Candidatos ao Governo de MS divergem sobre emprego e economia

Daniel Lemes (PCO), Eduardo Riedel (PP), Fábio Trad (PT), Jefferson Bezerra (Agir), João Henrique Catan (Novo), Lucien Rezende (PSOL) e Renato Gomes (DC) - Foto: reprodução
Daniel Lemes (PCO), Eduardo Riedel (PP), Fábio Trad (PT), Jefferson Bezerra (Agir), João Henrique Catan (Novo), Lucien Rezende (PSOL) e Renato Gomes (DC) - Foto: reprodução

Projeto propõem desde revisão de incentivos fiscais até qualificação, crédito e proteção trabalhista

Os planos apresentados pelos candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul trazem diagnósticos e caminhos diferentes para a economia estadual. As propostas passam pela geração de empregos, qualificação profissional, incentivos fiscais, fortalecimento de pequenos negócios, interiorização do desenvolvimento e mudanças nas relações de trabalho. Em alguns documentos, a prioridade está na atração de investimentos e integração com mercados externos; em outros, o foco recai sobre distribuição de renda, proteção trabalhista e redução das desigualdades.

Daniel Lemes (PCO)

A proposta de Daniel Lemes se concentra na defesa dos trabalhadores e em medidas voltadas à redução do desemprego. O programa prevê reposição integral das perdas salariais, aumento emergencial de 50% dos vencimentos e reajustes automáticos sempre que o custo de vida subir 3%. Também estabelece salário mínimo vital de R$ 7.500 e ampliação do auxílio destinado às famílias em situação de vulnerabilidade.

Na área ocupacional, o documento propõe limitar a jornada a 35 horas semanais, sem redução salarial, além de proibir demissões e garantir salário-desemprego equivalente ao último rendimento recebido. O programa ainda defende passe livre para desempregados e trabalhadores informais e a revogação de reformas trabalhista e previdenciária.

Eduardo Riedel (PP)

Eduardo Riedel coloca a qualificação profissional como uma das principais ferramentas para acompanhar a expansão econômica. O plano relaciona formação de mão de obra, retenção de talentos, inclusão produtiva e aproximação entre educação, assistência social e mercado. Entre as ações estão a ampliação do voucher transportador, com meta de chegar a pelo menos 5 mil habilitados nas categorias D e E até 2030, além da formação de 400 novos desenvolvedores.

O texto também prevê formação para setores estratégicos, requalificação diante de novas tecnologias, estímulo à empregabilidade de jovens e grupos vulneráveis, fortalecimento da intermediação entre empresas e trabalhadores e expansão do empreendedorismo.

Fábio Trad (PT)

Fábio Trad parte da avaliação de que o crescimento econômico de Mato Grosso do Sul não se converteu, na mesma proporção, em empregos de qualidade e redução das desigualdades. O plano aponta concentração da atividade em segmentos intensivos em capital e identifica dificuldades enfrentadas por municípios do interior, como informalidade, êxodo de jovens e baixa diversificação.

Entre as medidas estão o Programa Estadual de Empreendedorismo Popular, voltado a mulheres, jovens, periferias, agricultura familiar e pequenos negócios, e o Programa Primeiro Emprego MS. O documento ainda prevê uma rede de qualificação para áreas como inteligência artificial, indústria 4.0, logística, bioeconomia e energias renováveis, além de iniciativas para proteger trabalhadores de aplicativos, ampliar o empreendedorismo feminino e criar polos regionais de emprego.

Jeferson Bezerra (Agir)

Jeferson Bezerra propõe medidas direcionadas ao ambiente de negócios, sobretudo para micro e pequenas empresas. O plano inclui uma linha de crédito estadual com juros subsidiados e prazo ampliado para empreendimentos do interior, além de simplificação de obrigações e implantação de alvará digital único.

Outra frente envolve cursos técnicos regionalizados em parceria com instituições como Senai e Senac, conforme as necessidades econômicas de cada área. O programa também prevê apoio a arranjos produtivos locais ligados ao agronegócio, bioenergia, celulose e turismo, além de incentivos regionalizados para levar indústrias e centros de distribuição a municípios fora do eixo mais consolidado.

João Henrique Catan (Novo)

João Henrique Catan direciona sua proposta para a integração econômica de Mato Grosso do Sul com os países vizinhos. O plano defende aproximação entre empresas, produtores e fornecedores estaduais e cadeias industriais de Paraguai, Argentina e demais mercados sul-americanos.

A estratégia inclui estimular empreendimentos capazes de transformar matérias-primas locais em produtos de maior valor agregado, conectar pequenas e médias empresas às novas cadeias produtivas e ampliar o apoio à exportação e importação. A posição geográfica do Estado aparece como instrumento para atrair investimentos, ampliar negócios e criar novas oportunidades de trabalho.

Lucien Rezende (PSOL)

Lucien Rezende questiona o modelo de expansão da celulose adotado em Mato Grosso do Sul, especialmente na região conhecida como Vale da Celulose. O documento reconhece a criação de empregos durante a implantação das fábricas e o impacto sobre a arrecadação municipal, mas chama atenção para o volume de incentivos e isenções concedidos às grandes multinacionais.

A avaliação apresentada pelo candidato relaciona esse modelo a problemas que permanecem em diferentes municípios, como desigualdade social e baixos salários. Assim, a discussão sobre emprego e renda aparece associada à forma como os benefícios do crescimento econômico são distribuídos.

Renato Gomes (DC)

Renato Gomes organiza sua proposta econômica em torno da ideia de aproximar a riqueza produzida no Estado da renda da população. O plano cita como prioridades a justiça tributária, interiorização, energia, turismo, meio ambiente, moradia e apoio ao pequeno produtor.

Entre as medidas está a revisão dos incentivos fiscais, com classificação de empresas conforme critérios como geração de empregos, salários, utilização de matéria-prima local e participação de trabalhadores de Mato Grosso do Sul. O documento também prevê o programa “Compre MS”, destinado a estimular compras de fornecedores estaduais e fortalecer cadeias como carne, celulose e papel, soja, biodiesel, sucroenergia, leite, piscicultura, tecnologia, turismo e energia renovável.

Delcídio (PRD)

O plano propõe investimentos em turismo, infraestrutura e logística para reduzir custos, aumentar a competitividade e atrair investimentos. Prevê capacitação profissional no turismo, parcerias com universidades e estímulo à economia criativa, especialmente para os jovens. A proposta busca descentralizar os ganhos do turismo, fortalecer pequenos empreendedores, artesãos e serviços locais, além de transformar manifestações culturais em fontes de renda.

Por Danielly Carvalho

 

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