Especialista alerta que ausência de sondagem e projetos inadequados estão entre as principais causas de danos
O crescimento das construções residenciais em Mato Grosso do Sul tem trazido à tona um problema técnico que costuma passar despercebido no início das obras, mas pode gerar prejuízos significativos ao longo do tempo: o dimensionamento inadequado das fundações. Especialistas alertam que essa falha compromete não apenas o desempenho das edificações, mas também a segurança estrutural.
Responsáveis por transferir o peso da construção para o solo, as fundações são uma das etapas mais críticas do processo construtivo. Ainda assim, durante entrevista ao jornal O Estado, o engenheiro civil Antônio Carlos Brandalize Filho, explicou que erros nessa fase continuam sendo recorrentes, muitas vezes motivados por economia ou ausência de acompanhamento técnico qualificado.
“O problema começa antes mesmo da casa ficar pronta. Quando não há um projeto adequado ou estudo do solo, a estrutura já nasce com risco, mesmo que os sinais demorem a aparecer”, explica.
Entre as falhas mais comuns estão a falta de sondagem do terreno, o uso de fundações rasas sem critérios técnicos e decisões baseadas apenas na experiência prática, sem respaldo de cálculos estruturais.
Entre os principais riscos estruturais, Antônio afirma que vigas e pilares acabam recebendo esforço a mais o que pode danificar a estrtura das casas. “Vigas e pilares recebem mais esforços que os previstos e isso acaba danificando a estrutura da casa, como portas e janelas, deixando emperradas” afirma o engenheiro.
Em um caso recente acompanhado pelo engenheiro em Campo Grande, uma residência em reforma apresentou um quadro avançado de comprometimento estrutural. O imóvel começou a apresentar afundamento do piso próximo ao muro, evoluindo para rachaduras expressivas, descolamento de revestimentos e perda de alinhamento das paredes.
Economia que pode sair cara
Apesar de representar uma parcela relativamente pequena do custo total da obra, a etapa de fundação é decisiva para a durabilidade do imóvel. Ainda assim, é comum que proprietários e construtores tentem reduzir gastos justamente nesse ponto, o que pode resultar em prejuízos muito maiores no futuro.
“Recuperar uma fundação é uma das intervenções mais difíceis dentro da engenharia. Muitas vezes envolve escavações profundas e até a interrupção do uso do imóvel”, destaca Brandalize Filho.
Ele afirma que o gasto para recuperar esse material acaba se tornando 10x mais caros. “Um problema mediano pode custar até 10x mais o valor da correção em relação ao valor inicial. E por que fica tão caro? Trabalho sob estrutura existente, execução manual e lenta e equipamentos especiais”. explica
Para evitar esse tipo de problema, especialistas recomendam dicas essenciais:realizar a sondagem do solo antes do início da obra, contratar um projeto estrutural adequado e garantir acompanhamento técnico durante toda a execução.
Por Por Ian Netto
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