Com municípios em alerta vermelho, Estado entra no período mais crítico para incêndios
Divulgado ontem (5), o informativo de monitoramento de incêndios florestais do Estado de Mato Grosso do Sul, elaborado pelo Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul), Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul), tornou público o número de queimadas e as áreas atingidas até o início de agosto e faz um comparativo com o ano anterior. O documento traz projeções para os próximos dias, assim como alertas para boa parte do Estado.
Em suma, o cenário não é completamente caótico. Houve uma redução de 44,5% na área queimada que compreende o Cerrado sul-mato-grossense. No ano passado, registou-se um total de 31.371 hectares queimados, contra 17.411 atualmente. Em contrapartida, o Pantanal queimou 663,4% a mais, se comparado ao mesmo período de 2025. São 70.771 hectares incendiados em 2026, contra 7.271 do ano anterior. Os bombeiros já atuam na região desde o primeiro dia deste ano, com 607 militares deslocados em função de controlar as chamas no coração de Mato Grosso do Sul.
A Mata Atlântica, que ocorre juntamente aos outros dois biomas, presente em regiões como Serra da Bodoquena e Rio Paraná, também apresentou queda, 35,9% a menos, com 3.785 ocorrências em 2025 e 2.428 em 2026. No total de incêndios em vegetação atendidos pelo CBMMS, houve uma queda de 16,4%.
Próximos dias
Para os próximos dias, a expectativa é de que o Estado tenha dois cenários meteorológicos, com predominio nas regiões norte, nordeste, noroeste e bolsão tempo firme, com sol e baixa umidade do ar. Nas demais, há previsão de chuva com acumulados podendo chegar a 70 milímetros.
Já a probabilidade de fogo para este trimestre, entre agosto e outubro, é um sinal de atenção quase no Estado todo. A maior parte do território encontra-se entre “Atenção” e “Alerta”, que indica que as condições do tempo seco e calor criam alto risco para a incidência de incêndios ou queimadas descontroladas na região. Municípios da região pantaneira, como Corumbá, Aquidauana, Miranda, Porto Murtinho e Coxim, enquadram-se em “Alerta Alto”.
MS entra em alerta com avanço de sistema que pode dar origem a ciclone bomba
O avanço de um sistema de baixa pressão que pode evoluir para um ciclone bomba no Sul da América do Sul também coloca Mato Grosso do Sul em estado de atenção. O INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu alertas para parte do Estado devido à previsão de tempestades entre esta quarta-feira (5) e quinta-feira (6), com risco de chuva intensa, ventos fortes, descargas elétricas e queda de granizo.
Embora o centro do fenômeno deva se formar entre a Argentina, o Uruguai, o Rio Grande do Sul e o Oceano Atlântico, os efeitos da frente fria associada ao sistema devem atingir áreas do Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso do Sul.
Segundo o INMET, as condições atmosféricas são favoráveis para um processo conhecido como ciclogênese explosiva, popularmente chamado de ciclone bomba. O fenômeno ocorre quando um sistema de baixa pressão se intensifica rapidamente em um intervalo de 24 horas. A confirmação, no entanto, dependerá da evolução da pressão atmosférica nos próximos dias.
De acordo com as projeções do modelo meteorológico COSMO, utilizado pelo instituto, o sistema começa a se organizar na quinta-feira (6), a partir de um cavado — uma região alongada de baixa pressão — sobre o norte da Argentina e o Paraguai. Em seguida, evolui para um ciclone extratropical entre o Uruguai e o litoral do Rio Grande do Sul.
As previsões indicam que o ciclone poderá atingir sua maior intensidade entre sexta-feira (7) e sábado (8), com pressão atmosférica muito baixa, característica compatível com um processo de bomba gênese.
Alerta Amarelo
Para esta quarta-feira (5), o INMET mantém alerta amarelo de perigo potencial para tempestades no centro-sul e oeste de Mato Grosso do Sul.
Já na quinta-feira (6), a situação se intensifica. O órgão prevê alerta laranja de perigo para tempestades no sul do Estado, onde há maior possibilidade de ocorrência de chuva intensa, rajadas de vento, raios e granizo. As demais regiões do centro e sul de Mato Grosso do Sul permanecem sob alerta amarelo.
Os principais impactos mais severos devem ocorrer na Região Sul do Brasil, mas a frente fria associada ao ciclone também favorece a formação de linhas de instabilidade que podem provocar temporais sobre Mato Grosso do Sul e áreas próximas ao Paraguai.
Queda de temperatura
Após a passagem da frente fria, uma massa de ar frio deve avançar sobre o Centro-Sul do país, provocando queda acentuada das temperaturas. Mato Grosso do Sul está entre os estados que poderão sentir os efeitos desse resfriamento nos dias seguintes.
O INMET orienta que a população acompanhe as atualizações da previsão do tempo e dos avisos meteorológicos, já que a trajetória e a intensidade do sistema ainda podem sofrer alterações conforme novos modelos forem incorporados às análises.
Por Maria Gabriela Arcanjo e Michelly Perez
Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram