Tarifaço dos EUA de 25% pode atingir setores estratégicos de Mato Grosso do Sul

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Nova tarifa proposta já preocupa exportadores brasileiros; especialista aponta impactos no agronegócio, mineração e serviços financeiros.

O governo brasileiro pretende manter as negociações com os Estados Unidos de Donald Trump e vê chance de evitar um novo tarifaço mesmo depois de autoridades americanas proporem um aumento de 25% nas alíquotas de importação de produtos do Brasil. A alegação é de que algumas práticas do Brasil são desleais. E a proposta, divulgada nesta terça-feira (2), veio ao fim de uma investigação comercial americana com base no que é conhecido como “Seção 301″.

Paralelamente, os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçaram o discurso de soberania nacional, Dessa vez, as falas devem conter referências ao Pix, meio de pagamento querido pelos brasileiros e que é atacado no relatório produzido pelas autoridades americanas.

Para o economista Eugênio da Silva, o tarifaço é um movimento que visa atingir a economia em várias frentes, inclusive no estado sul-mato-grossense. ” Os setores mais atingidos serão o agronegócio, indústria extrativista e serviços financeiros. Em Mato Grosso do Sul, com volumosos negócios com os BRICS, vêm desafiando a hegemonia americana. Corumbá, grande exportador de minérios, será atingido com essa tarifa; a produção bovina e a indústria de alimentos (frigoríficos) também sentirão as tarifas, exceto algumas carnes que serão isentas, pois o consumidor americano depende delas”, afirmou.

O governo brasileiro esperava que novas tarifas fossem propostas ao fim da investigação comercial americana. A análise era de que o procedimento havia sido aberto para pressionar o Brasil a fazer concessões comerciais aos Estados Unidos.

Por essa lógica, haveria a possibilidade de evitar que as novas taxas entram em vigor dependendo de como as conversas avançarem nas próximas semanas. Aplicar ou não a proposta derivada da investigação comercial é uma decisão que caberá a Trump.

Ainda em entrevista exclusiva ao jornal, o especialista relata que o governo americano é afetado de forma negativa pelo pix no Brasil. “As principais bandeiras de cartão de crédito mundiais são americanas, e desde o surgimento do pix, elas perderam os recursos de taxas de uso no país, reduzindo a remessa de lucro destas modalidades financeiras”.

“Os reflexos da nova taxação americana vai prejudicar negócios no Brasil, como forma de obrigar o Brasil a aceitar as regras de finanças de Wall Street, ainda mais em período pré eleitoral, sendo que os prejuízos econômicos financeiros se assemelham aos boicotes econômicos aplicados em diversos países do mundo, pela perda de poder geopolítico na América Latina”, completou.

O que motivou essa nova taxa?

A proposta do governo Donald Trump de impor uma nova tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros é resultado de uma investigação aberta há quase um ano pelos Estados Unidos. Em julho de 2025, o governo Trump abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

O documento que deu origem ao processo apontava supostas práticas prejudiciais aos interesses americanos. Entre elas estavam o tratamento dado ao Pix, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, a venda de produtos falsificados na rua 25 de Março, tarifas de importação, questões ligadas ao etanol e o combate ao desmatamento ilegal.

A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que fez a sugestão de um novo tarifaço como resposta ao que vê como práticas comerciais injustas do Brasil. A decisão sobre aplicação ou não cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Agora, o USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho.

“Lancei esta investigação sob a Seção 301 por determinação do presidente Trump para tratar de preocupações antigas e persistentes dos Estados Unidos em relação a determinadas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros, que se intensificaram nas últimas semanas”, afirma o embaixador dos EUA, Jamieson Greer.

Por Polyana Vera

 

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