Câmara eleva pressão sobre a saúde e CPI ainda precisa de três assinaturas

Segundo o presidente
Papy, muitos
vereadores estão
inclinados a assinar -Foto: Eliza Mustafa/Ascom
Segundo o presidente Papy, muitos vereadores estão inclinados a assinar -Foto: Eliza Mustafa/Ascom

O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), afirmou que a reunião realizada na manhã desta quinta-feira (26), com o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, foi marcada por cobranças duras e pela possibilidade concreta de instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a gestão da saúde na Capital.

Segundo Papy, o encontro teve clima tenso diante do que ele classificou como cenário preocupante na rede pública. “Uma reunião tensa, é uma reunião de cobrança, não tem como ser diferente. Nós estamos nos avizando a uma CPI da saúde”, declarou.

Sobre a possibilidade de instalação da CPI ainda este ano, o presidente foi direto. “Eu acho que pode acontecer, nós estamos com muitos vereadores inclinados a assinar”. Atualmente, sete parlamentares já assinaram o requerimento, onde são necessárias dez assinaturas para que a comissão seja aberta. “Sete de dez já assinaram. E eu acho que tem uma inclinação de muitos vereadores, pelo que eu converso nos bastidores”, disse.

Papy afirmou que deixou claro ao secretário a dificuldade de conter o avanço da comissão, já que muitos vereadores estariam inclinados a aprofundar as investigações. Apesar disso, ponderou que há uma “paciência” inicial com o novo titular da pasta, por ele ter assumido recentemente o cargo e ser, segundo o parlamentar, um profissional respeitado.

Mesmo reconhecendo a boa relação pessoal, Papy ressaltou que a cobrança é institucional. De acordo com ele, a Câmara precisa ter acesso aos dados atualizados da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), especialmente após o comitê da pasta ter se comprometido no ano passado a apresentar informações que, segundo o vereador, não foram entregues.

Entre os principais pontos questionados estão os dados sobre os R$ 156 milhões alvo de questionamentos, especialmente quanto aos remanejamentos financeiros realizados sem as devidas dotações orçamentárias, o que teria gerado denúncias. Também foram cobrados esclarecimentos sobre o processo de compra e reabastecimento de medicamentos e insumos nas unidades de saúde.

Outro ponto considerado essencial pela Casa é o detalhamento dos custos da rede, tanto de folha de pagamento quanto de custeio por unidade. A intenção, segundo Papy, é compreender quanto cada unidade consome e como os recursos estão sendo aplicados.

“Campo Grande gastou 33% no orçamento do ano passado com a saúde. É muito dinheiro e você não tem o resultado na conta para o usuário”, afirmou. Para ele, a fiscalização não se trata de enfrentamento político, mas de dever constitucional do Legislativo.

Segundo Papy, há um esforço da gestão municipal para fornecer as informações solicitadas e evitar o constrangimento político de uma CPI, mas o avanço ou não da comissão dependerá, principalmente, da disposição da Secretaria em apresentar os dados cobrados pela Câmara.

 

Por Brunna Paula

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