Defesa contesta acusações e fala em desacordo comercial na Operação Agro-Fantasma

Ex-deputado estadual Sérgio Assis foi liberado após pagamento de fiança - Foto/Arquivo
Ex-deputado estadual Sérgio Assis foi liberado após pagamento de fiança - Foto/Arquivo

Preso com 250 munições, ex-deputado pagou R$ 5 mil de fiança

A investigação da Polícia Civil de Mato Grosso sobre um suposto esquema de fraudes na compra e venda de grãos, que teria causado prejuízo superior a R$ 58 milhões a um produtor rural, ganhou novo capítulo após manifestação da defesa de um dos investigados. A apuração levou à deflagração da Operação Agro-Fantasma na quarta-feira (4), com mandados cumpridos em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Em entrevista, o advogado Miguel Zaim, que representa o ex-deputado estadual por Mato Grosso do Sul, Sérgio Assis e o empresário Mário Sérgio Cometki Assis, contestou as acusações e afirmou que o caso se trata de um conflito comercial. Segundo ele, não houve fraude ou estelionato. “Não há nada de estelionato. O que existe é um desacordo comercial. A empresa Imaculada é do Mário Sérgio. O Sérgio não tem participação nenhuma, não fez negociação nenhuma, ele é apenas pai do Mário”, afirmou.

O defensor também alegou que a suposta vítima teria feito ameaças aos empresários e a familiares. “Esse produtor começou a fazer ameaças graves. Nós inclusive conseguimos uma medida protetiva porque ele passou a ameaçar de matar todo mundo”, declarou.

Zaim afirmou ainda que a operação se limitou ao cumprimento de mandados de busca e apreensão e negou que tenha havido prisão preventiva. “Houve busca e apreensão, sim. Agora estão divulgando coisas que não existem. Não houve prisão preventiva”, disse.

A operação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão nas cidades de Cuiabá (MT), Alto Taquari (MT) e Campo Grande (MS), com apoio do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) e da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros). Também foram determinadas medidas de bloqueio de contas bancárias e indisponibilidade de bens.

A investigação é conduzida pela Delegacia de Polícia de Comodoro (MT) e apura crimes de estelionato e associação criminosa. As diligências envolvem empresas do setor agropecuário, entre elas Imaculada Agronegócios Ltda e Santa Felicidade Agroindústria Ltda, ligadas a Pedro Henrique Cardoso e Mário Sérgio Cometki Assis.

De acordo com o boletim de ocorrência, o caso começou após denúncia de um produtor rural de 56 anos, que relatou ter sido procurado durante a colheita da soja de 2025 por um corretor que se apresentou como representante das empresas. As primeiras operações de venda de grãos teriam sido pagas normalmente, o que teria gerado confiança nas negociações.

Com o avanço das transações, o produtor passou a adquirir grãos de terceiros em seu nome, sob promessa de pagamento posterior pelo grupo. Segundo o relato, os compromissos assumidos ultrapassaram R$ 70 milhões. Os pagamentos teriam sido interrompidos a partir de dezembro de 2025, quando venceram parcelas de maior valor.

O produtor também afirma ter vendido uma aeronave ao grupo por R$ 5,8 milhões, mas diz ter recebido pouco mais de R$ 2 milhões. O avião foi apreendido durante a operação.

 

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