Mato Grosso do Sul ocupa a segunda posição no ranking nacional de processos por estupro de vulnerável, segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo. Com taxa de 401 casos por 100 mil habitantes, o Estado fica atrás apenas do Distrito Federal e à frente do Amapá, evidenciando um cenário preocupante de violência sexual, especialmente contra crianças e adolescentes.
Os dados refletem não apenas a incidência dos crimes, mas também as dificuldades do sistema de Justiça em dar respostas efetivas. De acordo com o levantamento, 93% dos processos não avançam além das fases iniciais e apenas 2,8% resultam na execução da pena.
Na prática, a maioria dos casos termina sem uma decisão definitiva – nem condenação, nem absolvição.
Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão a falta de provas, falhas nas investigações, prescrição dos crimes, morte do acusado e até a desistência da vítima. A demora também chama atenção: a prisão definitiva ocorre, em média, 3,6 anos após o início do processo.
Interior concentra altos índices
No recorte estadual, municípios pequenos apresentam taxas ainda mais elevadas. Sete Quedas aparece entre os 40 municípios com maior incidência no país, com mais de mil processos por 100 mil habitantes. Iguatemi também figura na lista, com índice superior à média estadual.
Os números acendem alerta sobre a vulnerabilidade de crianças e adolescentes, especialmente em regiões com menor estrutura de proteção e fiscalização.
Subnotificação agrava cenário
Apesar dos dados elevados, especialistas apontam que a realidade pode ser ainda mais grave. Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) estima cerca de 822 mil casos de estupro por ano no Brasil, mas apenas 8,5% chegam ao conhecimento da polícia.
Além disso, três em cada quatro ocorrências registradas são classificadas como estupro de vulnerável – quando a vítima tem menos de 14 anos ou não possui capacidade de consentimento.
Dados da Sinesp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) indicam que mulheres representam 84% das vítimas, com média de 157 denúncias diárias no país.
Tentativa de abuso na Capital reforça alerta
Um caso registrado neste fim de semana em Campo Grande reforça a gravidade do cenário. Um pedreiro de 34 anos foi preso em flagrante após tentar abusar de um adolescente de 13 anos em um terreno baldio no Jardim Canguru. Segundo o boletim de ocorrência, o jovem foi abordado enquanto voltava de uma conveniência e forçado a entrar em uma área isolada.
Durante a ação, o suspeito tentou retirar a roupa da vítima, mas se distraiu, permitindo que o adolescente fugisse. A mãe do menino percebeu a demora, saiu à rua e viu o filho correndo em sua direção, enquanto o homem deixava o local com as partes íntimas expostas.
Moradores conseguiram conter o suspeito e o amarraram até a chegada da Polícia Militar. Mesmo após ser desamarrado, ele tentou fugir novamente e precisou ser contido com spray de pimenta e algemas.
O homem foi levado para atendimento médico e, em seguida, encaminhado à delegacia, onde foi autuado em flagrante. Segundo a polícia, ele possui registro de evasão do sistema prisional.
Por Sueles Morales
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