Acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Anhanguera-Uniderp, em Campo Grande, fazem uma manifestação nesta quarta-feira (12), em frente à instituição. O protesto reúne reclamações sobre a estrutura oferecida aos estudantes, condições do internato e mudanças no sistema de avaliação, com a implantação da APPC (Avaliação de Progressão por Competências).
Entre os relatos apresentados pelos alunos estão infiltrações em salas de aula e banheiros, problemas de pintura, cadeiras quebradas e até a presença de escorpião nas dependências da universidade. Segundo denúncia enviada ao Jornal O Estado, estudantes afirmam que as condições não correspondem ao valor das mensalidades, que chegam a aproximadamente R$16 mil.
A graduação em Medicina é dividida em três etapas, segundo os estudantes. Os dois primeiros anos correspondem ao ciclo básico, seguidos pelo ciclo clínico, no terceiro e quarto anos, e pelo internato, nos dois últimos anos. A APPC passa a ser usada como requisito para a mudança entre essas etapas. Na prática, além de cumprir as disciplinas e demais atividades previstas no curso, o aluno precisa realizar a avaliação para avançar do ciclo básico para o clínico e, posteriormente, do clínico para o internato.
Os acadêmicos afirmam que não são contrários à avaliação, mas questionam a maneira como a nova prova foi apresentada e a falta de informações sobre os critérios que serão utilizados. A mobilização foi formalizada por meio de uma notificação extrajudicial encaminhada à reitoria da universidade.
Nova avaliação
A APPC foi apresentada aos estudantes como uma avaliação abrangente relacionada à passagem entre etapas da graduação. Segundo a notificação, a universidade informou que seria necessário alcançar desempenho mínimo para a progressão acadêmica e que a insuficiência na prova poderia impedir o estudante de avançar, inclusive para o internato.
Ao O Estado, uma estudante do 8º semestre, que pediu para não ser identificada, afirma que os alunos não questionam a existência da avaliação, mas a forma como ela foi implantada. Segundo ela, a comunicação ocorreu apenas no retorno das aulas, em agosto, enquanto a aplicação está prevista para novembro.
“O grande problema com essa prova é a falta de tempo para fazer essa prova. Eles avisaram em agosto que nós vamos ter essa prova em novembro. Ou seja, temos aproximadamente 90 dias ou menos para estudar para essa APPC.”, disse.
Resultado no Enamed
As discussões sobre a formação dos estudantes também ocorrem após o desempenho do curso no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica). O curso de medicina da instituição alcançou nota 2 na avaliação divulgada pelo Ministério da Educação e pelo Inep em janeiro deste ano. O exame utiliza uma escala de 1 a 5, e a nota obtida pela instituição ficou entre os resultados mais baixos da avaliação.
Os estudantes relacionam o desempenho no exame à estrutura e ao suporte oferecido durante a formação. Entre as reclamações estão a falta de materiais considerados adequados, dificuldade para tirar dúvidas e redução do apoio para preparação dos alunos.
Segundo a estudante do 8º semestre, a turma contava anteriormente com um cursinho de apoio, que deixou de ser oferecido. Ela também relata que a turma possui cerca de 150 alunos e que o atendimento para dúvidas é limitado devido a quantidade de estudantes matriculados.
O Jornal O Estado procurou a Universidade Anhanguera-Uniderp para comentar as reclamações, a implantação da APPC, as condições de infraestrutura e a manifestação marcada para esta quarta-feira 912), mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição.
Por Biel Gill