As indefinições sobre os rumos do PSB em Mato Grosso do Sul devem começar a ser resolvidas nas próximas semanas. Lideranças estaduais e municipais da sigla articulam uma reunião em Brasília com o presidente nacional do partido, João Campos, prevista para ocorrer entre o fim de fevereiro e o início de março.
O deputado estadual e presidente do PSB no Estado, Paulo Duarte, confirmou que a viagem está sendo organizada em conjunto com o vereador Carlão, presidente municipal da sigla. Segundo ele, apesar do encontro já estar alinhado, ainda não há definição sobre a autonomia do diretório estadual para decidir os rumos da legenda nas próximas eleições.
“A tendência é que o PSB não tenha chapa e que não apoie o governador Eduardo Riedel. Por isso, a minha saída é muito provável”, afirmou o parlamentar. Duarte também disse que, por enquanto, não tem nova sigla definida, mas reforçou que a desfiliação é “bem provável”.
No âmbito municipal, o presidente do diretório em Campo Grande, vereador Carlão, reforçou que a ida a Brasília é prioridade. Ele admite que há movimentações de bastidores envolvendo lideranças de outros partidos interessadas em interferir na presidência da legenda em Mato Grosso do Sul.
“Tem comentário de que querem passar o PSB para outro grupo. Tem gente do PT e de outros partidos pedindo a presidência estadual. Só que a gente quer mostrar para o presidente nacional que o partido tem que ficar conosco”, declarou Carlão.
Segundo ele, caso Paulo Duarte deixe o comando, a defesa é de que a sucessão seja feita por alguém com trajetória consolidada dentro da própria sigla. “Se o Paulo sair, a legenda nossa é fraca para reeleger ele. Então a gente volta o partido para outro membro que já está há tempo no PSB. Não é entregar o PSB para alguém de outros partidos. Colocam um figurante, acaba a eleição, e abandonam o partido”.
Nomes colocados na mesa
O vereador confirmou que pelo menos três nomes estão sendo discutidos para eventual substituição no comando estadual. Entre os citados estão Ricardo Ayache, Lauro Davi (ex-deputado estadual, eleito em 2010) e outros quadros históricos, incluindo lideranças de Dourados e membros antigos da legenda.
“Nós vamos levar uns três nomes. Tem que chegar lá com currículo na mão, esse aqui já foi deputado, esse aqui já tem história no partido. A gente precisa mostrar que são pessoas orgânicas do PSB”, explicou.
Carlão deixou claro que o futuro eleitoral do PSB em Mato Grosso do Sul depende diretamente da decisão que será tomada pela direção nacional. Caso o diretório estadual tenha autonomia para conduzir as articulações locais, a estratégia é lançar chapa própria para deputado federal e estadual.
Por outro lado, ele reconhece que uma eventual orientação nacional para aliança pré-definida, como uma composição com o PT, mudaria completamente o cenário.
“Se o presidente falar que no Estado tem que aliar com o PT, por exemplo, aí já sabemos o que vamos fazer ou não. Mas precisamos ouvir isso dele. Se ele deixar para nós, vamos correr atrás”, concluiu.
O Jornal O Estado tentou entrar em contato com o médico, Ricardo Ayache para uma posição sobre se assumiria novamente o comando da sigla e não obteve sucesso até o fechamento dessa reportagem.
Por Brunna Paula e Sarah Chaves
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