Mortes por COVID na Índia podem ter ultrapassado 3 milhões, diz estudo da Science

COVID-19
Foto: Imagem ilustrativa

BAURU, SP (FOLHAPRESS) – A subnotificação de casos e mortes por COVID-19 na Índia é um tópico já bastante comentado, mas um estudo publicado nesta quinta-feira (6) pela revista Science, um dos mais prestigiados periódicos científicos do mundo, projeta o fenômeno em números.

Segundo as conclusões dos pesquisadores, o número de vítimas indianas do coronavírus pode ter ultrapassado a marca de 3 milhões, enquanto a cifra oficial contabiliza 483 mil.
O artigo da Science traz dados do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) que apontam para um déficit massivo no registro das mortes no país asiático. De um total de 10 milhões de mortos estimados pelo PNUD em 2020, mais de 3 milhões não foram registrados e 8 milhões não contam com atestado médico.

Como as estatísticas oficiais carecem de fontes ou mesmo de confiabilidade, os pesquisadores desenvolveram modelos matemáticos que, se não expõem exatamente o cenário epidemiológico da Índia, ao menos chegam mais perto da realidade.

O estudo se baseia nas evidências de que aumentos no índice geral de mortalidade em meio a um pico de transmissão do coronavírus –como o que a Índia registrou no ano passado, com hospitais, crematórios e cemitérios abarrotados– podem ser atribuídos quase em sua totalidade à pandemia de COVID.

Para a OMS (Organização Mundial da Saúde), como o artigo da Science destaca, este é um método bruto de fazer a contagem, porém útil em situações onde não há bases de dados confiáveis sobre a pandemia.

A metodologia para chegar à conclusão de que o número real de mortes por COVID-19 na Índia pode ser até sete vezes o relatado oficialmente, os autores do estudo cruzaram dados de uma fonte independente e de duas governamentais.

A primeira é uma pesquisa feita por telefone diariamente de março de 2020 a julho de 2021. Foram ouvidos nesse período mais de 137 mil respondentes em todos os estados e territórios da Índia. Os entrevistadores perguntavam sobre pessoas com sintomas de COVID e eventuais óbitos provocados pela doença.

Segundo os pesquisadores, durante a maior parte das semanas no período analisado, o número de famílias que relatavam mortes por COVID não chegava a 0,7% do total. Mas nos meses onde houve picos de transmissão da doença na Índia o índice disparou: chegou a 1,2% entre setembro e outubro de 2020, e a 6% em junho de 2021.

“A aplicação dessas proporções ao índice geral de mortes esperadas de 1º de junho de 2020 a 1º de julho de 2021 resultou em uma estimativa de 3,2 milhões (de 3,1 mi a 3,4 mi) de mortes por Covid, ou 29% das mortes por todas as causas esperadas durante o período de 13 meses”, explicam os autores.

Do total de óbitos, segundo o levantamento, a maior parte (cerca de 85%) ocorreu entre abril e julho do ano passado. Nesse período, os casos diários de coronavírus saltaram de 100 mil para 400 mil, os sistemas de saúde entraram em colapso, uma nova variante foi descoberta na Índia e o país se tornou o terceiro com mais mortes por COVID, atrás de Estados Unidos e Brasil.

Apesar de apontar a subnotificação com base no método científico, o estudo faz a ressalva de que a conclusão a que chegaram os pesquisadores ainda é conservadora. “As mortes por COVID geralmente são agudas, ocorrendo dentro de semanas após a infecção, mas os efeitos completos da infecção por coronavírus em várias doenças subjacentes são desconhecidos”, explicam os autores.

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