especializados.
Outra frente é a expansão da saúde digital, incluindo diferentes modalidades de atendimento e ferramentas tecnológicas em todas as regiões do Estado. O documento também propõe integrar dados e informações para auxiliar o planejamento e a gestão da saúde.
Na área de vigilância, a candidatura prevê o fortalecimento das ações epidemiológicas, sanitárias e ambientais, além do aprimoramento da capacidade estadual de resposta a emergências de saúde pública.
Fábio Trad (PT)
O plano de Fábio Trad parte de um diagnóstico de concentração dos serviços especializados em Campo Grande. Segundo o documento, essa centralização contribui para a superlotação dos hospitais da Capital e para o deslocamento de pacientes de outras regiões em busca de consultas, exames e procedimentos.
A principal proposta é reorganizar a rede de assistência, desde a atenção básica até os hospitais de grande porte, com defesa de uma estrutura pública mais regionalizada. O candidato também propõe que o Estado retome a gestão própria de hospitais regionais atualmente administrados por entidades privadas.
O plano prevê o fortalecimento dos hospitais regionais de Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã, Nova Andradina e Coxim, com ampliação dos atendimentos de média e alta complexidade.
Também estão previstas novas estruturas hospitalares em Corumbá, Naviraí e Jardim, além da criação de centros regionais de exames e especialidades. A proposta inclui ainda a ampliação da hemodiálise em cidades-polo, centros de referência para áreas como fisioterapia, terapia ocupacional, atendimento a pessoas com autismo e saúde da mulher.
Para atender populações rurais, indígenas, ribeirinhas e de regiões de fronteira, o plano propõe unidades móveis de saúde.
Na política de pessoal, Trad propõe a criação da Carreira Estadual do SUS-MS e de uma Gratificação de Interiorização da Saúde. A intenção declarada é reduzir a rotatividade e estimular a permanência de profissionais especializados em regiões onde há dificuldade de contratação.
O plano também estabelece uma posição crítica em relação à utilização de organizações privadas e parcerias público-privadas na administração da saúde estadual, defendendo maior participação direta do poder público.
Jeferson Bezerra (Agir)
A proposta de Jeferson Bezerra para a saúde é apresentada de forma mais enxuta. O candidato defende a regionalização da rede hospitalar como estratégia para reduzir a concentração dos atendimentos em Campo Grande.
Outra medida prevista é a ampliação do uso da telemedicina. A proposta é utilizar a tecnologia como instrumento para diminuir a necessidade de deslocamento de pacientes do interior para a Capital.
Lucien Rezende (PSOL)
O plano de Lucien Rezende coloca o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde) como eixo central da política estadual. O documento apresenta a saúde como direito fundamental e prevê aumento dos investimentos públicos no setor.
Uma das propostas é ampliar o programa Mais Médicos para regiões afastadas, periferias urbanas, comunidades indígenas e municípios com dificuldade de acesso a profissionais.
O candidato também propõe o programa “Saúde em Casa”, destinado principalmente a idosos, pessoas com deficiência e pacientes com dificuldade de locomoção. A iniciativa prevê atendimento domiciliar, equipes multidisciplinares, acompanhamento, ações preventivas e estruturas móveis.
A regionalização aparece novamente entre as prioridades. O plano prevê descentralizar serviços, fortalecer hospitais regionais e ampliar unidades especializadas para reduzir deslocamentos, filas e dificuldades de acesso a exames e cirurgias.
Outro eixo é a valorização dos trabalhadores da saúde, com propostas de melhores salários, planos de carreira, melhoria das condições de trabalho, equipamentos e infraestrutura.
O documento também prevê programas permanentes de formação e capacitação dos profissionais, com cursos, especializações e atualização técnica.
Renato Gomes (DC)
O planejamento de Renato Gomes reúne 13 medidas específicas para a área da saúde. Em parte delas, também são apresentadas metas, estimativas de custos, indicadores e etapas de execução.
A proposta estabelece como prioridade reduzir filas, ampliar a média e alta complexidade no interior e criar mecanismos para fixar médicos fora da Capital.
Entre as principais medidas está a criação ou fortalecimento de hospitais regionais com atendimento 24 horas, associada a um programa de fixação de médicos por meio de bolsas e residências. O plano também prevê uma regulação com prazos e transparência para acompanhar a fila de procedimentos.
Outra proposta é um plano emergencial para reduzir a superlotação da Santa Casa de Campo Grande, incluindo a utilização de estruturas existentes no interior e investimentos em novas estruturas.
O candidato também propõe reorganizar o orçamento para colocar em funcionamento unidades de saúde existentes que estariam subutilizadas, além de normalizar as UPAs em parceria com os municípios.
Na área financeira, o plano prevê elevar progressivamente a aplicação de recursos estaduais em saúde, saindo de aproximadamente 12% para uma faixa entre 18% e 20% do orçamento ao final de quatro anos.
Gomes também propõe auditorias na Cassems e em contratos de PPPs e organizações sociais ligados à saúde. Outra diretriz é realizar auditoria da demanda e ouvir a população antes de decidir por novos modelos de gestão, terceirização ou privatização.
Entre as demais propostas estão uma força estadual permanente contra arboviroses, regulação transparente de filas de cirurgias, alimentação escolar com produtos produzidos em Mato Grosso do Sul e a utilização de patrimônio público próprio para reduzir a dependência de aluguéis na área da saúde.
O documento apresenta ainda metas relacionadas à cobertura da atenção básica, número de leitos e indicadores de atendimento, além de estimativas de investimento e custeio para determinadas ações.
Candidaturas sem propostas apresentadas
Até o momento, João Henrique Catan (NOVO), Delcídio do Amaral (PRD) e Daniel Lemes (PCO) ainda não divulgaram seus planos de governo. Por isso, as propostas dos três não entram nesta comparação.
Por Danielly Carvalho