Do Guarujá para o mundo: a trajetória de Amilto Gutierrez e os planos da AG Catamarãs

Foto: Reprodução
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Um dos marcos foi a fabricação da lancha Maok 80 pés, vencedora do prêmio de barco no Cannes Yachting Festival

Com mais de quatro décadas dedicadas à construção naval, o empresário Amilto Gutierrez construiu uma carreira marcada por inovação, prêmios internacionais e recomeços. À frente da AG Catamarãs, ele aposta na exportação, na eletrificação de embarcações e na ampliação da linha de produtos para consolidar a marca no mercado nacional e internacional.
Gutierrez fabrica barcos comercialmente desde 1982. “Comecei com barcos à vela, depois passei para barcos a motor, embarcações de serviço para a Marinha, para o governo e até transporte de alunos escolares”, relata.

Um dos marcos da carreira foi a fabricação da lancha Okean 80 pés, vencedora do prêmio de barco do ano em 2020 no Cannes Yachting Festival. “O principal boat show do mundo hoje é Cannes. E um brasileirinho aqui do Guarujá, com nome de Amilto, ganhou o prêmio”, diz. Ele explica que não teve o nome oficialmente divulgado na premiação porque havia deixado a sociedade da empresa meses antes, mas existem reportagens internacionais que mostram meu nome como fabricante.

A AG Catamarãs nasceu após a pandemia de Covid-19, período em que o setor náutico registrou crescimento expressivo. “Foi um boom que ninguém imaginava. As vendas subiram bastante e a gente começou a crescer por causa disso”, afirma.

Sem sócios, Gutierrez precisou recomeçar. “O maior desafio foi iniciar de novo, contratar novas pessoas, treinar equipe. Começar uma empresa do zero, sem muito capital, não é fácil”, diz. Segundo ele, desenvolver novos produtos é sua principal especialidade. “Minha expertise é desenvolver produto novo. É o que eu gosto de fazer.”

A empresa se prepara para entregar o primeiro catamarã de 54 pés e já desenvolve outros três modelos: um de 62 pés, sob encomenda de um cliente argentino; um de 43 pés; e um de 38 pés voltado à pesca.

O catamarã de 54 pés é comercializado por cerca de R$ 12 milhões. Segundo o empresário, embarcações de tamanho equivalente no mercado internacional podem ultrapassar R$ 20 milhões, o que coloca o modelo brasileiro em posição competitiva.

Mercado interno e exportação

Gutierrez avalia que o mercado brasileiro ainda enfrenta entraves, principalmente tributários. “Todo mundo pensa que a mão de obra brasileira é barata, mas não é. Os impostos trabalhistas são muito altos”, afirma. Ele acrescenta que o imposto sobre venda nacional pode chegar a 28%. “É uma pancada grande para qualquer empresa.”

Por outro lado, a exportação é vista como caminho natural para crescimento. O empresário cita o regime de drawback, que permite importar insumos e exportar produtos com isenção de tributos, como vantagem estratégica. As embarcações da AG Catamarãs já são produzidas com certificação CE, padrão exigido pela Comunidade Europeia e aceito internacionalmente.
Ele avalia que a construção de barcos à vela se tornou menos competitiva após a liberação de importações durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A mudança levou o empresário a concentrar esforços em embarcações a motor, segmento que considera mais promissor no Brasil.

Sustentabilidade e eletrificação.

A empresa também investe em soluções sustentáveis, com foco em motores elétricos. Gutierrez afirma que a AG Catamarãs representa no Brasil uma fabricante norueguesa especializada em eletrificação naval.

Entre os projetos em andamento está o desenvolvimento de embarcações elétricas para apoio à limpeza da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, além de estudos para balsas e barcos de transporte de passageiros movidos 100% a energia elétrica, modelo já consolidado na Noruega.

Para ele, a eletrificação é tendência mundial irreversível no setor náutico.

Gutierrez ressalta que a indústria naval é intensiva em mão de obra. Segundo ele, a construção de um barco pode gerar até 20 vezes mais empregos do que a fabricação de um automóvel, devido ao caráter artesanal e à complexidade dos sistemas elétricos, hidráulicos e mecânicos.

Atualmente, a empresa mantém cerca de 70 colaboradores diretos, número que, segundo o empresário, poderia dobrar com maior volume de encomendas e ambiente tributário mais favorável.

Embora não pretenda abrir sociedade no momento, Gutierrez afirma que investidores são bem-vindos para financiar a construção de embarcações sob demanda, modelo que facilita a comercialização, já que o cliente pode adquirir o barco pronto para uso.

A meta é consolidar a linha de catamarãs e ampliar a presença internacional. “É um produto caro, como um avião. O cliente quer experimentar antes de comprar. Mas é uma tendência mundial, e o Brasil pode sair na frente”, conclui.

 

Ana Krasnievicz

 

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