“Foi como se tirasse um pedaço de mim”, diz irmã de Vanessa durante julgamento

Foto: Pagu
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Wesla também relatou detalhes do relacionamento do acusado com a vítima

Nesta quarta-feira, (27), durante julgamento de de João Augusto, acusado de matar Vanessa Eugênio Medeiros e a filha Sophie Eugênio Borges, de 10 meses, novos detalhes sobre o relacionaento foram relatados na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande.

Wesla Kenia Lima, irmã mais velha da Vanessa e madrinha da Sophie contou ao ser perguntada por Luciana do Amaral Rabelo, promotora de Justiça do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) que no incício do relacionamento, ambos pareciam ter a rotina de uma casal normal, mas que após a mudança de Vanessa e João Augusto para onde moravam, alguma coisas começaram a mudar. O relato de Wesla aconteceu antes do interrogatório do réu no plenário.

Ao longo dos questionamentos feitos a irmã, ela revelou que durantes visitas com a mãe na residência do então casal, ele chegou a apresentar comportamento estranho de não interagir com a família e também ressaltou o fato de Vanessa contar que ele jogava muito.

Ela também citou pedidos que o acusado dizia para a irmã “O João falava pra ela que queria ser recebido na porta, com um bolo, um cafezinho quente. Ela falou que estava tentando melhorar e aprender essas coisas porque ela não era muito de cozinhar. pontuou.

A promotora iniciou perguntando quanto tempo que a Vanessa e o acusado tinham de relacionamento quando eles estiveram a Sofia, resolveram morar junto.
“Aproximadamente uns três meses, aí a Vanessa descobriu que estava gravida. A primeira vista foi muito feliz, tanto que nós viemos fazer a visita, conhecer ele até porque morava em outra cidade e foi tudo tranquilo, foi bem receptivo com a gente, comigo e minha mãe na casa. Conversei com ele, como que ele estava com essa notícia e ele falou que estava tranquilo, feliz, que ia começar a família dele e a Vanessa também estava”

Siutação mudou com a mudança de residência

Wesla conta ainda que a irmã não conseguia ir trabalhar porque passava muito mal, tinha muito enjôos e precisava faltar no trabalhar, mas que consequentemente as faltas eram descontadas e ela não tinha dinheiro pra ficar mantendo a casa sozinha. A partir disso João propôs deles se mudarem por um tempo pra casa dos pais dele.
Depois, ela cita a mudança para o apartamento onde o casal morava e citou um episódio quando ela e a mãe foram no local e João não conversa e interagia com elas.
“Eles foram morar com os pais dele passou o tempo lá e depois eles arrumaram esse apartamento. A gente veio visitar, aí foi quando as coisas mudaram, a gente chegou, ele tava no quarto e simplesmente lá ficou. E assim, outras vezes, da mesma forma, ele tinha acabado de chegar, chegou no serviço, passou por todos nós, não falou boa tarde, não falou tudo bem, não cumprimentou, nem nada”, pontuou.

João comunicou Wesla sobre susposto desaparecimento de Vanessa  

Quando o crime aconteceu, Wesla foi perguntado se João havia comunicado ela sobre o então desaparecimento da irmã

“Ele me mandou uma mensagem por volta das 8 horas da manhã e falou que a Vanessa tinha saído de casa, se eu tinha notícia dela, que ela não tinha levado o celular e não tinha voltado para casa desde o dia anterior. Aí eu falei para ele que não, que eu não sabia. Eu achei estranho porque a Vanessa nunca saía sem celular. […] tanto que ela usava também um aplicativo pra manter o João e ela conectada por esse aplicativo. Então um sabia onde o outro tava pelo aplicativo, pelo rastreador do celular”completou Wesla.

Relacionamento do casal

Também foi citado que pelo menos cerca de oito meses antes, ambos tiveram uma briga incisiva por causa de uma mulher que teria mandado mensagens para João e falava poara ele largar de Wanessa.

Por fim, Wesla cita que João chegou a falar para a irmã que queria que ela o esperasse com comida na porta quando ele chegasse.

“O João falava pra ela que queria ser recebido na porta, com um bolo, um cafezinho quente. Ela falou que estava tentando melhorar e aprender a essas coisas porque ela não era muito de cozinhar. Ela foi aprendendo, ela pedia às vezes uma receita, eu mandava, trocava receita pelo whatsapp ou vídeo no instagram também”, finaliza Wesla.

Recebimento das notícias

Ela conta que a família soube do crime trágico quando estavam no interior. Ela soube 30 minutos depois que joão havia matado as vítima por um primo quer morava em Campo Grande.

O advogado de acusão, Lucas Brandolis, também questionou como foi quando Wesla recebeu a notícia de que João era o responsável pelos crimes.
“É como pedir pra que isso seja mentira, seja apenas um trote ou algo do tipo. Foi muito doloroso. Até porque eu era madrinha também da Sophie e eu amava muito, muito ela. E a minha irmã também, que ela era caçula de nós três. Mas foi como se tirasse um pedaço de mim.  Porque você conviver, você ajudar a cuidar do início até ver a sua irmã crescendo, ela se arrumando, ver ela correndo atrás dos seus sonhos. É algo muito triste. É uma coisa assim que não é de se desejar pra ninguém.” afirmou Wesla.

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