“Não sei mexer no aplicativo”: greve da Caixa deixa clientes com serviços pendentes

FOTO: ROBERTA MARTINS
FOTO: ROBERTA MARTINS

Com quase 100% das agências paralisadas em MS, clientes podem recorrer aos canais digitais

A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal teve adesão de quase 100% das agências em Mato Grosso do Sul, segundo o Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região. Mesmo com a paralisação, os clientes que precisam realizar operações bancárias podem contar normalmente com os canais digitais e remotos da instituição. Aplicativos como App CAIXA, Internet Banking CAIXA e CAIXA Tem, além do WhatsApp CAIXA, permitem acesso a diferentes serviços sem a necessidade de atendimento presencial, segundo informou a assessoria de comunicação da estatal.

Apesar dos canais digitais e remotos durante a greve, alguns clientes ainda enfrentam dificuldades para resolver serviços que dependem do atendimento presencial. É o caso da aposentada Sebastiana de Souza, de 64 anos, que relata problemas para realizar o pagamento do penhor durante a paralisação.

“Pra começo nem mexer nesse aplicativo eu sei direito. Não sei nem se é possível fazer o pagamento do penhor por lá, só espero que não tenha que pagar juros ou multa por atraso”, lamenta.

Mesmo enfrentando dificuldades para resolver a situação, Sebastiana afirma compreender as reivindicações dos trabalhadores e reconhece a importância da mobilização da categoria. “Não menosprezo a greve deles, pois estão buscando pelos seus direitos e melhorias nas condições de salários. Só peço que as pessoas competentes do banco também entendam o lado dos clientes”, frisa a aposentada.

Em Campo Grande, os trabalhadores realizam um ato em frente ao prédio da Superintendência Regional na Rua Euclides da Cunha, como parte da mobilização para pressionar o banco durante a campanha nacional.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, Neide Rodrigues, destacou a importância da forte adesão da categoria na greve. Segundo ela, o engajamento dos trabalhadores demonstra indignação com a atual gestão do banco e foi essencial para pressionar a instituição a retomar a negociação.

“Os trabalhadores estão presentes, dialogando e demonstrando sua indignação com a postura do banco, com o apoio total do sindicato. A expectativa é de que a Caixa apresente hoje uma proposta que contemple as reivindicações da categoria, que está fortemente mobilizada em todo o país em uma das greves com maior adesão de empregados”, disse Neide Rodrigues

Agora, o cenário pode mudar com a retomada das negociações. A Caixa marcou para esta quarta-feira uma nova reunião com os representantes dos empregados. O encontro ainda será realizado e, até o momento, não há uma nova proposta oficial apresentada pelo banco.

A reunião ocorreu depois de a instituição ter sinalizado que poderia levar o impasse para dissídio coletivo. Diante da paralisação e das manifestações organizadas pelos trabalhadores em diferentes regiões, a Caixa recuou e decidiu reabrir o diálogo com as entidades sindicais.

Saúde Caixa

Embora a pauta da campanha envolva diferentes reivindicações, o principal obstáculo nas negociações está relacionado ao Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados.

A proposta apresentada pelo banco prevê uma mudança na forma de custeio do benefício. Atualmente, a cobrança segue um modelo que considera, entre outros fatores, a composição familiar. A nova sistemática apresentada pela Caixa aumenta a participação dos empregados e estabelece percentuais vinculados à faixa etária.

Para o sindicato, a alteração pode representar aumento significativo no custo do plano, principalmente para os trabalhadores mais velhos, justamente aqueles que, em geral, têm maior utilização do serviço de saúde.

A proposta também prevê mudanças na coparticipação e na participação da própria Caixa no financiamento do plano. Para os representantes dos trabalhadores, porém, as alterações no modelo de cobrança não solucionam o problema e precisam ser revistas.

Até o fechamento desta edição, as partes não haviam chegado a um acordo. O Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região afirma que a mobilização deve continuar até que haja avanços nas negociações.

Por Isis Maciel

 

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