A Justiça concedeu prisão domiciliar ao empresário Joatan Gomes Peixoto, ex-sócio da Editora Avante e um dos investigados na Operação Gutenberg, que apura um esquema de desvio de aproximadamente R$ 27 milhões em recursos públicos em Mato Grosso do Sul. A decisão determina o uso de tornozeleira eletrônica pelo período de 180 dias.
Por outro lado, o ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos, continuará preso. O pedido de habeas corpus apresentado pela defesa foi negado liminarmente pela Justiça.
Até o momento, entre os 15 presos durante a operação deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), apenas dois obtiveram o direito de cumprir a prisão em casa.
Além de Joatan, a empresária Jéssyca Duarte Burgatt, proprietária da Capital Saúde e filha do ex-chefe da Regulação Estadual de Saúde, Ed Carlo Britto Burgatt, recebeu prisão domiciliar no último sábado (12). A medida foi concedida para que ela pudesse amamentar o filho pequeno.
Os demais investigados tiveram os pedidos de habeas corpus negados em decisões liminares e agora aguardam julgamento pelo colegiado.
Permanecem presos preventivamente os investigados:
– Rossana Paroschi Jafar, dentista e proprietária de gráfica;
– Olívia Paroschi Jafar, médica e dona da Clínica Ross;
– Felipe Paroschi Jafar, ex-comissionado da Agesul;
– Giovanni Paroschi Jafar, empresário;
– Rhayane Souza Fanaia, apontada como “laranja” do grupo e ex-esposa de Giovanni;
– Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe da Regulação Estadual de Saúde;
– Matheus Oliveira Peixoto, empresário;
– Francisco Anízio dos Santos, empresário;
– Douglas Henrique de Melo, empresário;
– Paulo Rogério de Melo, empresário e pai de Douglas;
– Gabriel Taquino de Paula, advogado;
– Júnior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul;
– Geancarlo Leal de Freitas, advogado e servidor público.
O empresário Heyder Bartz segue foragido.
Esquema usava saúde pública para impulsionar venda de livros
Segundo as investigações do Gaeco, a organização criminosa utilizava a estrutura da saúde pública como instrumento para pressionar municípios a adquirirem livros comercializados pelas empresas do grupo.
Conforme o Ministério Público, empresários pagavam propina a servidores públicos para que a liberação de exames, consultas, internações e leitos hospitalares fosse condicionada à compra do material didático pelos gestores municipais.
Os investigadores afirmam que a estrutura da regulação da saúde funcionava como um verdadeiro “balcão de negócios”, no qual procedimentos médicos eram usados como moeda de troca para favorecer interesses privados.
Empresa investigada teve contrato com a Santa Casa
Entre os alvos da Operação Gutenberg está a Jafar Estética e Saúde Ltda., empresa administrada pela médica Olívia Paroschi Jafar. A companhia manteve contrato com a Santa Casa de Campo Grande para fornecimento de médicos ao Prontomed, unidade destinada ao atendimento de pacientes particulares e conveniados.
O contrato foi firmado em 16 de junho de 2025, com validade de 12 meses, prevendo remuneração de R$ 125 por hora de plantão em atendimentos de urgência e emergência. O documento, no entanto, não informa valor total nem quantidade de plantões, o que impossibilita calcular quanto a empresa recebeu durante a vigência do acordo.
Em nota, a Santa Casa informou que os plantões eram eventuais, realizados exclusivamente na ala privada do hospital, e que a empresa deixou de prestar serviços à instituição há cerca de três meses. O hospital também afirmou que o Gaeco não solicitou informações durante as investigações e ressaltou que os pagamentos ocorreram apenas pelos plantões efetivamente realizados.
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