Considerada peça-chave para a logística de MS, a concessão da Malha resiste aos atrasos
Ministério do Transportes deu um passo importante para tirar a Malha Oeste do papel novamente e atrair um novo concessionário para recuperar a ferrovia. Na prática, isso pode representar R$ 3,6 bilhões em investimentos para reformar trechos que hoje estão degradados ou sem operação.
A medida foi oficializada por meio de portaria publicada nesta terça-feira (9) no Diário Oficial da União e representa mais um avanço no processo de reestruturação da ferrovia, que há anos enfrenta problemas de infraestrutura e competitividade.
Em especialmente para Mato Grosso do Sul, a medida trás melhorias para o transporte de cargas do estado, como é o caso da soja, milho, minério, celulose, carne e outros produtos.
A modelagem prevê investimentos de R$ 3,6 bilhões para a recuperação e retomada operacional de parte da malha ferroviária, considerada fundamental para o escoamento da produção agropecuária e industrial de Mato Grosso do Sul.
A concessão da Ferrovia Malha Oeste, considerada estratégica para Mato Grosso do Sul, permanece entre os poucos projetos ferroviários do governo federal que ainda têm previsão de leilão em 2026, apesar dos sucessivos atrasos no cronograma nacional de concessões. Atualização do calendário do Ministério dos Transportes mostra que, das nove ferrovias previstas para serem ofertadas ao mercado, apenas três seguem com expectativa concreta de serem licitadas neste ano.
De acordo com o plano, os recursos serão aplicados de forma escalonada, com desembolsos anuais de até R$ 500 milhões. O objetivo é viabilizar a recuperação de trechos considerados prioritários e ampliar a capacidade logística do corredor ferroviário.
Além do tronco principal entre Corumbá e Mairinque, a nova concessão deverá incluir os ramais que conectam Corumbá a Ladário, Agente Inocêncio a Porto Esperança e Ponta Porã a Campo Grande. A proposta também prevê a futura incorporação do trecho entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado, no leste sul-mato-grossense, além do Ferroanel Norte, em São Paulo.
A expectativa é que a modernização da Malha Oeste fortaleça a logística regional, reduza custos de transporte e aumente a competitividade dos produtos sul-mato-grossenses nos mercados nacional e internacional. A ferrovia é vista como um eixo estratégico para o transporte de commodities agrícolas, minério, celulose e produtos industriais, setores que têm grande peso na economia estadual.
Com a aprovação do plano de outorga, o projeto avança para as próximas etapas necessárias à definição do novo modelo de concessão e à atração de investidores interessados em assumir a operação da ferrovia.
A aprovação do Plano de Outorgas é mais uma etapa para viabilizar a concessão da Malha Oeste. O projeto será analisado pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e, em seguida, pelo Tribunal de Contas da União. Após essas avaliações, o processo poderá avançar para a publicação do edital.
Segundo o Ministério dos Transportes, o cronograma foi ajustado para incorporar recomendações técnicas e aumentar a segurança jurídica do projeto. A expectativa do governo é lançar o edital em agosto e realizar o leilão ainda em 2026.
Para este ano
O ministro dos Transportes, George Santoro, traçou, nesta terça-feira (9), durante participação no programa Bom Dia, Ministro, um panorama dos investimentos realizados por esta gestão do Governo Federal em ferrovias no país. Para George Santoro, sem o apoio do Estado não é possível reverter o longo ciclo de desinvestimentos em ferrovias que o Brasil enfrentou.
“A gente tinha 35 mil quilômetros de ferrovia. Construímos mais ferrovia no Império que na República. E abandonamos as ferrovias no Brasil. Hoje a gente tem 10 mil quilômetros operacionais”, revelou
Ao debater a atual realidade das ferrovias no Brasil, George Santoro ressaltou a importância da Política Nacional de Concessões Ferroviárias. Considerado um dos maiores ciclos de investimentos do setor ferroviário nas últimas décadas, a política prevê oito leilões em 2026 nos seguintes estados: Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Mato Grosso, Ceará e Pernambuco.
Cerca de R$ 160 bilhões estão sendo investidos. Os projetos integram a estratégia do Governo do Brasil para ampliar a participação do modal ferroviário na matriz logística brasileira, elevando-a dos atuais 17,7% para 34,6% até 2035, conforme metas estabelecidas no Plano Nacional de Logística (PNL 2035). As iniciativas são estruturantes para a logística nacional e têm potencial para movimentar cerca de R$ 600 bilhões nos próximos anos.
“Fizemos a primeira política pública de concessões ferroviárias da história do Brasil. Melhoramos a regulação. Assumimos que o setor privado, sozinho, não é capaz de tocar uma carteira de ferrovias. A carteira de ferrovias do mundo inteiro foi desenvolvida com o governo entrando em ferrovia. Não existe ferrovia no mundo em que o governo não entrou. Para ter só o setor privado são pequenos projetos, short lines, que carregam cargas próprias em casos excepcionais. A regra geral no mundo é que o governo participa. E isso o Brasil tinha vergonha. Na retomada do presidente Lula ao governo a gente retomou isso”, explicou.
Atrasos
A Ferrovia Malha Oeste voltou ao centro da agenda nacional de infraestrutura. Incluída pelo Ministério dos Transportes e pela ANTT no calendário de concessões de 2026, com abertura de edital em abril e leilão previsto para novembro, a ferrovia que corta 600 quilômetros de Mato Grosso do Sul ganha um novo fôlego após uma década de impasses regulatórios e tentativas frustradas de repactuação.
O avanço integra a primeira Política Nacional de Concessões Ferroviárias e uma carteira inédita de projetos logísticos, que prevê quase R$ 290 bilhões em investimentos em ferrovias e rodovias neste ano.
Para o ex-secretário estadual, Jaime Verruck, a definição do cronograma representa “um avanço estratégico para o futuro logístico de Mato Grosso do Sul”, após anos de tratativas, interrupções e impasses no Tribunal de Contas da União.
“A Malha Oeste, fundamental para o escoamento da produção sul-mato-grossense, está entre as três únicas concessões ferroviárias que ainda possuem previsão de leilão neste ano”
Por Suzi Jarde
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