Antes do plantio do novo gramado, obra instala irrigação automatizada e prepara a estrutura para a reabertura
A recuperação do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, começa onde o torcedor não vê. Muito antes da chegada da nova grama, máquinas trabalham debaixo da terra para instalar quilômetros de tubulações, separar completamente as redes de água e energia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e preparar a estrutura que dará sustentação ao novo campo. É uma etapa silenciosa, mas considerada decisiva para que o principal palco do futebol sul-mato-grossense volte a funcionar após quatro anos de portas fechadas.
Depois da retirada de cerca de 60 caminhões de terra e do antigo gramado, a obra entrou na fase de implantação do sistema de irrigação automatizado. O campo foi dividido em sete setores para receber a rede de tubulações, que abastecerá toda a área de forma computadorizada. O sistema poderá ser controlado tanto por computador quanto por aplicativo, permitindo monitoramento remoto da irrigação.

Segundo Chita, a substituição da grama pela Bermuda Celebration representará uma mudança significativa – Foto: Nilson Figueiredo
“Foi realizada a retirada da grama, praticamente 60 caminhões de terra e de grama, e aí já entrou o processo de irrigação. O campo está sendo dividido em sete fatias. Toda a irrigação será computadorizada, operada por computador e também por aplicativo”, explica para O Estado o gestor do estádio, André Luís Chita.
Segundo ele, expectativa é que essa etapa seja concluída entre dez e quinze dias. Em seguida, terá início o plantio da nova grama, cujo cronograma depende diretamente das condições climáticas. A proximidade do período chuvoso exige um planejamento conjunto entre a empresa responsável e a equipe técnica que acompanha a obra.
Mais do que instalar um moderno sistema de irrigação, a intervenção representa uma mudança estrutural no funcionamento do estádio. Atualmente, o abastecimento de água ainda depende da infraestrutura compartilhada com a universidade, realidade que será alterada antes da reabertura.
Segundo Chita, estudos realizados durante visitas técnicas a outras arenas brasileiras mostraram que um estádio desse porte consome, em média, cerca de 100 mil litros de água por semana apenas para manutenção do gramado. Por isso, além da separação das redes hidráulica e elétrica da UFMS, o Governo do Estado estuda a perfuração de um poço artesiano para garantir autonomia no abastecimento.
“Em média, são consumidos 100 mil litros de água por semana. Então fica inviável não ter um poço artesiano”, afirma o gestor. O projeto está sendo analisado pela Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), responsável pelas obras estruturais.
A mesma grama do Maracanã
Se a transformação começa sob a terra, ela ficará evidente na superfície. O Morenão receberá a grama Bermuda Celebration, variedade utilizada no Maracanã e em outras grandes arenas brasileiras, escolhida após estudos sobre as características climáticas de Mato Grosso do Sul.
De acordo com Chita, a substituição representa uma mudança significativa em relação ao antigo gramado. Desenvolvida para suportar alto desgaste e rápida recuperação, a Bermuda Celebration apresenta elevada densidade, maior resistência ao pisoteio e melhor capacidade de regeneração, características fundamentais para estádios que recebem partidas frequentes e eventos diversos.
“A diferença será absurda, da água para o vinho. Houve um estudo levando em consideração as peculiaridades climáticas do nosso Estado. Tenho certeza de que será um piso muito bom, muito propício para grandes eventos”, destaca Chita.
A escolha também acompanha uma tendência nacional. Nos principais estádios brasileiros, o investimento em gramados de alto desempenho deixou de ser apenas uma questão estética e passou a ser tratado como elemento essencial para a qualidade técnica das partidas, redução de custos de manutenção e preservação da superfície durante toda a temporada.
Enquanto a FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul), em parceria com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), executa a substituição do gramado, o Governo do Estado conduz as intervenções estruturais necessárias para a reabertura.
Além da separação das redes de água e energia, estão previstas reformas nas cabines de imprensa, modernização da iluminação, recuperação da parte elétrica, implantação de novo placar eletrônico e estudos sobre o fechamento do fosso — elemento já eliminado da maioria das arenas modernas brasileiras.
Também estão sendo instalados os novos bancos de reserva, financiados pela CBF, e uma empresa deverá ser contratada para executar as obras estruturais previstas no investimento estadual de R$ 16,7 milhões.
Outro avanço recente foi o reforço da segurança patrimonial. Desde que o estádio deixou de ser administrado pela UFMS e passou oficialmente para o Governo do Estado, agentes patrimoniais passaram a atuar diariamente no local para evitar invasões e furtos de cabos elétricos, problema recorrente durante o período de abandono.
Mesmo com diversas frentes de trabalho em andamento, a expectativa oficial continua sendo entregar o estádio apto para utilização em janeiro do próximo ano, coincidindo com o início do Campeonato Sul-Mato-Grossense. O prazo, no entanto, depende da conclusão das licitações públicas responsáveis pelas obras estruturais.
Segundo Chita, o desafio agora não é apenas recuperar o Morenão, mas garantir que ele não volte a enfrentar um novo ciclo de deterioração. A gestão já discute com o Governo do Estado a formação de equipes permanentes de manutenção, limpeza e conservação do gramado, além da futura implantação de um modelo de gestão por parceria público-privada.
A proposta é transformar o estádio em uma arena multiuso, preparada para receber não apenas partidas de futebol, mas também grandes eventos culturais, seguindo um modelo já consolidado em diversas capitais brasileiras.
“O objetivo principal passa a ser justamente a manutenção, que é tão importante quanto as demais. Queremos manter o estádio sempre pronto para receber grandes eventos”, afirma o gestor. “A ideia é atrair uma grande empresa que tenha capacidade de administrar esse equipamento”, diz ele, que até brinca: “Aqui vai ter até jogo de futebol”, ao afirmar que o estádio estará aberto e preparado para receber qualquer tipo de evento.
Por Ricardo Prado
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