Dois policiais militares foram presos temporariamente após a morte de Wellington dos Santos Vieira, de 27 anos, baleado durante uma abordagem da Força Tática no Bairro Cristo Rei, em Anastácio. O caso ocorreu na noite de terça-feira (31) e a prisão foi confirmada pela assessoria de comunicação da corporação nessa sexta-feira (4).
Segundo a PM (Polícia Militar), a prisão foi solicitada pela Corregedoria-Geral da instituição e autorizada pelo Judiciário. A medida, conforme informado, tem o objetivo de “resguardar a ordem pública e garantir a lisura das investigações”.
Além da prisão temporária, os dois agentes foram afastados das funções e um procedimento administrativo foi instaurado para apurar as circunstâncias da ocorrência. De acordo com a PM, os policiais estão no Presídio Militar Estadual e permanecem à disposição da Justiça.
Em nota, a corporação afirmou que a decisão foi tomada após análise técnico-jurídica dos elementos de prova já coletados. O procedimento também é acompanhado por investigações conduzidas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.
“A medida foi requerida após rigorosa análise técnico-jurídica dos elementos de prova colhidos, fundamentando-se na necessidade de resguardar a ordem pública e assegurar a integridade e a lisura das investigações em curso”, diz trecho do comunicado. A PM também reforçou o compromisso com a legalidade, a transparência e a responsabilização.
Versões divergentes
Familiares de Wellington contestam a versão apresentada inicialmente pela Polícia Militar. Segundo relatos, o jovem estava correndo e não portava armas quando foi atingido pelos disparos. Imagens registradas no local mostram o momento em que o suspeito tenta fugir e acaba baleado pelas costas, o que contraria a versão inicial da corporação de que ele teria sacado uma faca e avançado contra os policiais.
Após ser baleado, o corpo de Wellington foi colocado no camburão da viatura. De acordo com testemunhas, durante o procedimento a cabeça do jovem chegou a bater no chão. Ele foi levado ao hospital, mas a morte foi confirmada na unidade. A família afirma ter presenciado a ação da janela de casa. A mãe do rapaz gritou ao vê-lo ser atingido, enquanto outros parentes foram orientados pelos policiais a permanecer dentro da residência. Um irmão da vítima negou que Wellington tenha reagido à abordagem e criticou a forma como o corpo foi transportado.
Contexto do caso
Wellington dos Santos Vieira era apontado como um dos envolvidos no assassinato de Maria Clair Luzni, de 46 anos, e Vilson Fernandes Cabral, de 50 anos, encontrados mortos dentro de casa no último sábado (28).
Na mesma sequência de crimes, também foi morto David Vareiro Machado. A investigação aponta que Maria de Fátima Luzni Fernandes, de 26 anos, filha do casal, foi presa suspeita de mandar matar os próprios pais. O companheiro dela, Wendebrson Haly Matos da Silva, se entregou à polícia após a repercussão do caso.
Com a morte de Wellington, Mato Grosso do Sul registra o 22º caso de morte durante abordagem policial neste ano. As circunstâncias da ocorrência seguem sob investigação.
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