A PF (Polícia Federal) prendeu na manhã desta terça-feira (26), na Bolívia, o traficante Gerson Palermo, considerado um dos criminosos mais procurados do Brasil. Ele estava foragido desde 2020, quando rompeu a tornozeleira eletrônica no mesmo dia em que recebeu o benefício da prisão domiciliar.
Condenado a quase 126 anos de prisão, Palermo é apontado como um dos chefes do PCC (Primeiro Comando da Capital). A prisão ocorreu após trabalho de cooperação internacional entre autoridades brasileiras e bolivianas.
Nesta terça-feira,foi divulgado que a Polícia Federal concluiu a investigação sobre a fuga do traficante e encaminhou o caso ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). O inquérito apura suspeitas de ligação do caso com o desembargador aposentado Divoncir Maran, de Mato Grosso do Sul.
O magistrado é citado em investigação que apura suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Em 2020, durante o plantão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Maran concedeu habeas corpus que tirou Palermo do presídio federal de Campo Grande. O traficante passou a cumprir prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, mas rompeu a tornozeleira e fugiu no mesmo dia.
Segundo as investigações, o habeas corpus, com 208 páginas, foi analisado em apenas 40 minutos. Mensagens encontradas pela PF em celulares de assessores apontam suposta interferência direta na decisão.
“Vai entrar esse HC, chefe pediu para prover”, diz uma das mensagens. Em outra conversa, uma assessora afirma: “foi determinação do desembargador”.
A prisão domiciliar foi concedida durante a pandemia da Covid-19, sob justificativa de problemas de saúde. No entanto, segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), não havia laudo médico que comprovasse a condição alegada.
Em março deste ano, Divoncir Maran foi punido com aposentadoria compulsória após decisão em Processo Administrativo Disciplinar.
Histórico criminoso
Gerson Palermo ganhou notoriedade nacional ao participar, em agosto de 2000, do sequestro de um Boeing 727 da antiga Vasp. O avião saiu de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba e foi desviado para Porecatu (PR), onde o grupo roubou cerca de R$ 5,5 milhões em malotes do Banco do Brasil.
Pelo crime, ele foi condenado a 66 anos e nove meses de prisão.
Já em 2017, durante a Operação All In, da Polícia Federal, Palermo foi apontado como um dos chefes de um esquema internacional de tráfico de drogas. Segundo a investigação, a cocaína saía da Bolívia em aviões até Corumbá e seguia em caminhões para outros estados.
Somadas, as condenações contra o traficante chegam a quase 126 anos de prisão. O espaço segue aberto para manifestação da defesa do desembargador.
Com informações da CNN