O deputado estadual João Henrique Catan deve oficializar sua filiação ao Partido Novo até a próxima semana, após anunciar em plenário, nesta quinta-feira (5), sua saída do PL (Partido Liberal). A informação foi apurada pela reportagem do Jornal O Estado.
De acordo com a apuração, foi estabelecido um prazo para que a filiação seja formalizada. Segundo interlocutores envolvidos nas articulações, Catan foi informado de que teria até o dia 10 para se filiar ao Novo. Caso contrário, seria entendido que ele não teria interesse em participar do projeto político em construção. O deputado concordou com o prazo e indicou que trabalhará para concluir a filiação até essa data.
Catan foi o primeiro parlamentar da ALEMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) a anunciar troca de legenda durante a janela partidária, abrindo o período de movimentações entre deputados estaduais.
A saída do PL já vinha sendo comentada nos bastidores da política sul-mato-grossense. O deputado demonstrava insatisfação com os rumos do partido no Estado, especialmente após a decisão da sigla de não lançar candidatura própria ao governo e apoiar a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).
Após anunciar a saída do partido, Catan afirmou que já existem conversas e tratativas com o Novo, legenda com a qual, segundo ele, há identidade política. “Olha, a gente tem identidade com o Partido Novo, já existem algumas conversas e tratativas iniciadas. Mais do que responder neste momento qual será o novo caminho, após fechada uma janela para nosso projeto, é que existe um novo caminho, uma nova avenida de oportunidades”, afirmou.
Durante a entrevista, o parlamentar disse que a direita no Estado precisa de lideranças que tenham coragem de defender seus valores e criticou a falta de unidade entre grupos políticos que compartilham desse campo ideológico.
Segundo ele, a divisão entre essas lideranças acabou impedindo que projetos maiores fossem consolidados em eleições passadas.
Catan citou que nomes da direita poderiam ter se unido em um mesmo projeto político dentro do PL, o que, na avaliação dele, tornaria o grupo eleitoralmente competitivo. “Se tivéssemos um projeto dentro do PL, um partido que nós ajudamos a chegar onde chegou, imagine uma candidatura própria do Catan ao governo, do Contar ao Senado, do Pollon ao Senado, da Gianni Nogueira. Todas essas lideranças unidas dentro de um mesmo partido. Seria imbatível”, declarou.
O parlamentar também voltou a mencionar a possibilidade de disputar o governo do Estado, caso consiga reunir apoio político em diferentes municípios.
Segundo ele, sua atuação política continuará sendo marcada pela independência em relação ao governo estadual. “Olha, eu nunca tive espaço. A independência que nós temos aqui na nossa casa não permite que alguém construa um espaço, porque eles não querem um espaço, eles não querem respeito, eles querem subserviência, eles querem o acovardamento, eles querem as negociatas, é isso que é trocado por espaço. Esse espaço eu não quero”, concluiu.