Segurança aparece com propostas sobre fronteiras, tecnologia, presídios e proteção às vítimas de Mato Grosso do Sul
Os planos apresentados pelos candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul trazem diferentes propostas para a segurança pública, com medidas voltadas ao combate ao crime organizado, proteção das fronteiras, prevenção da violência, estrutura das forças policiais e atendimento às vítimas. Nesta edição, O Jornal O Estado traz um resumo dos documentos que abordam, entre outras coisas, tecnologia, inteligência, sistema prisional e políticas sociais como instrumentos para enfrentar a criminalidade.
Eduardo Riedel (PP)
O atual governador do Estado e candidato à reeleição, Eduardo Riedel, propõe consolidar uma política de segurança baseada na maior integração entre as forças policiais, no uso de inteligência e no fortalecimento de ações preventivas. Entre as medidas previstas está a implantação do LABSEJUSP, voltado à utilização de tecnologia e análise de dados para prevenção e repressão ao crime.
O documento também prevê o reforço do combate aos crimes transfronteiriços e às organizações criminosas, além da ampliação de iniciativas de prevenção nas comunidades. Para a proteção de mulheres vítimas de violência, são citadas a expansão da rede de atendimento, o uso de tornozeleiras eletrônicas e alertas de aproximação por celular.
Outra proposta é ampliar o programa Recomeços, que oferece aluguel social e moradia equipada para mulheres vítimas de violência. O plano ainda menciona atendimento humanizado, inclusão do tema da violência contra a mulher na rede escolar e criação do Disque Violência LGBTQIAPN+.
Fábio Trad (PT)
A proposta do candidato apresenta a segurança como uma política baseada em inteligência, integração, prevenção social e presença estatal em áreas vulneráveis. Ele aponta desafios relacionados à fronteira, efetivo, estrutura policial, sistema prisional, crimes digitais e violência contra mulheres.
Entre as medidas estão bases integradas permanentes em regiões fronteiriças, reforço do DOF (Departamento de Operações de Fronteira), concursos públicos, recomposição salarial e atenção à saúde mental dos profissionais.
O plano também propõe modernizar a Polícia Civil, ampliar a perícia técnica e criar delegacias digitais. Na prevenção, aparecem ações para juventude, periferias, esporte, cultura e educação integral. Para as escolas, a proposta inclui patrulhamento, mediação de conflitos e apoio psicossocial.
No sistema prisional, Fábio Trad defende o combate à atuação de facções, inteligência penitenciária, educação, profissionalização e reinserção de egressos. O documento ainda prevê um plano de segurança rural e um centro estadual voltado ao combate aos crimes cibernéticos.
Jeferson Bezerra (Agir)
O plano de Jeferson Bezerra apresenta, na área de segurança pública, uma proposta centrada na integração das forças e no uso de tecnologia. O documento também prevê ampliar a presença das estruturas de segurança no interior do Estado.
A proposta aparece de forma mais resumida no documento analisado pela reportagem, sem detalhamento de metas, custos ou programas específicos para a área.
Lucien Rezende (PSOL)
Lucien Rezende defende uma mudança estrutural na política de segurança, com prioridade para inteligência, prevenção e respeito aos direitos humanos. O plano questiona um modelo concentrado exclusivamente na repressão e propõe ações contra o crime organizado por meio de investigação, integração entre forças e cooperação com órgãos federais e internacionais nas áreas de fronteira.
O candidato também cita investimentos em tecnologia, formação profissional e políticas de saúde mental para os agentes. Na prevenção, o documento relaciona segurança a educação, esporte, cultura, emprego e assistência social nas periferias.
Entre os demais pontos estão medidas contra a violência doméstica e o feminicídio, proteção às populações indígenas e enfrentamento ao racismo estrutural nas abordagens policiais e no sistema de Justiça.
Renato Gomes (DC)
Na segurança pública, Renato Gomes defende o fortalecimento do efetivo e o reforço da atuação nas áreas de fronteira, aliados ao uso de inteligência para ampliar o combate às organizações criminosas. O plano prevê novos concursos, priorizando áreas fronteiriças, além de câmeras, leitura de placas, integração de dados entre as forças e uso de inteligência artificial.
Uma das propostas é criar uma central integrada de inteligência para cruzar informações tributárias e criminais e rastrear recursos ligados ao crime. O documento também prevê bases do DOF em Ponta Porã e Corumbá.
Na prevenção, Gomes propõe escolas em tempo integral, esporte e cultura em regiões consideradas de risco. Também defende valorização de cabos e soldados, recomposição do efetivo e regularização de promoções.
Para o sistema prisional, a proposta combina ampliação de vagas, penas alternativas para crimes de menor potencial e ações de inteligência contra a entrada de facções. O candidato ainda prevê uma política estadual de enfrentamento ao feminicídio e metas regionais de redução da criminalidade, com indicadores específicos para fronteira, capital e interior.
Por Danielly Carvalho