O levantamento reúne dados de 15 operações que atingiram prefeituras e câmaras municipais
Entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), deflagrou uma série de operações que desarticularam esquemas criminosos em prefeituras e câmaras municipais. O levantamento do Jornal O Estado aponta que mais de R$ 130 milhões em contratos públicos estão sob suspeita de fraude, superfaturamento, direcionamento licitatório e pagamento de propina no Estado. Não significam, necessariamente, que todo esse valor já seja prejuízo confirmado, mas sim o total de contratos e recursos que já apresentam indícios de dano aos cofres públicos.
A maior montante individual foi na Operação Apagar das Luzes, realizada em Campo Grande. A investigação apontou superfaturamento superior a R$ 62 milhões em contratos de manutenção da iluminação pública da Capital. Segundo o MP, as fraudes envolveram vícios em processos licitatórios, indícios de sobrepreço e possíveis ajustes prévios entre empresas e agentes públicos, atingindo contratos firmados em 2024 e ainda em execução.
No interior, Sidrolândia aparece como um dos municípios com maior impacto financeiro e recorrência de operações. A Operação Tromper, que apesar de ter a primeira fase deflagrada em maio de 2023 resultou, em agosto de 2025 resultou na condenação de sete envolvidos em um esquema que movimentou mais de R$ 20 milhões em contratos relacionados a limpeza urbana, poda de árvores e fornecimento de materiais. Já a Operação Dirty Pix de novembro de 2025 apurou o desvio de R$ 5,4 milhões destinados à compra de equipamentos hospitalares, com parte dos recursos sendo repassada por meio de transferências bancárias instantâneas a agentes envolvidos no esquema.
Terenos também se consolidou como foco recorrente de deflagrações. A Operação Spotless em 9 de setembro de 2025 revelou contratos que, apenas no último ano investigado, ultrapassaram R$ 15 milhões, com fraudes estruturadas para direcionar licitações. Em janeiro de 2026, as operações Operação Collusion e Operação Simulatum ampliaram o cerco sobre contratos gráficos, publicidade e locação de equipamentos, indicando reiteração de práticas como simulação de concorrência e conluio entre empresas.
Em Água Clara e Rochedo, a Operação Malebolge deflagrada em fevereiro de 2025 identificou contratos que ultrapassam R$ 10 milhões, com direcionamento de certames e pagamento de vantagens indevidas a servidores. Em Miranda, a Operação Copertura apontou fraudes sistemáticas em licitações de produtos variados, desde materiais de construção até kits escolares.
Outras cidades também registraram valores expressivos. Em Bonito, a Operação Águas Turvas apurou R$ 4,39 milhões em contratos de obras e engenharia sob suspeita em outubro de 2025. Em Nioaque as equipes realizaram a operação em julho de 2025, a Operação Auditus estimou dano superior a R$ 3 milhões na contratação de serviços médicos. Já em Coxim, a Operação Lucro Certo identificou pagamento de mais de R$ 1,5 milhão sem a correspondente prestação de serviço em 12 de fevereiro de 2026.
Embora algumas operações, como a Operação Fake Cloud que abrangeu Campo Grande, Corumbá e Itaporã, a Operação Backstage (Três Lagoas e Dourados) e a Operação Grilagem de Papel (Coxim), não tenham divulgado valores consolidados até o momento, os dados já revelados permitem dimensionar a escala financeira dos esquemas investigados, com padrões repetidos, organizações estruturadas, divisão de tarefas, servidores cooptados, editais moldados para restringir concorrência, empresas de fachada e contratos direcionados. Em muitos casos, os serviços eram atestados sem execução e pagamentos eram acelerados.
Cidades como Terenos, Sidrolândia, Coxim e Campo Grande aparecem com maior reincidência de deflagrações no período. A soma dos valores revela o impacto direto sobre serviços públicos essenciais de iluminação, saúde, obras, limpeza urbana e fornecimento de materiais que deveriam atender a população.
Por Sarah Chaves
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