Especial: O vibrante intercâmbio cultural se enriquece no Ano Cultural China-Brasil

Imagem de 10 de fevereiro de 2026 do Museu Nacional, iluminado com o espetáculo de luzes do Ano Novo Chinês, tirada em Brasília, capital do Brasil. (Xinhua/Lucio Tavora)
Imagem de 10 de fevereiro de 2026 do Museu Nacional, iluminado com o espetáculo de luzes do Ano Novo Chinês, tirada em Brasília, capital do Brasil. (Xinhua/Lucio Tavora)

Em Pequim, diversas atividades vêm acontecendo desde o início de 2026, incluindo a exibição do filme brasileiro “A Amazônia: Uma Floresta na Tela”, que aproximou a riqueza natural e cultural do Brasil do público chinês. Enquanto isso, em São Paulo, um flash mob da cultura chinesa tomou conta das ruas com música e cores para celebrar o Ano Novo Lunar, despertando a curiosidade e o entusiasmo dos transeuntes.

Somente nos três primeiros meses de 2026, o Ano da Cultura China-Brasil demonstrou um dinamismo notável, fortalecendo concretamente a amizade entre os dois povos e promovendo um intercâmbio cultural cada vez mais profundo entre os dois países.

A amizade entre nossos povos é o alicerce e a força motriz por trás do desenvolvimento das relações entre a China e o Brasil. Com essa convicção, os líderes de ambos os países concordaram em designar 2026 como o Ano da Cultura China-Brasil, com o objetivo de fortalecer os laços culturais e aprofundar o entendimento mútuo entre nossos dois povos.

O presidente chinês Xi Jinping descreveu a importância das trocas culturais entre os dois países da seguinte forma: “As culturas da China e do Brasil são ricas e variadas, e possuem um charme único; elas se complementam e se atraem mutuamente.”

 

Aproximando a China dos brasileiros

Em janeiro deste ano, foi realizada em Pequim e outras cidades a série de atividades “Entre o Espelho e a Lâmpada: Diálogo Literário Contemporâneo entre a China e o Brasil”, na qual escritores brasileiros estabeleceram um diálogo aprofundado com escritores, tradutores e pesquisadores chineses.

Por meio de livros, uma sucessão de embaixadores culturais da China e do Brasil perpetua o intercâmbio de diálogos entre civilizações.

Em julho de 2014, o presidente Xi Jinping destacou a trajetória de Carlos Tavares, a quem descreveu como “um brasileiro com coração chinês” durante seu discurso em sessão solene perante o Congresso Nacional do Brasil, país que visitava em visita oficial.

Desde a década de 1970, Tavares escreveu 10 livros e mais de mil artigos sobre a China. Muitos brasileiros conheceram a China e se conectaram com ela por meio de seus escritos. Antes de falecer em 2021, Tavares deixou um desejo não realizado: escrever mais artigos sobre a China.

Um visitante observa uma obra de caligrafia chinesa em uma exposição de pintura e caligrafia sino-brasileira no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Brasil, em 25 de março de 2026. A exposição, intitulada “Horizontes em Diálogo”, foi inaugurada na quarta-feira no Rio de Janeiro. (Xinhua/Jin Haoyuan)

Hoje, cada vez mais brasileiros dão continuidade ao trabalho de intercâmbio humanístico iniciado por Tavares. De clássicos tradicionais como os “Analectos” de Confúcio e o “Tao Te Ching” a obras literárias como “O Grito” de Lu Xun e “Xiangzi, o Camelo” de Lao She, um número crescente de títulos chineses tem sido traduzido e publicado no Brasil.

Evandro Menezes de Carvalho, professor de direito internacional na Universidade Federal Fluminense (UFF) do Brasil, é um desses embaixadores culturais. Agraciado com o Prêmio de Amizade do governo chinês, ele é mais conhecido por seu nome chinês: Gao Wenyong.

Desde sua primeira visita de estudos à China em 2013, Carvalho tem promovido ativamente a tradução recíproca de obras e o intercâmbio entre acadêmicos dos dois países. Entre as conquistas que ela mais valoriza estão sua participação na tradução para o português do quarto volume de “Xi Jinping: A Governança e a Administração da China” e de “Eliminando a Pobreza”.

Em sua visão, no contexto atual de tensões geopolíticas internacionais e frequentes crises de governança global, é crucial valorizar a diversidade de civilizações. A Iniciativa Global para as Civilizações, proposta pelo Presidente Xi, “oferece uma alternativa ao paradigma do confronto e reafirma a importância do respeito mútuo, da coexistência pacífica e do diálogo intercultural como fundamento de uma ordem internacional mais estável e equitativa”.

Ele acrescentou que “para países do Sul Global, como o Brasil, essa abordagem é particularmente relevante, pois abre espaço para que nossas próprias experiências de civilização sejam reconhecidas, valorizadas e integradas ao debate global sobre desenvolvimento e governança”.

Para que mais brasileiros aprendam sobre a China por meio dos livros, Carvalho defendeu a criação de uma editora temática chamada “SHU” (livro em mandarim), focada na tradução e publicação de obras relacionadas à China.

Na opinião dele, Carlos Tavares apresentou a China aos brasileiros, enquanto a missão de sua geração é ajudar os brasileiros a compreenderem a China. “O intercâmbio cultural eleva o espírito humano: amplia horizontes, reduz a ignorância, aprofunda a sensibilidade e nos torna mais inteligentes e generosos”, afirmou.

 

A arte pode transcender fronteiras

“Na década de 1980, a telenovela brasileira ‘Isaura, a Escrava’ foi um enorme sucesso na China, e a busca de Isaura por liberdade e amor emocionou centenas de milhões de telespectadores chineses.” Em seu discurso ao Congresso brasileiro em 2014, o presidente Xi Jinping também mencionou essa produção televisiva.

A telenovela “Isaura”, ambientada no século XIX, período da escravidão, conta a comovente história da luta de uma jovem escrava por liberdade e amor verdadeiro. Lucélia Santos, a atriz que interpretou Isaura, declarou em entrevista à Xinhua: “As palavras do presidente Xi Jinping me deixam imensamente honrada e grata. Jamais imaginei que uma telenovela pudesse se tornar um elo cultural entre a China e o Brasil, o que me faz acreditar ainda mais que a arte pode transcender fronteiras.”

Em 1985, Santos ganhou o prêmio de Melhor Atriz Estrangeira no Golden Eagle Awards da Televisão Chinesa por esta série, tornando-se a primeira atriz estrangeira a receber essa honraria. Desde então, ela visitou a China em diversas ocasiões; também convidou parceiros chineses ao Brasil para filmar documentários e trocar ideias sobre roteiros, e atualmente está promovendo dois projetos de cooperação. Ao longo dos anos, ela continua a receber demonstrações de carinho do público chinês, uma amizade que transcende décadas e reforça sua determinação em continuar participando do intercâmbio cultural entre o Brasil e a China.

Do sucesso de “A Escrava Isaura” na China à atual popularidade das produções audiovisuais chinesas no Brasil, o intercâmbio cinematográfico e televisivo entre as duas nações passou por um desenvolvimento significativo, evoluindo de uma “transmissão unilateral” para um “encontro bilateral”.

Uma menina participa de atividades culturais chinesas como parte da celebração do 5º Festival da Cultura Chinesa no Estado da Paraíba, em 7 de março de 2026. (Xinhua/Zhou Yongsui)

Em 2022, a marca de distribuição internacional de conteúdo audiovisual chinês, “China Zone”, foi oficialmente lançada no Brasil, permitindo que o público brasileiro tivesse acesso a filmes, séries, documentários e animações chinesas com legendas em português por meio de plataformas locais, aprendendo assim mais sobre a China e sua cultura.

Além disso, em 2024, diversas obras como “O Problema dos Três Corpos” e “Nirvana em Chamas” foram traduzidas e legendadas para o português, chegando aos lares de inúmeros assinantes de televisão no Brasil.

Em maio de 2025, em seu discurso de abertura na quarta reunião ministerial do Fórum China-CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), o presidente Xi Jinping propôs que a China e a América Latina trabalhassem juntas em cinco programas de intercâmbio. Entre eles, mencionou que a China exibiria filmes e programas de televisão chineses como parte do projeto “The Bond”. A China e a América Latina e o Caribe também trabalhariam na tradução mútua de 10 séries de televisão ou programas audiovisuais populares a cada ano.

A atriz de “Isaura, a Escrava” acredita que “as telenovelas são uma forma popular de obter conhecimento sobre a economia e a sociedade de um país”.

Ele prevê com entusiasmo que o intercâmbio cultural entre a China e o Brasil atingirá um novo patamar. Em sua visão, por meio da televisão, os povos de ambos os países percebem os modos de vida e os valores uns dos outros, gerando uma conexão cultural que oferece um “exemplo sino-brasileiro” para o intercâmbio entre civilizações em escala global.

Santos acredita que o Ano da Cultura China-Brasil tem um significado profundo. Durante sua visita ao Brasil, o presidente Xi Jinping citou o provérbio: “A amizade é como o vinho; quanto mais velha, melhor”. Lembrando-se dessa citação, Santos afirmou que o intercâmbio aproxima os corações dos dois povos e fortalece continuamente a amizade entre as duas nações.

A 21ª Feira de Dísticos de Laoximen foi inaugurada em 12 de fevereiro no Templo da Cultura de Xangai. O estudante brasileiro de intercâmbio Eduardo (à esquerda) exibe a caligrafia com o tema do Ano do Cavalo que recebeu de presente. (Xinhua/Wen Zhe)

Um futuro promissor para a amizade entre a China e o Brasil

Em 2024, o presidente Xi respondeu a uma carta enviada por personalidades amigas de diversos setores do Brasil, incluindo membros da Orquestra do Forte de Copacabana, incentivando-os a continuar contribuindo para a causa da amizade entre a China e o Brasil.

Em sua carta de resposta, o presidente Xi observou que estava satisfeito em ver como a causa da amizade entre a China e o Brasil é transmitida de geração em geração e tem novos sucessores.

A diretora artística da orquestra, Márcia Melchior, afirmou que “tal incentivo é uma grande honra para a nossa banda”, acrescentando que o grupo sempre se dedicou à formação de novas gerações para promover o intercâmbio cultural, “porque elas representam o futuro promissor da amizade entre a China e o Brasil”.

A Orquestra do Forte de Copacabana é muito aclamada no Rio de Janeiro. É composta principalmente por jovens, em sua maioria adolescentes, de famílias de baixa renda. O grupo, que esteve à beira da dissolução devido a dificuldades financeiras, foi reativado em 2022 graças a uma doação de uma empresa chinesa.

Imagem de 14 de dezembro de 2024, mostrando membros da Banda do Forte de Copacabana posando para uma foto no Rio de Janeiro, Brasil. (Xinhua/Wang Tiancong)

Atualmente, todo último sábado do mês, a banda organiza um concerto ao ar livre no Forte de Copacabana. Canções em chinês, interpretadas pela vocalista Isabella, como “Eu te amo, China” e “Como você desejar”, sempre são recebidas com entusiasmo pelo público local.

Em setembro de 2024, por ocasião do 50º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e o Brasil, a banda foi convidada a fazer uma turnê pela China.

“Cada apresentação foi uma troca espiritual, um passo importante rumo à amizade e à compreensão. O entusiasmo do público chinês nos comoveu e confirmou que a música é uma linguagem sem fronteiras”, comentou Melchior, relembrando essa experiência.

A amizade se enraíza na melodia. Atualmente, a Orquestra do Forte de Copacabana mantém contato com diversas instituições com o objetivo de organizar concertos conjuntos com músicos chineses, além de workshops e projetos de intercâmbio cultural. Melchior acredita que a música continuará sendo o elo que permitirá às novas gerações salvaguardar e expandir o legado de integração cultural entre os dois países.

Por Chen Yao e Zhao Yan/Xinhua Espamhol

 

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