Preço dos alimentos recuou 4,37% em julho, mas acumula alta de 4,30% em 12 meses
Em julho, foram necessárias 109 horas e 49 minutos de trabalho para comprar os produtos básicos pesquisados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em parceria com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O levantamento considera o salário mínimo de R$ 1.621.
O tempo exigido, porém, caiu em relação a junho, quando eram necessárias 114 horas e 50 minutos. A redução acompanha a queda de 4,37% no custo da cesta, que passou a R$ 809,08. Ainda assim, o trabalhador que recebe o piso nacional precisou destinar 53,96% da renda líquida para comprar os alimentos básicos. Em junho, essa parcela era de 56,43%.
O comportamento dos preços em Campo Grande acompanha parte do movimento observado no restante do país. Em julho, o custo da cesta básica caiu em 26 das 27 capitais pesquisadas pelo Dieese e pela Conab. A única alta ocorreu em São Luís, com variação de 0,30%.
Queda no mês não apaga alta no ano
A redução registrada em julho ainda não foi suficiente para eliminar as altas acumuladas ao longo de 2026. De janeiro a julho, a cesta básica de Campo Grande acumula aumento de 4,28%. Na comparação com julho de 2025, a alta chega a 4,30%.
No acumulado do ano, seis produtos ficaram mais caros na Capital. O tomate lidera, com alta de 60,27%, seguido pela batata (47,55%), feijão carioca (39,09%), carne bovina de primeira (1,94%), arroz agulhinha (1,25%) e pão francês (1,22%).
Outros sete itens registraram redução no período: açúcar cristal (-20,79%), café em pó (-16,51%), banana (-13,61%), óleo de soja (-13,20%), farinha de trigo (-7,34%), manteiga (-4,38%) e leite integral (-1,57%).
Capital tem sexta cesta mais cara
Com o valor de R$ 809,08, Campo Grande aparece entre as capitais com cesta básica mais cara do país. Em julho, ficou atrás apenas de São Paulo (R$ 915,01), Cuiabá (R$ 881,27), Florianópolis (R$ 860,73), Rio de Janeiro (R$ 855,37) e Porto Alegre (R$ 841,94).
Na outra ponta, Aracaju apresentou o menor custo, de R$ 594,07. A diferença entre a cesta mais cara e a mais barata chegou a R$ 320,94.
Considerando as 27 capitais, o tempo médio necessário para adquirir os alimentos básicos foi de 100 horas e 24 minutos em julho, abaixo das 105 horas e 51 minutos registradas em junho. A média também ficou menor que a de julho de 2025, quando foram necessárias 103 horas e 40 minutos.
Mesmo com a melhora mensal, o levantamento mostra que o custo da alimentação continua distante do que seria suficiente para cobrir todas as despesas de uma família. O Dieese estimou em R$ 7.687,01 o salário mínimo necessário, em julho, para a manutenção de uma família de quatro pessoas. O valor equivale a 4,74 vezes o piso nacional de R$ 1.621.
Dez dos 13 produtos ficaram mais baratos
A redução mensal foi puxada por boa parte dos itens que compõem a cesta. Dos 13 produtos pesquisados em Campo Grande, 10 tiveram queda de preço entre junho e julho.
A maior retração ocorreu na batata, que ficou 26,13% mais barata, seguida pelo tomate (-18,60%), feijão carioca (-7,91%), açúcar cristal (-7,54%) e café em pó (-5,19%). Também houve redução nos preços médios da manteiga (-2,47%), leite integral (-2,41%), banana (-1,72%), óleo de soja (-1,55%) e farinha de trigo (-0,46%).
Na direção contrária, três produtos ficaram mais caros: o arroz agulhinha subiu 1,25%, a carne bovina de primeira teve alta de 0,67% e o pão francês aumentou 0,44%.
Por Djeneffer Cordoba