“Não acredito que acontecerá!”, diz suplente sobre pedido de suspensão de Marcos Pollon

Luana Ruiz é a suplente do PL a Câmara Federal e ocuparia o lugar do deputado em caso de afastamento - Foto: Divulgação/Sarah Chaves
Luana Ruiz é a suplente do PL a Câmara Federal e ocuparia o lugar do deputado em caso de afastamento - Foto: Divulgação/Sarah Chaves

O relator do processo envolvendo o parlamentar Sul-mato-grossense recomendou a punição

“Não considero esse processo crível, justo ou democrático”, é o que opina Luana Ruiz (PL), pré-candidata a deputada federal e suplente do deputado federal Marcos Pollon (PL). O parlamentar corre risco de ser suspenso do cargo por dois meses, após recomendação feita nesta semana pelo relator e deputado federal Moses Rodrigues (União-CE).

Perguntada sobre possibilidade de Pollon ser suspenso acredita que há a chance, mas que não crê que seja provável. “Não acredito que acontecerá!”. “Defendo a liberdade e autonomia dos Parlamentares democraticamente eleitos. Quanto ao fato de eu ser suplente, são duas coisas que não se misturam. Uma é minha análise sobre o processo. Outra é o cumprimento da lei e da ordem democrática. São planos diferentes“, complementa a suplente em entrevista ao Jornal O Estado.

Sobre a possibilidade de assumir ao cargo caso Pollon sofra a sanção, Ruiz afirma que só tomará a posse após diálogo com o PL, sua equipe e com o deputado.

O relator do processo envolvendo o parlamentar sul-mato-grossense recomendou a punição após caso envolvendo a obstrução da Mesa Diretora, como forma de protesto. Além dele, outros dois que estavam envolvidos podem sofrer da punição.

O relator alega que a “Casa deve impor reprimenda severa, para que fique claro que este Parlamento não tolera o cometimento de infrações dessa natureza”. “Não se pode admitir que um grupo de parlamentares, qualquer que seja sua ideologia política, tente impor a pauta de seu interesse mediante chantagem pela ocupação física dos espaços de deliberação”, acrescentou.

Para Pollon, o processo se trata de perseguição política e sustenta que a atuação esteve dentro dos limites da atividade parlamentar. “Isso não é sobre ética, é sobre calar quem denuncia e luta contra injustiças. Estão tentando punir um parlamentar que teve coragem de defender brasileiros que hoje são vítimas de perseguição dentro do próprio país”, afirmou em nota.

Ainda complementa dizendo que continuará defendendo as pautas que o fizeram ocupar o plenário. “Se defender inocentes virou motivo para suspensão de mandato, então o problema não está em mim, está no sistema. Eu não vou me curvar. Vou continuar defendendo a anistia, lutando pelos inocentes que seguem na cadeia e denunciando esses abusos até o fim”.

A votação do parecer está prevista para a próxima terça-feira (5/05) e, tendo a maioria votado para a suspensão, o deputado ainda poderá recorrer a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Caso a comissão mantenha a decisão, o plenário ainda votará pela penalidade, podendo demorar meses até que se tenha uma definição concreta.

Relembre o caso

Na madrugada de 5 para 6 de agosto de 2025, os três deputados, aliados a outros parlamentares, realizaram um motim na Câmara Federal em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de estado. Ainda demandaram o impeachment do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e a anistia aos condenados aos ataques de 8 de janeiro.

A confusão se iniciou após Hugo Motta, então presidente da Câmara, tentar retornar aos trabalhos. O protesto impossibilitou o trabalho dos outros deputados e impediu que fossem realizadas as sessões. O grupo tentou impor a análise de um pacote que garantisse a anistia aos condenados que havia sido paralisado na Câmara por Hugo Motta.

A ação durou cerca de 30 horas e os parlamentares, a maioria pertencendo ao PL e a aliados, ocuparam a cadeira do presidente da Casa. Situação foi revertida após negociações e a ameaça de suspensão de mandatos para quem estivesse envolvido. Ação é investigada por quebra de decoro parlamentar.

Pollon também é acusado de proferir ofensas de caráter pessoal contra Motta durante a ocupação do Plenário. O relatório apresentado pelo deputado federal Ricardo Maia (MDB-BA) aconselha a suspensão do deputado por 90 dias.

Por Lucas Artur

 

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