Exportação e venda crescem, mas custo de vida trava

Foto: Nilson Figueiredo
Foto: Nilson Figueiredo

A balança comercial de Mato Grosso do Sul registrou um desempenho histórico de janeiro a julho de 2026. Segundo dados do Termômetro do varejo, levantamento feito pela Federação das CDL’s de Mato Grosso do Sul, impulsionado pelas vendas externas de commodities agrícolas e industriais, o Estado gerou um forte fluxo de divisas que se reflete diretamente na dinâmica do consumo interno e no mercado de trabalho local.

Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) revelam que, nos primeiros sete meses do ano, as exportações de MS alcançaram US$ 7,2 bilhões, alta de 12,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No caminho inverso, as importações estaduais recuaram 3,7%, fechando em US$ 1,4 bilhão. O saldo positivo da balança comercial é sustentado, principalmente, pela soja, que lidera a pauta com 33,6% do valor total exportado, seguida pela celulose, 25,3% e pela carne bovina, 18,4%.

Consumo aquecido e varejo ampliado em alta

Essa forte entrada de recursos na economia deu fôlego ao comércio de proximidade. Segundo o boletim Termômetro do Varejo de agosto de 2026, as vendas do varejo ampliado de MS registraram crescimento de 5,4% no primeiro semestre de 2026 frente ao primeiro semestre de 2025. O desempenho superou com folga a média nacional de avanço, que ficou em 1,9%. No comércio varejista restrito, a expansão no Estado foi de 2,6%, também acima dos 1,9% registrados no País. A sustentação desse consumo está relacionada ao comportamento do mercado de trabalho. O desemprego em MS recuou para a taxa historicamente baixa de 2,7% no segundo trimestre de 2026, deixando o Estado em situação de pleno emprego técnico, com apenas 40 mil desempregados em uma força de trabalho de 1,48 milhão de pessoas. Como consequência, a renda média real avançou 3,4% na comparação anual, alcançando R$ 3.840 no trimestre encerrado em junho, favorecendo o desempenho das vendas.

Embora o cenário de curto prazo seja positivo,a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, alerta que, “avanço da renda favorece consumo, mas endividamento desafia o orçamento das famílias”. De acordo com o Banco Central do Brasil, a inadimplência bancária (atrasos superiores a 90 dias) atingiu a marca de 6,9% para pessoas físicas em MS em junho de 2026, enquanto a inadimplência das empresas fechou em 4,4%. O saldo de concessão de crédito também dá sinais de desaceleração, caindo de uma alta anual de 7,8% em janeiro para 5,6% em junho no segmento de pessoas físicas, e de 16,2% para 5,0% no segmento empresarial.

Alta de 12,24% na conta de luz em MS

A aceleração dos preços na capital acende um sinal de alerta sobre o poder de compra local. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), apurado pelo IBGE, registrou variação de 4,6% no acumulado de 12 meses encerrados em julho de 2026 em Campo Grande. O grupo de Habitação liderou a inflação com alta expressiva de 7,6% no período, impulsionado pelas despesas com aluguel, manutenção e, principalmente, tarifas de energia elétrica.

Essa pressão tarifária ganhou um novo capítulo com a decisão da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que aprovou o reajuste anual de tarifas da Neoenergia Elektro. A partir de quarta-feira (27), cerca de 70 mil unidades consumidoras residenciais de cinco municípios de MS: Anaurilândia; Brasilândia; Santa Rita do Pardo; Selvíria ; Três Lagoas, passarão a pagar 12,24% a mais na conta de luz. Para os consumidores de alta tensão, o reajuste médio será de 4,10%, resultando em um efeito médio geral de 9,58%.

Embora a área de concessão direta da Neoenergia Elektro restrinja-se a essas cinco localidades sul-mato-grossenses, analistas ressaltam que o aumento serve de espelho para um panorama de custos não gerenciáveis de transmissão e aquisição de energia que afeta o setor elétrico do Estado como um todo. Essa dinâmica inflacionária acaba por se propagar, direta ou indiretamente, nos custos de vida de todo o Mato Grosso do Sul, incluindo a Capital, penalizando o orçamento familiar e reduzindo a fatia de renda que antes era destinada ao comércio de bens e serviços.

Por Enzo Pereira

 

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