Em Mato Grosso do Sul, será que a população tem essa mesma aceitação sobre o novo modelo de trabalho?
A proposta de extinguir a escala de trabalho 6×1 tem apoio de 66% dos moradores do Centro-Oeste, segundo pesquisa Genial Quaest divulgada às vésperas da apresentação do relatório da PEC que reduz a jornada semanal de trabalho no Congresso Nacional.
O levantamento ouviu 2.004 brasileiros com mais de 16 anos entre os dias 8 e 11 de maio. O índice registrado no Centro-Oeste aparece em conjunto com o Norte do país e repete o percentual observado no Sudeste. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
No país, 68% dos entrevistados defendem o fim da escala 6×1. Outros 22% rejeitam a mudança e 7% não souberam responder. Em dezembro, o apoio à redução da jornada alcançava 72%.
A proposta em debate na Câmara prevê redução da carga semanal de 44 para 40 horas e adoção da escala 5×2 . O parecer será apresentado nesta quarta-feira (20) pelo relator da comissão, deputado Leo Prates (Republicanos-BA).
Ao detalhar a proposta, o parlamentar afirmou que o texto não impõe redução da jornada de quem já trabalha menos. “Nós estamos tratando de diminuição do teto máximo e não de compressão de jornada. Quem está abaixo de 40 horas continua com sua jornada de trabalho”.
A divisão regional da pesquisa coloca o Nordeste com o maior índice de apoio à mudança, com 72% dos entrevistados favoráveis. O Sul registra 63%.
No recorte de Centro-Oeste e Norte, 22% se posicionam contra o fim da escala 6×1. Outros 9% disseram não saber responder e 3% afirmaram não ser nem favoráveis nem contrários.
A pesquisa também identificou efeito da polarização política sobre o debate da jornada de trabalho. Entre eleitores alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o apoio caiu de 92% em dezembro para 76% no levantamento atual.
Entre eleitores de esquerda não ligados diretamente ao petista, o índice variou de 89% para 88%. Já entre entrevistados da direita não bolsonarista, o apoio passou de 52% para 55%.
Os pesquisadores também mediram a reação da população diante da hipótese de redução proporcional dos salários. Nesse cenário, o apoio ao fim da escala cai de 68% para 60%, enquanto a rejeição sobe para 39%.
Outro dado do levantamento aponta aumento do interesse pelo tema. Cerca de 43% dos entrevistados afirmaram acompanhar as discussões sobre a PEC. Outros 29% disseram apenas ter ouvido falar do assunto, enquanto 27% afirmaram desconhecer o debate.
O nível de escolaridade influencia o interesse pela proposta. Entre pessoas com ensino superior, 55% disseram acompanhar as discussões. O percentual cai para 48% entre quem concluiu o ensino médio e recua para 30% no grupo com ensino fundamental.
O que muda na jornada de trabalho
Na prática, o relatório altera três trechos do artigo 7º da Constituição Federal. O principal deles reduz o teto semanal de trabalho de 44 para 40 horas.
A nova redação deve estabelecer “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta semanais”, com possibilidade de compensação de horários mediante acordo coletivo.
O segundo ponto modifica as regras do repouso semanal remunerado. A proposta passa a garantir dois dias de descanso por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
O texto também inclui proibição de redução salarial. Segundo o relator, empresas que descumprirem a regra durante eventual período de transição poderão perder benefícios previstos na própria PEC.
A proposta unifica duas PECs que já tramitavam no Congresso: a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
As versões originais defendiam jornada semanal de 36 horas e escala 4×3. A redação construída entre governo e Câmara reduziu a meta para 40 horas como estratégia para ampliar apoio político ao texto.
O debate ganhou força após mobilização do VAT (Movimento Vida Além do Trabalho), liderado por Rick Azevedo, responsável por levar o tema às redes sociais.
Desde junho do ano passado, pesquisas Quaest apontam o fim da escala 6×1 como uma das pautas de maior lembrança associadas ao Governo Federal, embora a proposta tenha origem no Legislativo.
Segundo o instituto, o tema supera programas do Executivo em reconhecimento espontâneo, como ampliação do Vale Gás, isenção da conta de energia para inscritos no CadÚnico e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.
Funcionários da escala 6×1
A discussão ganhou força nos últimos meses, impulsionada por debates sobre saúde mental, qualidade de vida e equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Os relatos refletem uma realidade vivida por milhares de trabalhadores que enxergam no fim da escala 6×1 a possibilidade de mais qualidade de vida, tempo para a família e melhores condições de saúde física e mental. Enquanto o debate avança no país, a expectativa de quem enfrenta jornadas exaustivas é por mudanças que tragam mais equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Fala, Povo
Funcionários de diferentes setores Em Campo Grande, respondem uma pergunta: Você é a favor ou contra o fim da escala 6×1?
Aline Pio Ferreira de 28 anos. “O corpo e a mente chegam ao esgotamento físico, justamente porque não folgamos”.

Aline Pio Ferreira – Foto: Roberta Martins
Yara Oliveira de 21 anos. “ Tenho folga a cada dois domingos, impacta demais na nossa vida, principalmente pra quem tem filhos”.

Yara Oliveira – Foto: Roberta Martins
Jheniffer de Souza, de 18 anos. “ É muito cansativo. Eu trabalho das 10h às 22h, todos os dias e não sem folga. Sinto falta do tempo livre”

Jheniffer de Souza – Foto: Roberta Martins
Geane Santos de 22 anos. “A pessoa tem um dia para tentar resolver a vida e não consegue, porque ou você descansa ou tenta resolver 5% dos seus problemas pessoais”

Geane Santos – Foto: Roberta Martins
Tais Fernandes. “É uma correria sem fim; como eu não consegui por eles na creche, é sempre incerto com quem eles vão ficar pra eu poder vim trabalhar”.
Por Djeneffer Cordoba
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