A advogada é especialista em Direito Agrário e defende um discurso técnico e segurança jurídica
Luana Ruiz é uma das principais referências na defesa do agronegócio e buscará se eleger deputada federal pelo PL por Mato Grosso do Sul nas Eleições 2026. No último pleito geral, foi a primeira suplente pelo PL e segunda mulher mais votada no estado e planeja representar o setor fundiário e agrário sul-mato-grossense na Câmara Federal.
Em entrevista ao Jornal O Estado, afirma que volta a corrida eleitoral para defender uma pauta e não a um cargo político. “O meu plano, o meu projeto nunca foi uma cadeira na política. O meu projeto é defender uma pauta específica que é a segurança jurídica no campo, na cidade e na sociedade brasileira. Nós não podemos mais não sabermos as consequências dos nossos próprios atos”.
Defendendo um discurso mais técnico, a pré-candidata é advogada e já atuou como secretária adjunta da Comissão Especial de Direito Agrário e Agronegócio do Conselho Federal da OAB (Ordem de Advogados do Brasil). “Eu entro na política de forma muito ordeira. Eu não entro na política para bravatas ou para gritarias no microfone, nem para cotoveladas ou chutes na canela. Eu entro na política para fazer um debate sério, técnico e coerente”.
Entende que as pautas do agronegócio estão muito divididas entre direita e esquerda e que “precisamos desnudar os debates em torno do agronegócio para além de meras ideologias”. Com um debate mais técnico e com maturidade política, seria possível produzir de forma sustentável. Acredita que exista uma política ideológica e indigenista impede certas políticas, como a exploração e extração de minérios no subsolo da Amazônia.
Para Luana, seriam essas ideologias que fazem do Brasil depender de insumos russos para garantir a riqueza da agricultura nacional, mesmo com recursos minerais próprios. “Nós podemos, sim, ter independência, autonomia, cumulada com a sustentabilidade”. Cita como exemplo o Pantanal sul-mato-grossense como exemplo de desenvolvimento sustentável. “Uma das regiões que mais tem rebanhos bovinos hoje no Mato Grosso do Sul está no Pantanal com as pastagens nativas e nós temos 80% do bioma pantaneiro preservado”.
Como advogada, avalia que o Brasil passa por uma “ditadura do judiciário”, em especial do chamado ativismo judicial. Para ela, o STF (Supremo Tribunal Federal) cria leis que deveriam ser debatidas pelo Congresso anteriormente. “O mais grave é quando o Congresso Nacional aprecia a matéria, aprova o projeto de lei e o Supremo usurpa desse poder e vai lá e desfaz aquilo que o próprio Congresso fez”.
“A primeira pauta é a anistia, indiscutivelmente. Nós não podemos conceber como normal uma mulher que pinta uma estátua com batom ser condenada a mais de uma década. Nós não podemos conceber pessoas idosas e doentes que nada fizeram, apenas estiveram de corpo presente, serem presos e morrerem na cadeia. Eu não defendo Baderna, eu não coaduno com as agressões. Se as pessoas erraram, que respondam pelos seus atos, mas que respondam pelos seus atos no rigor da lei de forma equilibrada”.
Quando concorreu pela primeira vez, em 2022, conquistou 24 mil votos, concentrados na região sul e planeja focar mais na sua imagem midiática para conquistar a cadeira no Congresso Nacional.
Luana destaca que é importante o eleitor conhecer a história de cada nome e o que os postulantes defendem, não apenas em época de eleição. “Que pauta você sangrava? Que bandeira você levantava? Isso é o que o eleitor tem que ver, não apenas o que o candidato pinta e borda, mas o que ele fazia antes de ser candidato. E isso é o que eu tenho a oferecer, história”.
Luana conta que teve convite de outros partidos, alguns até contrários a seu pensamento político, mas que aceitou o PL, que foi o partido no qual disputou em 2022, sendo o mais próximo de seu viés direitista e conservador. Conta que em 2022 ficou em 14º lugar no ranking total de candidatos sendo uma “improvável”. “Não me parece que a chapa do PL esteja pesada o suficiente para fazer com que me assuste ou que eu venha a cogitar estar em outro partido. Dia 4 vence o prazo da janela eleitoral e o PL é um partido no qual eu me sinto extremamente confortável e é um partido no qual eu me coloco em uma situação de possibilidade”.
Por Lucas Artur e Sarah Chaves