Etanol a R$ 4,20 em Campo Grande atinge paridade de 65% em relação à gasolina

No acumulado de 2026, a gasolina registrou altas expressivas na Capital - Foto: Roberta Martins
No acumulado de 2026, a gasolina registrou altas expressivas na Capital - Foto: Roberta Martins

Índice coloca MS entre as oito unidades da federação onde o biocombustível é economicamente viável

 

O etanol em Mato Grosso do Sul registrou paridade de 65,34% em relação à gasolina na última semana. Com esse índice, o Estado ficou entre os sete estados e o Distrito Federal onde o biocombustível é considerado economicamente vantajoso. O percentual sul-mato-grossense também fechou abaixo da média nacional de competitividade, que ficou em 65,77%.

Em Campo Grande, a relação de preço entre os dois combustíveis fixou-se em 65,73%, com o etanol comercializado em média a R$ 4,20 e a gasolina a R$ 6,39. O índice caiu em relação à primeira semana do ano, quando estava em 67,69% na Capital, com o biocombustível a R$ 3,98 e o fóssil a R$ 5,88.

No acumulado de 2026, a gasolina registrou um aumento mais expressivo do que o etanol em Campo Grande. O derivado do petróleo avançou 8,67% no ano, enquanto o renovável subiu 5,53%. Em maio, contudo, o preço médio do etanol na Capital recuou 0,47% em comparação com o início do mês, enquanto a gasolina manteve estabilidade.

A nível nacional, os valores médios do etanol hidratado caíram em 19 estados e no Distrito Federal, subiram em apenas dois e ficaram estáveis em outros quatro, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP.

Nos postos pesquisados em todo o território nacional, o preço médio do biocombustível recuou 1,35% e fixou-se em R$ 4,38 o litro. No Amapá, embora a ANP não tenha apurado a variação semanal, o estado registrou a maior média do País, com o litro cotado a R$ 5,86.

São Paulo teve a queda mais expressiva da semana, com redução de 2,40%. O preço médio paulista passou para R$ 4,07 por litro, o menor valor do Brasil. Em um posto do estado, a pesquisa localizou o preço mínimo da amostragem nacional, comercializado a R$ 2,98 o litro.

Na contramão, as únicas altas ocorreram em Minas Gerais, com avanço de 2,07% (para R$ 4,43), e no Tocantins, que subiu 1,86% (passando para R$ 5,48). Já a marca mais cara por litro foi observada em Pernambuco, onde o combustível atingiu R$ 6,59 em um dos postos avaliados.

Além de Mato Grosso do Sul, a paridade abaixo do teto de 70% ficou concentrada em outros sete pontos do País. Mato Grosso registrou o menor índice nacional, com 64,28%. Na sequência aparecem São Paulo (66,62%), Paraná (66,81%), Distrito Federal (68,64%), Goiás (68,80%), Minas Gerais (69,87%) e Bahia (69,92%).

Consumo na contramão

Dados de vendas das distribuidoras apontam que o volume de gasolina em Mato Grosso do Sul avançou 8,65% no primeiro trimestre deste ano, de 168,7 milhões para 183,3 milhões de litros. Por outro lado, o consumo de etanol recuou 5,84% no período, de 92,7 milhões para 87,3 milhões de litros.

Essa preferência pelo combustível fóssil, mesmo com o biocombustível mais competitivo, esbarra em hábitos culturais e no cálculo tradicional do mercado. Convencionalmente, o etanol é considerado vantajoso quando custa até 70% do preço da gasolina, devido ao menor poder calorífico do biocombustível, que rende menos quilômetros por litro.

Apesar da regra de bolso, executivos do setor automotivo e de energia ponderam que essa margem já não é fixa. A competitividade real do etanol pode ultrapassar o teto dos 70% dependendo diretamente da tecnologia embarcada e do modelo de motor de cada veículo flex atual.

 

Por Djeneffer Cordoba

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