Conselho Estadual de Educação altera monitoramento das metas após resultados “insatisfatórios”

Foto: Bruno Rezende/arquivo
Foto: Bruno Rezende/arquivo

Professora Celi Neris aponta que índices baixos podem estar relacionados às mudanças aplicadas na pandemia

Dados apresentados pelo TCE/MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul) demonstram que apenas três cidades do Estado atingiram níveis satisfatórios de cumprimento das metas dos Planos Municipais e Estaduais de Educação, baseados no Plano Nacional. Os dados são da RATMA (Rede de Assistência Técnica para Monitoramento e Avaliação dos Planos Municipais) e estão passando por análise do Conselho Estadual de Educação, um dos entes responsáveis pela formulação dos objetivos.

Ao todo, o plano prevê 20 metas, como universalização do ensino, alfabetização das crianças até o final do 3º ano, implantação do ensino integral em 50% das escolas e aumento da taxa de alfabetização e dos investimentos na Educação. No entanto, os índices revelam que a maior parte dos objetivos ainda não foi alcançada ou está em níveis insatisfatórios na maioria dos municípios de MS.

Ainda de acordo com o relatório, mais de 30% das cidades — 16 prefeituras deixaram de declarar os dados ao RATMA— não alcançaram níveis satisfatórios em relação à proficiência em leitura e escrita nas turmas de 2º ano do ensino fundamental. No 3º ano do fundamental, apenas 10 cidades apresentaram resultados satisfatórios para esta meta.

Outros municípios alcançaram a meta de proficiência parcialmente, sendo que 15,2% não chegaram a cumprir o objetivo.

Conhecimento matemático
Outro resultado que chama a atenção é o de aprendizagem de Matemática, tópico em que apenas quatro municípios declararam cumprimento do indicador. No mesmo objetivo, 39,2% das prefeituras apontaram que o o requisito “não se aplica”, o que levanta, de acordo com a Corte de Contas, um questionamento quanto à incorporação do PNE (Plano Nacional de Educação) no planejamento da educação dos municípios.

Em análise do relatório, a conselheira do Conselho Estadual de Educação, ente envolvido na formulação das metas do Plano de Educação Estadual, Celi Correa Neris, afirmou que uma das estratégias adotadas para a melhora dos índices apresentados atual,ente, além da continuidade do acompanhamento do cumprimento das metas de forma ao final de cada ciclo, que dura 1 ano, as metas não alcançadas serão reformuladas para que sejam cumpridas até o final da validade do Plano.

“Estamos elaborando o Plano Estadual de Educação de 2026 a 2036, que está sendo dividido em grupos de trabalhos. Esse GTs estão trabalhando nesse diagnóstico dos municípios e, neste novo, a ideia é trabalhar com o monitoramento das metas a cada ciclo, ou seja ano a ano, como já vinha sendo feito, mas, agora,. vamos reprogramar as metas que não foram alcançadas e propor uma correção das distorções apresentadas”, explicou, pontuando que isso evitará que os índices ruins sejam corrigidos ao fim do plano, daqui 10 anos.

Consequências da pandemia
Embora o início da pandemia de Covid-19 tenha sido declarado em 2020 com término apenas em 2023, ou seja, há três anos, as consequências causadas na educação formal de crianças e adolescentes ainda permanecem. De acordo com Celi Neris, embora os municípios tenham responsabilidade nos índices apresentados, especialmente pela falta de monitoramento, as falhas também se devem, ainda, pelos atrasos causados pelo EaD (Educação à Distância) adotada à época do distanciamento social.

“Alguns indicadores baixos também se justificam pela pandemia, porque tivemos um apagão na questão da aprendizagem, especialmente na alfabetização, porque, muitas crianças ficaram até dois anos praticamente com o ensino remoto, e nós sabemos que muitas famílias não têm condições efetivas de fazer esse acompanhamento, porque, às vezes, até os pais não são alfabetizados”, destacou.

A recuperação da educação em Mato Grosso do Sul conta com o MS Alfabetiza, coordenado pelo Ministério da Educação, por meio da Frente Nacional em Defesa da Infância, com a participação de diversas entidades, como a Associação Brasileira de Alfabetização.

Por Ana Clara Julião

 

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