Primeiro lugar no Ideb na Capital; escola adapta ensino às dificuldades dos alunos

Foto: Roberta Martins
Foto: Roberta Martins

E. M. Prof. Geraldo Castelo produz atividades específicas para ajudar na aprendizagem

A Escola Municipal Professor Geraldo Castelo mantém uma rotina de acompanhamento dos alunos que inclui atividades preparadas de acordo com as dificuldades apresentadas em sala de aula. Entre as estratégias está a produção de apostilas individuais pelas coordenadoras, utilizadas pelos professores com os estudantes e também levadas para casa. A prática é adotada pela unidade que alcançou nota 7,2 nos anos iniciais do ensino fundamental no Ideb 2025 (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), a maior entre as escolas de Campo Grande nesta etapa.

A diretora Priscila Rodrigues de Souza, que está há 13 anos na gestão da escola, explica que o trabalho considera os diferentes níveis de aprendizagem encontrados nas turmas. A unidade atende crianças do Grupo 4 da Educação Infantil ao 5º ano, com estudantes de 4 a 11 anos, distribuídos em 24 turmas nos períodos da manhã e da tarde.

Segundo a diretora, as salas reúnem alunos que aprendem em ritmos diferentes e que apresentam necessidades distintas. “A gente não consegue pegar uma sala uniforme. Não existe mais isso. Você tem aquele que aprende com mais facilidade e outro que tem uma dificuldade. São vários níveis de aprendizagem que você pega”, afirma.

A partir dessa realidade, a coordenação acompanha os estudantes que apresentam maior dificuldade e prepara atividades específicas. O material é produzido de acordo com a necessidade de cada criança e pode ser utilizado tanto na escola quanto em casa. “As coordenadoras constroem apostilas individuais para o professor trabalhar individualmente com a criança em sala e o ela também conseguir estudar em casa, para que não fique tão aquém daqueles que já estão mais avançadas.”, relata Priscila.

As apostilas também podem incorporar elementos que fazem parte do interesse da criança. Um estudante que demonstra interesse específico por determinado personagem, por exemplo, pode ter imagens e referências relacionadas a esse universo inseridas no material. A proposta é trabalhar os conteúdos que precisam ser desenvolvidos utilizando uma forma de apresentação que faça sentido para aquele aluno.

Atividades são definidas a partir das avaliações

A identificação das dificuldades ocorre durante o acompanhamento das atividades e dos resultados das avaliações. A escola realiza provas mensais e bimestrais e, quando o desempenho mostra que determinado conteúdo não foi assimilado, os professores voltam ao assunto com novas atividades.

Priscila explica que a equipe procura identificar essas dificuldades durante o processo escolar, sem deixar o acompanhamento restrito aos períodos de recuperação. “Estamos buscando no dia a dia quais são as dificuldades da criança. Não podemos deixar passar um mês ou dois para depois tentar retomar o assunto. Se o estudante está com dificuldade, precisamos resgatar aquele conhecimento que ficou para trás”, afirma.

O acompanhamento também envolve as famílias. Durante as reuniões para entrega de boletins e em encontros individuais, os responsáveis são chamados quando a equipe identifica dificuldades. A escola apresenta a situação e orienta os familiares sobre as atividades que podem ser realizadas em casa.

Em alguns casos, a apostila preparada pela coordenação é levada pelo estudante para continuar o trabalho com a família. Segundo Priscila, os responsáveis também podem buscar reforço escolar por conta própria.

A unidade tem 420 alunos e, conforme a diretora, 67 possuem laudo médico. Esses estudantes estão distribuídos pelas turmas e participam das atividades e avaliações junto aos demais alunos, com acompanhamento dos professores e profissionais de apoio.

Simulados entram na rotina dos quartos e quintos anos

Outra estratégia utilizada pela escola envolve os simulados. Uma das coordenadoras participou por uma formação relacionada ao Ideb e, depois disso, passou a trabalhar com os professores atividades direcionadas aos estudantes dos quartos e quintos anos.

De acordo com Priscila, os simulados são utilizados para que os estudantes compreendam o conteúdo e aprendam a lidar com esse tipo de atividade. A diretora afirma que o trabalho não é baseado na memorização das respostas. “Ele não pode ser decorativo. Se a criança fizer um simulado para que ela decore, quando vier a prova, ela não vai saber fazer, então tem que aprender e não decorar”, relata.

Pontuação do Ideb 2025 cresceu na Capital

O Ideb 2025 apontou crescimento da Rede Municipal de Ensino nos anos iniciais do ensino fundamental. O índice de Campo Grande passou de 5,3, em 2023, para 5,7 em 2025. Nos anos finais, a nota passou de 4,7 para 4,8.

Criado em 2007, o Ideb combina o desempenho dos estudantes nas provas do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) com as taxas de aprovação registradas pelo Censo Escolar. Em 2025, o Saeb avaliou cerca de 5,9 milhões de estudantes, distribuídos em 73,7 mil escolas de todo o país.

Por Biel Gill

 

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