O julgamento para o pedido de HC (habeas corpus) do ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) foi adiado para o dia 20 de agosto. O ex-parlamentar encontra-se em prisão preventiva após investigações da Operação Successione e ainda conta com um pedido de habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Um dos representantes do ex-parlamentar, o advogado Ricardo Pereira, conversou com o Jornal O Estado e confirmou que o recurso será para e pedido de liberdade ante o decreto de prisão expelido pelo juiz da 4ª Vara de Justiça, José Henrique Káster Franco. Razuk encontra-se no Centro de Triagem Anísio Lima, após ser preso na Bolívia no domingo (2).
O ex-parlamentar chegou ao Brasil na segunda-feira (3), após ingressar na Bolívia no dia 1º e, segundo a defesa, entrou no país “em momento anterior à expedição do mandado de prisão, e somente tomou conhecimento da decretação de sua prisão por meio das notícias veiculadas pela imprensa”.
O ex-deputado era considerado foragido desde 8 de julho, quando teve a prisão preventiva decretada após perder o mandato parlamentar. Na época, os advogados que representam o réu esclareceram que a ausência de apresentação imediata decorreu da existência de recursos ainda pendentes de julgamento perante a Justiça Eleitoral.
Após o indeferimento desses recursos e do habeas corpus liminar, o ex-deputado “decidiu cumprir espontaneamente a ordem judicial, manifestando formalmente, nos autos, sua intenção de se apresentar às autoridades competentes”.
Razuk foi condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias por organização criminosa, roubo majorado e exploração do jogo do bicho. Os advogados afirmam que adotarão medidas para “demonstrar a inexistência dos requisitos que justifiquem a manutenção da prisão preventiva”.
Antes da prisão, Neno estava próximo de ser incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal). No dia 28 de julho, a Justiça de Mato Grosso do Sul autorizou o pedido de inclusão do nome dele na lista de procurados, mas o procedimento ainda não havia sido concluído quando ele foi localizado pelos bolivianos.
Operação Successione
Neno Razuk é investigado desde dezembro de 2023 na Operação Successione, conduzida pelo Gaeco, que apura a atuação de uma organização criminosa ligada à exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. A investigação envolve suspeitas de crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, roubos e contravenção penal relacionada à exploração de jogos de azar.
Além do ex-deputado, outros integrantes da família Razuk também foram alvos da Operação Successione. O pai dele, Roberto Razuk, apontado pelo Ministério Público como um dos responsáveis pela exploração do jogo do bicho na região sul do Estado, cumpre prisão domiciliar. Já os irmãos Rafael e Jorge Razuk também foram investigados na operação e permanecem presos.
Por Lucas Artur