A energia solar tem ganhado cada vez mais espaço em Mato Grosso do Sul, impulsionada por condições climáticas favoráveis, redução dos custos de instalação e pela busca de consumidores por economia na conta de energia. O resultado desse cenário coloca Campo Grande em posição de destaque no ranking nacional da geração fotovoltaica.
De acordo com dados da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), a Capital sul-mato-grossense ocupa atualmente a terceira posição entre as capitais brasileiras com maior potência instalada em geração distribuída de energia solar, somando 482 megawatts (MW). O município fica atrás apenas de Brasília (580,5 MW) e Cuiabá (494,4 MW), superando capitais maiores e mais populosas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.
O desempenho de Campo Grande reflete o crescimento registrado em todo o Estado. Mato Grosso do Sul ocupa a décima posição no ranking nacional de geração distribuída fotovoltaica, com aproximadamente 1.844,5 MW de potência instalada. Na prática, isso significa que milhares de residências, empresas, propriedades rurais e estabelecimentos comerciais passaram a produzir a própria energia por meio de sistemas solares conectados à rede elétrica.
Um dos fatores que ajudam a explicar a expansão do setor é o custo competitivo para implantação dos sistemas fotovoltaicos. Levantamento nacional aponta que Mato Grosso do Sul possui o oitavo menor custo de instalação de energia solar do país. O valor médio para implantação de sistemas residenciais está abaixo da média nacional, tornando o investimento mais acessível para famílias e empreendedores.
A combinação entre alta incidência solar, avanços tecnológicos e redução dos preços dos equipamentos tem incentivado a adoção da energia fotovoltaica em diferentes segmentos da economia. Além da economia na conta de luz, consumidores enxergam na tecnologia uma forma de valorização dos imóveis e maior previsibilidade dos gastos com energia elétrica.
O crescimento também tem sido impulsionado por políticas públicas e linhas de financiamento. Em Campo Grande, programas municipais têm buscado ampliar o acesso à geração própria de energia, inclusive para famílias de menor renda. Ao mesmo tempo, o Governo do Estado investe na instalação de sistemas fotovoltaicos em prédios públicos, escolas e unidades administrativas, com o objetivo de reduzir despesas e ampliar o uso de fontes renováveis.
O avanço da energia solar, entretanto, traz novos desafios para o sistema elétrico. Com o aumento da geração distribuída, Mato Grosso do Sul já registra períodos em que a produção de energia solar supera o consumo local, principalmente durante os horários de maior incidência de radiação solar. Nesses momentos, o excedente é enviado para outras regiões por meio do Sistema Interligado Nacional.
Especialistas apontam que esse cenário exige investimentos contínuos em infraestrutura de transmissão, distribuição e armazenamento de energia para garantir a estabilidade do sistema e acompanhar o ritmo de crescimento da geração fotovoltaica.
Apesar dos desafios, as perspectivas para o setor seguem positivas. O potencial de geração solar em Mato Grosso do Sul continua entre os maiores do país, favorecido pela elevada incidência de sol ao longo do ano. Com custos competitivos, incentivos ao investimento e crescente conscientização sobre sustentabilidade, a tendência é que a energia solar continue avançando e consolidando o Estado como uma das principais referências nacionais na transição para uma matriz energética mais limpa e renovável.
O destaque alcançado por Campo Grande no ranking nacional demonstra que a energia solar deixou de ser uma alternativa restrita a poucos consumidores para se tornar um importante vetor de desenvolvimento econômico, geração de empregos e sustentabilidade em Mato Grosso do Sul.
Por Ian Netto
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