Preso na terça-feira (12) durante a Operação Fornax, da Polícia Federal, Alex Benitez Gamarra, apontado como um dos principais líderes do tráfico internacional de drogas entre Paraguai e Brasil, utilizava uma padaria em Ponta Porã para lavar dinheiro proveniente da venda de maconha e cocaína.
O estabelecimento funcionava na Avenida Brasil, região central da cidade sul-mato-grossense que faz fronteira seca com Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Segundo as investigações, a empresa fazia parte de uma estrutura montada para ocultar recursos obtidos com o narcotráfico.
As apurações começaram após a apreensão de quase duas toneladas de maconha em um entreposto da organização criminosa, em 2023. A partir disso, a Polícia Federal identificou que a padaria e outras empresas ligadas ao chamado “Grupo Gamarra Empresas” eram usadas para movimentar e esconder dinheiro ilícito.
Além do comércio de panificação, academias de ginástica em Ponta Porã e em outras cidades também teriam sido utilizadas para a lavagem de capitais. Conhecido pelos apelidos de “Frango” e “Fufuxo”, Alex Gamarra já havia sido alvo das operações Maximus, da Polícia Civil de Mato Grosso, em 2024, e da segunda fase da Last Chat, conduzida pelo Gaeco em 2025.
De acordo com a decisão da Justiça Federal que autorizou 22 mandados de prisão, 47 de busca e apreensão e bloqueios financeiros, mensagens encontradas em celulares apreendidos revelaram que Alex exercia posição de liderança dentro da organização. As investigações apontam que ele transmitia ordens, organizava pagamentos e mantinha contato direto com outros integrantes da quadrilha, incluindo o tio Eliseo Benitez Céspedes, também preso na operação.
A PF afirma ainda que o traficante negociava carregamentos de drogas e mantinha comunicação com compradores até mesmo durante períodos em que esteve preso. A padaria foi relacionada diretamente à primeira apreensão de drogas que deu origem à investigação e, embora tenha encerrado as atividades, continua com CNPJ ativo nos registros oficiais.
A Operação Fornax cumpriu mandados em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. Dos 13 mandados de prisão preventiva expedidos, dez foram cumpridos, enquanto outros três investigados seguem foragidos. Segundo a Polícia Federal, os chefes da organização criminosa são Alex Benitez Gamarra, Jederson Miranda Perez e Alan Ademir Percecepe. As investigações também apontam indícios de ligação do grupo com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), além de uma ampla rede interestadual de distribuição de drogas entre a fronteira do Paraguai e diversos estados brasileiros.
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