Empresários relatam desistências e dificuldade para contratar em Campo Grande.
O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgou nessa terça-feira (3), dados que mostram que o Brasil registrou saldo positivo de 112.334 novos postos de trabalho com carteira assinada em janeiro. O resultado é fruto de mais de dois milhões de admissões contra cerca de dois milhões de desligamentos no período analisado.
Entre os setores que mais geraram empregos, a indústria se destacou com a criação de 54.991 novas vagas. Também apresentaram bom desempenho o setor de serviços, com 40.525 postos; o comércio, com 56.800; a construção civil, com 50.545; e a agropecuária, com 23.373 novas oportunidades. Os números refletem a retomada de atividades produtivas e o aquecimento de diferentes segmentos da economia nacional.
No recorte por estados, Santa Catarina liderou a geração de empregos, com 19 mil novos postos de trabalho, seguido por Mato Grosso, com 18.731 vagas, e Rio Grande do Sul, com 18.421 contratações líquidas.
Em Mato Grosso do Sul, o cenário também foi positivo, embora em menor escala. O estado registrou saldo de 3.936 novos postos de trabalho com carteira assinada. Ao todo, foram contabilizadas cerca de 37 mil admissões e 33 mil desligamentos, resultando em crescimento aproximado de 5% no mês.
No centro da capital, Campo Grande, a realidade observada nas vitrines das lojas revela um mercado ainda aquecido, com placas anunciando vagas de emprego. No entanto, empresários relatam dificuldade para preencher as oportunidades disponíveis.
Vagas não preenchidas
Elaine Vasconcellos, gerente de uma loja de joias no centro da cidade, afirma que tem enfrentado obstáculos para completar o quadro de funcionários. “Recebemos muitos currículos, mas as pessoas desistem. Ligamos para marcar entrevista e não atendem ou simplesmente não comparecem. Já aconteceu de a pessoa confirmar a data de início e desistir”, relata.
Segundo ela, há uma vaga aberta há quase dois meses. “Essa vaga está disponível há bastante tempo, e não conseguimos preencher. Já tentamos contratar freelancers, mas também há desistências. Por isso, precisamos fazer uma rotação entre os funcionários na escala para suprir a demanda.”
Especialistas apontam que fatores como busca por melhores salários, mudança de área profissional e até desalinhamento entre expectativas de empregadores e candidatos podem explicar a alta rotatividade, mesmo em um cenário de geração de empregos formais.
Entre os municípios de MS, os maiores saldos positivos foram observados em Inocência (1.081), Chapadão do Sul (477), Costa Rica (424), Campo Grande (410) e Ponta Porã (152). Já os menores resultados ocorreram em Rio Brilhante (-217), Bataguassu (-117), Bataiporã (-53), Selvíria (-46) e Bonito (-44).
Sobrecarga de trabalho
Em outra loja da região central, a gerente Alice Ferreira confirma a dificuldade em manter a equipe completa. “Aqui estamos sempre precisando de funcionários. Mesmo quando contratamos, muitos acabam saindo, então sempre falta alguém”, explica.
A escassez de mão de obra tem provocado sobrecarga nos funcionários que permanecem. “Ficamos um tempo sem caixa na loja. As vendedoras precisavam vender e, ao mesmo tempo, atender no caixa. Isso gera correria e acúmulo de função”, relata.
Por Ian Netto