Combustível tem variação de até 11,83%, diferença de até R$ 37,50 por tanque e acréscimo no pagamento no crédito em Campo Grande
Entre a conveniência do posto habitual e o impacto no orçamento, o motorista campo-grandense ajusta as escolhas de abastecimento diante da volatilidade dos combustíveis. A rotina, muitas vezes definida por fidelidade ou contratos corporativos, convive com o aumento de custos entre os condutores.
Para o vendedor Igor Gamarra, o abastecimento é uma etapa operacional do trabalho. Vinculado a um convênio empresarial, ele não tem liberdade para escolher postos com base no menor preço, mas sente o impacto direto do combustível na operação de entregas.
“Ainda mais a gente que trabalha com entrega, pesa bastante no orçamento”, afirma Igor, que utiliza boleto bancário como forma de pagamento. No caso dele, a praticidade do faturamento compensa a falta de escolha, mas não apaga a sensação de que o lucro da atividade está sendo gradualmente consumido pelas bombas.
Levantamento realizado pelo Procon Mato Grosso do Sul em 35 postos de Campo Grande aponta variação de até 11,83% no preço dos combustíveis, a depender da região e da modalidade de pagamento. A maior disparidade foi encontrada na gasolina paga no crédito na região do Imbirussu. Abastecer um tanque de 50 litros pode representar economia de até R$ 37,50, conforme o estabelecimento escolhido.
O empresário Joel Miasato representa uma parcela de motoristas que busca um meio-termo entre a confiança e o preço. Ele mantém postos de preferência que já oferecem um valor competitivo. Sobre a escalada dos custos, estima que o impacto no último período foi agressivo.
“De um ano para cá teve um aumento 25%”, afirma. Para tentar mitigar as perdas, ele recorre ao Pix, evitando os valores mais elevados comumente aplicados às transações de crédito, que no atual cenário apresentam as maiores oscilações de mercado.
A estratégia de abandonar o cartão de crédito também é adotada por Álvaro Renato, que atua no setor de telecomunicações. Como percorre grandes distâncias diariamente, ele percebe que o consumo elevado potencializa qualquer variação no preço do litro.
“O consumo do combustível é maior, automaticamente o preço também afeta para a gente ficar rodando”, explica. Para ele, o crédito deixou de ser vantajoso: “Está sendo mais viável no Pix, no débito. O crédito sempre tem um acréscimo, não compensa”.
O cenário torna-se ainda mais complexo quando analisado geograficamente. O monitoramento da Sead aponta que a região do Segredo registrou a menor variação no preço da gasolina à vista, com média de R$ 6,49. Em contrapartida, quem utiliza diesel S500 na região do Bandeira enfrentou um aumento de 21,37% entre março e abril.
Por Djeneffer Cordoba